As declarações foram feitas à margem de um seminário de formação política e ideológica dirigido aos quadros do partido, onde o líder político sublinhou que a construção de uma alternativa de poder exige cooperação e abertura entre forças políticas.
“Nós somos todos angolanos, e se a nossa filosofia é ser governo ou parte do governo, devemos trabalhar com outros partidos. Outra situação que me preocupa é a permanente mentalidade de exclusivismo”, afirmou Chivukuvuku aos jornalistas.
Um apelo ao diálogo nacional
Para o líder do PRA-JÁ Servir Angola, o país enfrenta um momento particularmente delicado que exige uma abordagem política mais inclusiva e estratégica.
Segundo ele, Angola precisa de um rumo claro, baseado no diálogo entre diferentes sectores da sociedade, incluindo forças políticas, organizações da sociedade civil e instituições religiosas.
“Angola é um projecto colectivo que transcende diferenças políticas, exigindo um diálogo inclusivo que envolva o Estado, a sociedade civil e jovens para definir um futuro comum”, afirmou.
Na visão do político, esse processo deve transformar a participação política em soluções concretas para a população, reforçando a responsabilidade dos actores políticos perante os desafios do país.
A aposta num governo participativo
Chivukuvuku defende um modelo de governação que descreve como “participativo”, no qual os cidadãos tenham maior intervenção na gestão pública e na fiscalização das decisões do poder.
“Conhecendo a complexidade do nosso país, o PRA-JÁ Servir Angola é a favor de um Governo participativo”, afirmou.
De acordo com o dirigente, esse modelo permitiria fortalecer o papel dos cidadãos na tomada de decisões e na supervisão das instituições públicas, aproximando o Estado das necessidades reais da população.
A proposta, segundo explicou, pretende contribuir para a melhoria da qualidade de vida, promover o desenvolvimento sustentável e reduzir os níveis de pobreza através de uma cooperação permanente entre o governo e a sociedade civil.
Durante a intervenção, Chivukuvuku apontou uma série de desafios estruturais que, na sua avaliação, continuam a limitar o desenvolvimento de Angola.
Entre eles estão o aumento do custo de vida, a persistência da pobreza, as desigualdades sociais e o acesso limitado a serviços básicos como saúde e educação. Acrescentou ainda que a falta de diversificação económica tem agravado as dificuldades enfrentadas por muitas famílias.
“A pobreza, a desigualdade, o acesso limitado a serviços básicos como saúde e educação, além da necessidade de diversificação económica, são obstáculos centrais que geram dificuldades para a população e motivam a emigração”, disse.
O político prometeu que, com o PRA-JÁ no poder ou integrado num futuro governo, estas questões poderão ser enfrentadas com novas políticas públicas.
Corrupção e transparência
Outro ponto destacado pelo líder do PRA-JÁ foi a necessidade de maior transparência na gestão pública e o combate à corrupção, problemas que considera entraves significativos ao progresso económico e social do país.
Segundo ele, o Estado deve ter como vocação central a promoção do bem-estar social, garantindo direitos fundamentais como educação, saúde e segurança, além de reduzir desigualdades.
“A finalidade do Estado é regular a vida em comunidade, resolvendo conflitos e assegurando a dignidade da pessoa humana através de políticas públicas”, afirmou.
As declarações de Chivukuvuku surgem poucos meses depois de o Tribunal Constitucional de Angola ter legalizado oficialmente o PRA-JÁ Servir Angola, em outubro de 2024.
A decisão colocou fim a um processo político e jurídico que se arrastava desde 2019, marcado por várias rejeições do pedido de legalização, incluindo uma decisão negativa em 2020 e sucessivos recursos apresentados pelo movimento.
Com a aprovação, o PRA-JÁ tornou-se a 13.ª formação política activa em Angola e passou a reunir condições legais para participar nas próximas eleições gerais.
A legalização do partido também altera o equilíbrio político da oposição angolana. Durante as eleições de 2022, o movimento integrava a Frente Patriótica Unida (FPU), uma plataforma que reuniu diferentes forças políticas lideradas pela UNITA.
Com a nova condição jurídica, o PRA-JÁ ganha autonomia política e organizativa, podendo apresentar-se como força independente nas eleições de 2027.
Analistas consideram que o posicionamento do partido — entre a cooperação com outras forças da oposição e a ambição declarada de integrar ou liderar um futuro governo — poderá influenciar o redesenho das alianças políticas nos próximos anos.

