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Sábado, 10 Janeiro 2026 13:58

Polícia volta a travar marcha contra abusos e detém ativistas em Luanda

A polícia angolana voltou hoje a impedir em Luanda uma marcha contra abusos a mulheres e crianças, disseram hoje ativistas, que pediram a libertação de organizadores e outros participantes, detidos no Largo do Mercado de São Paulo.

Mais de dez ativistas, entre os quais organizadores de marcha, foram detidos pela policia angolana no Largo do Mercado de São Paulo, em Luanda, local onde a sociedade civil decidiu se concentrar para marcha que teria inicio às 13:00 (12:00), contaram os ativistas.

Desde as primeiras horas de hoje que o Largo do Mercado de São Paulo foi tomado pela polícia, que cercou o espaço com o seu efetivo e viaturas, inclusive a brigada canina, como foi constatado no local.

Alguns organizadores da marcha e demais ativistas acorreram ao local de concentração, mas foram impedidos de se concentrar pela policia.

Timidamente, alguns ativistas apareceram no local para participarem da marcha, autorizada pelo Governo da Provincia de Luanda após ser adiada no dia 03 de janeiro, que, no entanto, decidiu alterar o percurso, propondo o Itinerário Largo do Cemitério da Santa Ana até o Largo das Escolas, uma proposta recusada pela organização que decidiu manter a rota inicial (Largo do Mercado de São Paulo Largo das Heroinas).

A ativista Laurinda Conde disse à Lusa, na sexta-feira, que ponderaram alterar o final da marcha, mas que iriam manter o local de concentração (Largo do Mercado de São Paulo), negando qualquer afronta as autoridades.

Hoje, Laurinda Conde também foi detida pela policia no referido largo, como contou à Lusa o ativista Jaime Mussinda "Jaime MC", que repudiou a atitude da policia.

"Houve mais de 10 ativistas e cidadãos que participavam aqui na concentração e foram detidos, nomeadamente a Rosa Conde, (.) uma lista vasta de cidadãos que não usaram melos contundentes, o que fizeram unicamente é vir para o largo de concentração e exigir que o corpo da mulher seja respeitado e que o corpo da mulher não é um saco de pancadas", disse.

Para o ativista e membro do Movimento Civico Mudei, o bloqueio da marcha e a detenção de ativistas é reflexo que o "Estado (angolano] está a combater quem quer dar dignidade ou apelar o respeito da dignidade da pessoa humana".

Manifestou-se ainda "indignação" pela postura das autoridades, referindo que se tratava de uma "manifestação pacifica", em obediència à Constituição angolana e à lel.

"Lamentavelmente a policia, mais uma vez, em obediència às ordens unipessoais do Governo Provincial de Luanda, decidiu inviabilizar um ato pacifico que visava de certo modo chamarmos a razão e condenarmos qualquer tipo de violència contra a mulher", atirou.

A ativista Leila Futila, que também acorreu ao local da concentração, contestou igualmente a ação da policia e pediu a libertação dos ativistas detidos. "Pedimos liberdade [aos ativistas detidos), porque há muitos bandidos que cometem injustiça, violadores das leis e do erário e pedimos liberdade", atirou.

E a ativista e especialista em direitos humanos, Flora Telo, considerou "absurda e insensivel" a atitude das autoridades, por entender que o tema de abusos contra mulheres e crianças, "que se registam diariamente em Angola, deveria parar o pais".

Afirmou que todos os dias crianças são abusadas sexualmente, exemplificando o caso da menor Delma, de 15 anos, cujo video de agressão fisica e sexual foi partilhado nas redes sociais. E que a marcha visava também prestar solidariedade à menor

Flora Telo lamentou ainda as detenções: "Até quando? Quem vai ser a próxima mulher a ser abusada sexualmente, quem vai ser a próxima criança a ser abusada sexualmente?", questionou.

Alguns ativistas ainda acorreram hoje ao Largo do Cemitério da Santa Ana, onde também se encontrava algum dispositivo da policia.

A Lusa contactou o porta-voz do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, mas não obteve resposta

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