O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) condenou hoje, em Luanda, os acontecimentos no Uije, referindo-se à intervenção da polícia junto à sede da UNITA, manifestando preocupação com a intolerância política no país.
Analistas angolanos consideraram reprovável a intervenção violenta da polícia junto à sede da UNITA, sábado, na província do Uije, ato que, disseram em declarações à Lusa, põe em causa a cultura democrática que o país vem a consolidar.
O dirigente do MPLA, que disputa a liderança do partido, deverá comparecer no Tribunal Supremo na próxima quarta-feira, 12, no âmbito do processo em que é investigado por alegado desvio de fundos públicos durante o período em que exerceu funções como governador do Cuando Cubango.
A candidatura de Higino Carneiro à liderança do MPLA expôs novas tensões internas no partido e recolocou no centro do debate questões como a democratização interna, a sucessão política e a relação entre poder político e Justiça em Angola. Em entrevista ao programa semanal de jornalismo da Deutsche Welle (DW), “Radar”, o jornalista Evaristo Mulaza analisou os possíveis impactos da disputa.
Dirigentes do MPLA e órgãos de comunicação social próximos do partido estarão a ser mobilizados para responder publicamente à ofensiva política do pré-candidato à presidência do partido, Higino Carneiro. A informação é avançada por fontes próximas da direcção do MPLA, que apontam para uma estratégia concertada de comunicação destinada a contrariar o impacto da contestação desencadeada pelo antigo governador.
O PRA JA Servir Angola manifestou hoje “total solidariedade” à UNITA e considerou preocupante a atuação da polícia no Uíge, que no sábado impediu um comício do maior partido da oposição em homenagem ao fundador Jonas Savimbi.
Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, dez com gravidade, na sequência da intervenção da polícia junto à sede da UNITA no Uíge, no sábado, disse hoje à Lusa o secretário-geral da JURA, organização juvenil do partido, Nelito Ekuikui.