Segundo o coordenador-adjunto do Conselho Económico e Social para a área empresarial, Wanderley Ribeiro, que falava à imprensa no final da reunião, o tema das criptomoedas dominou as questões apresentadas pelo Presidente angolano, João Lourenço.
"É um tema polémico e o conselho esteve a refletir sobre isso, a olhar desafios e oportunidades em torno deste tema", disse Wanderley Ribeiro, realçando que Angola tern legislação que proíbe esta atividade no país.
Este ano, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) já anunciou o desmantelamento de dois centros clandestinos para a realização desta atividade ilícita, que resultou na detenção de pelo menos 14 indivíduos, angolanos e chineses.
Em 2025, as autoridades angolanas anunciaram que foram desmantelados 41 estaleiros em dez meses naquele ano, com pelo menos 100 detidos de nacionalidade chinesa, os principais atores deste fenómeno que se verifica não só em Luanda, capital de Angola, mas em outras regiões do pais.
A mineração de criptomoedas é proibida em Angola, com uma lei criada em 2024, para proteger o sistema financeiro e a segurança energética angolana.
Na reunião de hoje, o Conselho Económico e Social analisou ainda os trabalhos em curso para a redução da pobreza em Angola, defendendo a "urgência que se impõe" na indicação de uma força tarefa para atacar alguns temas mais candentes, disse Wanderley Ribeiro, que preside à Associação Agropecuária de Angola.
De acordo com Wanderley Ribeiro, foi feita uma reflexão sobre o impacto da pobreza, na continuidade do fórum promovido, no final de 2025, na província de Benguela, pelo Conselho Económico Social.
"Foi possivel (...) apresentar aquilo que são as preocupações do conselho em relação à pobreza e à forma como as medidas estão a ser implementadas para a [sua] redução", referiu.
No encontro foram também abordados o sistema de ensino e os desafios no meio rural e urbano, tendo em conta que os dados do censo de 2024 apontam para o agravamento de alguns indicadores nas zonas rurais, acrescentou.
Além da construção de infraestruturas, o conselho considerou necessário também elevar "a capacidade humana para conseguir resolver os problemas" nas zonas rurais.
Para o conselho, as igrejas podem ter um papel interventivo maior, sobretudo no meio rural, "para fortalecer a capacidade de ensino e ajudar o executivo nos desafios que são muitos".
Relativamente ao sistema de saúde, há ainda desafios "a nível da valorização do homem", referiu Wanderley Ribeiro, reconhecendo que estão a ser realizados investimentos relevantes sobretudo na rede hospitalar terciária.
"O que o conselho propos foi uma análise e uma abordagem mais objetiva em relação à rede primária, que é aquela que vai dar o primeiro suporte a nível das necessidades sociais. O executivo apresentou números sobre aquilo que tem sido o aumento de leitos e a capacitação de profissionais do sistema de saúde, que nos próximos meses algum deste resultado deve ser visível já também nas unidades hospitalares", acrescentou.
O chefe de Estado angolano manifestou preocupação com os desafios do crescimento demográfico, tendo sido informado que o conselho tem em curso "um trabalho bastante profundo sobre a demografia em Angola".
"Nós ouvimos do titular do poder executivo algumas preocupações sobre aquilo que é a capacidade de gerir o atual crescimento demográfico de Angola, que coloca uma pressão social transversal em todos os domínios, na alimentação, nas escolas, na saúde", sublinhou.

