Luanda — O antigo primeiro-ministro angolano e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, acusou setores ligados ao partido no poder de alimentarem uma "xenofobia política" em Angola, numa reação aos confrontos registados no sábado junto à sede provincial da UNITA, no Uíge.
A polícia angolana disse hoje que usou força moderada, meios não letais, para dispersar manifestantes, do partido UNITA, que, no sábado, se juntaram na província do Uíje para realizarem um ato político, não havendo danos humanos graves.
O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) condenou hoje, em Luanda, os acontecimentos no Uije, referindo-se à intervenção da polícia junto à sede da UNITA, manifestando preocupação com a intolerância política no país.
O dirigente do MPLA, que disputa a liderança do partido, deverá comparecer no Tribunal Supremo na próxima quarta-feira, 12, no âmbito do processo em que é investigado por alegado desvio de fundos públicos durante o período em que exerceu funções como governador do Cuando Cubango.
A candidatura de Higino Carneiro à liderança do MPLA expôs novas tensões internas no partido e recolocou no centro do debate questões como a democratização interna, a sucessão política e a relação entre poder político e Justiça em Angola. Em entrevista ao programa semanal de jornalismo da Deutsche Welle (DW), “Radar”, o jornalista Evaristo Mulaza analisou os possíveis impactos da disputa.
O PRA JA Servir Angola manifestou hoje “total solidariedade” à UNITA e considerou preocupante a atuação da polícia no Uíge, que no sábado impediu um comício do maior partido da oposição em homenagem ao fundador Jonas Savimbi.
O general na reforma e pré-candidato à presidência do MPLA, Higino Carneiro, apelou à unidade nacional, à paz e à reconciliação na sequência dos recentes incidentes registados na província do Uíge, onde confrontos entre militantes da UNITA e a Polícia Nacional resultaram em pelo menos dois feridos.