As vítimas serão submetidas a exames periciais no Laboratório de Criminalística, em Benguela, onde decorrerá o processo de identificação através da recolha e análise de ADN.
O acidente, considerado um dos mais graves dos últimos anos em Angola, envolveu um autocarro da transportadora Macon e uma motorizada de três rodas que transportava combustível. A violência da colisão e o incêndio que se seguiu provocaram a morte de 22 pessoas, entre as quais várias crianças, e deixaram ainda 12 feridos.
Segundo informações divulgadas pela Televisão Pública de Angola (TPA), o processo de identificação das vítimas já está em curso nas instalações do Departamento de Medicina Legal do Serviço de Investigação Criminal (SIC), em Benguela. Técnicos especializados estão a recolher amostras de saliva e sangue dos familiares das vítimas, que serão comparadas com o material genético recolhido dos corpos para permitir a respetiva identificação.
A complexidade do processo levou o Governo Provincial do Kwanza-Sul a criar uma comissão para coordenar os trabalhos de identificação, tendo em conta que entre os passageiros seguiam cidadãos provenientes das províncias do Cunene, Huíla, Benguela e Kwanza-Sul.
Enquanto decorrem os exames laboratoriais, a incerteza mantém-se entre os familiares das vítimas. Nos terminais da transportadora Macon, em Benguela e na Huíla, dezenas de pessoas continuam à procura de informações sobre familiares que viajavam no autocarro sinistrado.
Os familiares apelam igualmente às autoridades para que seja divulgada a lista dos sobreviventes internados nas unidades hospitalares do Sumbe e de Luanda, de forma a facilitar a localização dos passageiros e reduzir a angústia vivida desde o acidente.
Dos 12 feridos, quatro foram transferidos em estado considerado crítico para o Hospital Geral dos Queimados Presidente Julius Nyerere, no Kilamba, em Luanda, onde recebem cuidados médicos diferenciados.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, afirmou que três dos quatro doentes apresentam queimaduras graves e permanecem sob vigilância intensiva. Segundo a governante, as equipas médicas continuam a avaliar a extensão e profundidade das lesões para definir a estratégia terapêutica mais adequada, adiantando que um dos pacientes inspira particulares cuidados.
No Hospital Geral do Sumbe, alguns dos restantes feridos registam uma evolução clínica considerada favorável e poderão ter alta médica nos próximos dias, caso a recuperação continue a evoluir positivamente.
Na sequência da tragédia, o Presidente da República, João Lourenço, apresentou condolências às famílias das vítimas mortais, em seu nome e em nome do Executivo, manifestando também solidariedade para com os feridos e desejando-lhes uma rápida recuperação.
As autoridades prosseguem, entretanto, as investigações para determinar as causas do acidente, enquanto decorrem os trabalhos de identificação das vítimas e o acompanhamento clínico dos sobreviventes.

