Quarta, 29 de Julho de 2026
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O ataque cibernético que paralisou durante várias horas a rede da Unitel não foi apenas um incidente tecnológico. Foi um sério aviso sobre a vulnerabilidade estrutural da economia angolana e uma demonstração de que a transformação digital do país continua assente em bases frágeis.

Há quem sustente que as eleições internas do MPLA dizem respeito exclusivamente aos seus militantes. À primeira vista, esse argumento parece fazer sentido: cada partido político deve ser livre de escolher os seus dirigentes sem interferências externas. Contudo, em Angola, essa leitura ignora uma realidade incontornável.

Num Estado de direito democrático, cada órgão e organismo da Administração Pública exerce competências próprias, definidas por lei, com o objectivo de assegurar o bom funcionamento do Estado e a concretização das políticas públicas aprovadas pelo Executivo.

O IX Congresso Ordinário do MPLA, inicialmente encarado como mais um momento de consolidação da liderança interna, transformou-se num dos episódios de maior tensão política da história recente do partido.

Em Angola, o movimento de jovens pan-africanistas parece seduzir-se facilmente à realização de palestras e rodas de conversa, e arbitrariamente abstém-se a vida política e académica em sociedade. Ora, as críticas giram em torno da colonialidade e suas consequências, mas não formalizam as suas lutas nas estruturas de poder.

A eventual recandidatura de João Lourenço à presidência do MPLA reacendeu um debate que muitos consideravam encerrado desde 2018: poderá Angola voltar a viver uma situação de bicefalia política após as eleições gerais de 2027?

O regresso do Presidente João Lourenço, após uma ausência prolongada do país, encerra um período marcado por especulações sobre o seu estado de saúde. Circularam rumores de toda a natureza, incluindo alguns que chegaram ao extremo de anunciar a sua morte. O seu reaparecimento esvaziou o conteúdo de muitas dessas especulações.

Há momentos na história de um país em que o silêncio das instituições pesa mais do que as suas palavras. Em Angola, um desses momentos poderá chegar no dia em que as principais lideranças religiosas afirmarem, de forma clara e inequívoca, que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) não reúne as condições de independência exigidas por uma democracia.

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