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Quinta, 27 Março 2014 17:38

Isabel dos Santos pressiona Portugal Telecom a vender 25% da Unitel

A Unitel recusa pagar perto de 250 milhões de euros em dividendos à PT. E diz ter direito de preferência sobre acções que PT tem na Unitel em caso de processos de venda ou fusão.

O braço-de-ferro entre a empresário angolana Isabel dos Santos e a Portugal Telecom (PT) agudizou-se ontem, a dois dias das assembleias-gerais que vão aprovar, em Lisboa e no Rio de Janeiro, a fusão entre a operadora portuguesa e a brasileira Oi. A PT é accionista da operadora angolana Unitel, com uma participação de 25% na companhia controlada por Isabel dos Santos, mas este parece ser cada vez mais um casamento de conveniência.

Venda de 25% da Unitel a Isabel dos Santos apenas será possível com ‘luz verde’ dos brasileiros, a partir das assembleias-gerais de hoje, que oficializam o ‘noivado’ entre a PT e a Oi.

A aprovação da fusão entre a Portugal Telecom (PT) e a brasileira Oi, nas assembleias-gerais previstas para hoje, deverá reforçar a posição da operadora portuguesa nas negociações que terão lugar para a venda de 25% da Unitel à empresária angolana Isabel dos Santos, apurou o Diário Económico. Com a luz verde à fusão por parte dos accionistas das duas operadoras, a PT deixará de poder vender a participação na Unitel sem a concordância dos brasileiros, trazendo, na prática, uma terceira parte para a mesa das negociações.

Este facto assume especial relevância porque significa que, embora a fusão entre os activos da PT e da Oi demore ainda mais algumas semanas e a empresa portuguesa seja, até lá, senhora dos seus bens, os brasileiros terão de ser tidos em conta, dado que a participação na empresa angolana - avaliada pelos analistas do BPI em 930 milhões de euros - fará parte dos activos prometidos pela PT no acordo de fusão, que a partir de hoje terá o ‘OK' dos accionistas.

Assim, Isabel dos Santos terá de negociar com uma PT que poderá ser apoiada pelos parceiros brasileiros. Porém, a posição destes estará dependente do impacto que a eventual venda da Unitel tenha no equilíbrio de forças entre accionistas portugueses e brasileiros, na fusão em curso. Recorde-se que o acordo entre a PT e a Oi determina que o peso dos accionistas nacionais não pode exceder 39% do capital.

Em todo o caso, Isabel dos Santos deverá ter interesse em chegar a acordo com a PT até 16 de Abril, dia em que terá lugar a fixação do valor das acções na fusão (ver página ao lado).

"Do ponto de vista dos angolanos, não é a mesma coisa negociar com portugueses ou com brasileiros, para mais se existirem accionistas que são entidades do Estado brasileiro", frisou uma das fontes contactadas.

Outras fontes destacaram que o comunicado divulgado na terça-feira pela Unitel terá sido uma forma de pressionar a PT antes da realização das assembleias-gerais, com vista a chegar a um entendimento até 16 de Abril. "Isabel dos Santos quer chegar a um acordo com a PT antes da participação na Unitel ser integrada na futura operadora que vai resultar da fusão com a Oi", disse outra fonte. Esta urgência explicará, acrescentou, o comunicado de terça-feira da Unitel.

No comunicado, a operadora controlada por Isabel dos Santos recusou-se a pagar quase 250 milhões de dividendos em falta à accionista portuguesa, alegando "a existência de uma irregularidade" cometida pela PT. E lembrou que, "de acordo com os contratos em vigor", os seus accionistas "gozam do direito de preferência sobre as acções da Unitel no caso de uma transacção ou fusão". Ou seja, a empresa angolana levantou a possibilidade de ficar com os 25% que a PT tem na Unitel, no âmbito da fusão com a Oi.

Esta possibilidade não parece ‘assustar' a PT e os seus parceiros da Oi, dado que Angola não é considerado um mercado estratégico para a futura operadora luso-brasileira. A questão central será o preço da venda.

O facto de a opção de compra ser referida no comunicado causou alguma estranheza em Portugal. "Não faz sentido esse ponto vir no comunicado da Unitel, dado que é uma questão accionista", defendeu uma fonte.

Não foi possível obter esclarecimentos da Unitel. Fonte oficial da PT não comenta.

ECONÔMICO

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