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Sábado, 10 Janeiro 2026 13:56

Corredor do Lobito ganha financiamento de 753 milhões de dólares

O consórcio que vai gerir a linha do corredor do Lobito, em Angola, garantiu um financiamento de 753 milhões de dólares, num acordo que teve como consultores financeiros a portuguesa Eaglestone e a Corporação Financeira Africana.

A assinatura do pacote de financiamento de 753 milhões de dólares (647 milhões de euros), que se dividem em 553 milhões de dólares, ou 475 milhões de euros, da norte-americana Corporação Internacional para o Desenvolvimento do Financiamento e 200 milhões de dólares (171 milhões de euros) do Banco de Desenvolvimento da África Austral “é um marco para a Lobito Atlantic Railway (LAR), um projeto infraestrutural regional emblemático que vai reabilitar, melhorar e operar os 1.300 quilómetros de linha férrea”, disse o líder da Eaglestone em declarações à Lusa.

Para além dos benefícios em termos de comércio e logística, o projeto deverá também garantir “um impacto substancial no desenvolvimento, incluindo a criação de emprego durante a construção e operação da linha, e desenvolvimento de mão de obra qualificada, melhoria nos padrões de segurança e oportunidade de longo prazo para as comunidades ao longo do corredor”, apontou Nuno Gil.

O pacote de financiamento, realçam a AFC e a Eaglestone num comunicado, vai ainda “aumentar em dez vezes a capacidade de transporte, para aproximadamente 4,6 milhões de toneladas métrica por ano e reduzir o custo do transporte de minerais críticos em cerca de 30%”.

O vice-presidente da Mota-Engil, Manuel Mota, citado no comunicado, considera que a assinatura do acordo de financiamento agora anunciado “não só permite mais investimento no projeto, como reforça a confiança na capacidade institucional de Angola para atrair interesse para iniciativas de infraestruturas de classe mundial”.

Questionado sobre as vantagens para as populações angolanas que vivem ao longo do trajeto ferroviário, Nuno Gil disse que toda a economia local deverá melhorar.

“A criação de um corredor económico ao longo do trajeto entre o Lobito e a fronteira com a República Democrática do Congo é possível, há várias entidades a apoiar o governo de Angola nesse sentido”, disse Nuno Gil, salientando que o acordo de financiamento agora assinado refere-se apenas à gestão da linha férrea.

Em declarações à Lusa no dia em que foi anunciado que esta consultora portuguesa foi nomeada, a par da Coporação Financeira Africana, consultora financeira do consórcio que ganhou a concessão da linha de ferro, Nuno Gil explicou que deverá haver uma dinamização da atividade económico ao longo da linha férrea, algo que não acontecia até agora.

“Quando há eixos viários, há uma série de polos industriais e económicos que se vão criando, não em termos de carga propriamente dita, mas do ponto de vista da economia, por isso o impacto será muito superior ao do mero transporte de longa distância, que se traduz em rendimentos e impostos para o Estado, mas não dinamiza as economias locais”, afirmou o gestor.

A reabilitação e concessão da linha férrea foi ganha pelo consórcio LAR, composto pela portuguesa Mota-Engil, a suíça Trafigura e a Venturis, um operador ferroviário.

“As empresas ganham ao cobrarem a utilização da ferrovia a pessoas e clientes que querem usá-la para transporte de materiais de e para o Lobito; por exemplo, se uma empresa quiser transportar cimento, existe uma métrica de tonelada por quilómetro e a concessionária cobra um determinado valor”, explicou Nuno Gil, vincando que o objetivo é “ter comboios cheios nos dois sentidos”.

O financiamento vai permitir um “investimento significativo” em novos vagões de transporte, e irá também modernizar todo o sistema de comunicação e localização, para além de reabilitar as partes degradadas e as infraestruturas logísticas, bem como armazéns que vão suportar a operação, apontou ainda o líder da consultora Eaglestone.

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