Quarta, 22 de Setembro de 2021
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Segunda, 20 Setembro 2021 15:56

Ditador em pele de cordeiro

O jornalismo é, sabemos, um ofício geralmente pouco seguro. Um jornalista que se preze, digno dessa denominação, tem noção de que os perigos contra a liberdade de imprensa não envolvem somente assassinatos, mas há também ataques não letais (verbais) e ameaças de agressão física, mesmo contra as suas fontes, não estando as famílias dos profissionais isentas deste perigo.

Não há democracia sem a mídia democrática. Não há liberdade sem a mídia livre. Não há Estado de Direito e Primado da Lei (Rules of Laws) com uma mídia que viola a lei. Mas também não há ditadura sem a mídia ditatorial. A mídia é o instrumento que serve para democracia ou para ditadura.

Em política o fim último dos partidos políticos é alcançar o poder para depois gesti-lo em base a sua visão, programa e projecto político, mas o poder não se consegue de qualquer maneira, além do apoio político e da massa popular, o poder depende principalmente de factores económicos e estratégicos.

Angola é o exemplo de país onde sombras perigosas se mantêm persistentes. De um Estado nacional assente no primado do mais forte, que sacrifica toda uma juventude e reduz gerações à condição de homens de muletas.

A irrupção da imprensa como meio de comunicação de massas teve lugar no século XIX, coincidindo com o aparecimento do Estado liberal. Os actores políticos constataram de imediato o valor que a imprensa escrita representava para a propaganda dos seus partidos e movimentos sociais, a influência que exercia sobre as massas e, também, enquanto veículo de expressão da opinião pública.

A crise político-militar na Guiné-Conacri é apenas mais uma prova de uma verdade incontestada: os africanos são genericamente governados por bandos errantes que se renovam por herança ou por contágio.

Vejo aqui intelectuais angolanos que, provavelmente, em defesa das suas damas partidárias, acusam Adalberto e Chivukuvuku de "pouca vergonha", por irem esgrimir argumentos em uma televisão pública portuguesa. Até podem ter estado a argumentar mal, lá por terras de Camões.

A tamanha desordem que o Partido Estado demonstra todos os dias no âmbito geral à administração do Estado deixa boquiaberto os cidadãos que clamam por emprego, habitação, saúde, energia, água, alimentação, salário, estudo, direitos iguais e outros…

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