Segunda, 16 de Março de 2026
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Segunda, 16 Março 2026 14:24

Chivukuvuku critica “exclusivismo” na oposição e defende governo participativo em Angola

Num momento em que o cenário político angolano começa a reorganizar-se em antecipação às eleições gerais de 2027, o presidente do PRA-JÁ Servir Angola, Abel Chivukuvuku, lançou críticas abertas ao que considera ser uma cultura de “exclusivismo permanente” entre vários partidos políticos, particularmente dentro da oposição com assento parlamentar em Angola.

As declarações foram feitas à margem de um seminário de formação política e ideológica dirigido aos quadros do partido, onde o líder político sublinhou que a construção de uma alternativa de poder exige cooperação e abertura entre forças políticas.

“Nós somos todos angolanos, e se a nossa filosofia é ser governo ou parte do governo, devemos trabalhar com outros partidos. Outra situação que me preocupa é a permanente mentalidade de exclusivismo”, afirmou Chivukuvuku aos jornalistas.

Um apelo ao diálogo nacional

Para o líder do PRA-JÁ Servir Angola, o país enfrenta um momento particularmente delicado que exige uma abordagem política mais inclusiva e estratégica.

Segundo ele, Angola precisa de um rumo claro, baseado no diálogo entre diferentes sectores da sociedade, incluindo forças políticas, organizações da sociedade civil e instituições religiosas.

“Angola é um projecto colectivo que transcende diferenças políticas, exigindo um diálogo inclusivo que envolva o Estado, a sociedade civil e jovens para definir um futuro comum”, afirmou.

Na visão do político, esse processo deve transformar a participação política em soluções concretas para a população, reforçando a responsabilidade dos actores políticos perante os desafios do país.

A aposta num governo participativo

Chivukuvuku defende um modelo de governação que descreve como “participativo”, no qual os cidadãos tenham maior intervenção na gestão pública e na fiscalização das decisões do poder.

“Conhecendo a complexidade do nosso país, o PRA-JÁ Servir Angola é a favor de um Governo participativo”, afirmou.

De acordo com o dirigente, esse modelo permitiria fortalecer o papel dos cidadãos na tomada de decisões e na supervisão das instituições públicas, aproximando o Estado das necessidades reais da população.

A proposta, segundo explicou, pretende contribuir para a melhoria da qualidade de vida, promover o desenvolvimento sustentável e reduzir os níveis de pobreza através de uma cooperação permanente entre o governo e a sociedade civil.

Durante a intervenção, Chivukuvuku apontou uma série de desafios estruturais que, na sua avaliação, continuam a limitar o desenvolvimento de Angola.

Entre eles estão o aumento do custo de vida, a persistência da pobreza, as desigualdades sociais e o acesso limitado a serviços básicos como saúde e educação. Acrescentou ainda que a falta de diversificação económica tem agravado as dificuldades enfrentadas por muitas famílias.

“A pobreza, a desigualdade, o acesso limitado a serviços básicos como saúde e educação, além da necessidade de diversificação económica, são obstáculos centrais que geram dificuldades para a população e motivam a emigração”, disse.

O político prometeu que, com o PRA-JÁ no poder ou integrado num futuro governo, estas questões poderão ser enfrentadas com novas políticas públicas.

Corrupção e transparência

Outro ponto destacado pelo líder do PRA-JÁ foi a necessidade de maior transparência na gestão pública e o combate à corrupção, problemas que considera entraves significativos ao progresso económico e social do país.

Segundo ele, o Estado deve ter como vocação central a promoção do bem-estar social, garantindo direitos fundamentais como educação, saúde e segurança, além de reduzir desigualdades.

“A finalidade do Estado é regular a vida em comunidade, resolvendo conflitos e assegurando a dignidade da pessoa humana através de políticas públicas”, afirmou.

As declarações de Chivukuvuku surgem poucos meses depois de o Tribunal Constitucional de Angola ter legalizado oficialmente o PRA-JÁ Servir Angola, em outubro de 2024.

A decisão colocou fim a um processo político e jurídico que se arrastava desde 2019, marcado por várias rejeições do pedido de legalização, incluindo uma decisão negativa em 2020 e sucessivos recursos apresentados pelo movimento.

Com a aprovação, o PRA-JÁ tornou-se a 13.ª formação política activa em Angola e passou a reunir condições legais para participar nas próximas eleições gerais.

A legalização do partido também altera o equilíbrio político da oposição angolana. Durante as eleições de 2022, o movimento integrava a Frente Patriótica Unida (FPU), uma plataforma que reuniu diferentes forças políticas lideradas pela UNITA.

Com a nova condição jurídica, o PRA-JÁ ganha autonomia política e organizativa, podendo apresentar-se como força independente nas eleições de 2027.

Analistas consideram que o posicionamento do partido — entre a cooperação com outras forças da oposição e a ambição declarada de integrar ou liderar um futuro governo — poderá influenciar o redesenho das alianças políticas nos próximos anos.

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