Terça, 03 de Março de 2026
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Terça, 03 Março 2026 15:14

João Lourenço alerta para transparência e celeridade da Justiça

O Presidente da República, João Lourenço, afirmou terça-feira, na abertura do Ano Judicial 2026, que a consolidação da democracia e o reforço da confiança dos cidadãos nas instituições dependem da integridade, honra, rigor e transparência daqueles que exercem a elevada responsabilidade de administrar a justiça.

O Chefe de Estado sublinhou que a independência da justiça não se limita a uma garantia constitucional, constituindo também uma exigência ética individual de cada magistrado.

“Qualquer conduta que comprometa a integridade do sistema judicial afecta não apenas decisões concretas, mas fragiliza a credibilidade de toda a justiça e diminui a confiança da sociedade nas instituições”, disse.

Ressaltou o trabalho dedicado da  maioria dos magistrados, advogados e funcionários judiciais, que com sacrifício pessoal e elevado sentido de dever contribuem diariamente para a afirmação e consolidação do sistema de justiça em Angola.

Porém, o Presidente apelou à contínua observância das normas deontológicas, pois a função judicial exige conduta irrepreensível, disciplina, dedicação, sentido de missão e patriotismo.

Sublinhou que a luta contra a corrupção, a impunidade e todas as formas de desvio ético deve permanecer como prioridade permanente, conduzida com firmeza, justiça e respeito pelos direitos fundamentais.

Celeridade processual e eficiência

João Lourenço alertou para a importância da celeridade processual como factor crítico de garantia da justiça.

Frisou que uma justiça que tarda em decidir prejudica os cidadãos, afecta a economia, fragiliza a segurança jurídica e compromete a confiança no sistema judicial.

O Presidente reforçou que a celeridade deve ser um valor essencial da boa administração da justiça, sem comprometer a qualidade das decisões.

Recomendou, para o efeito, o fortalecimento do capital humano, modernização dos serviços, simplificação de procedimentos, aposta na digitalização e valorização da cultura de responsabilidade, organização e produtividade nas instituições judiciais.

Infra-estruturas e acesso à justiça

Para a valorização dos recursos humanos, informou que foram formados, 2025, 490 magistrados judiciais, do Ministério Público, técnicos e operadores de justiça.

No âmbito da identificação civil, disse que o Executivo investiu na facilitação do acesso à documentação básica e na fiabilidade do registo do cidadão, com infra-estruturas modernas e soluções que aproximam o serviço do cidadão.

Afirmou que o Guiché Único da Empresa, supervisionado pelo Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, permite constituir, alterar e actualizar empresas presencialmente ou online, com publicação electrónica e acompanhamento transparente dos processos.

Quanto às condições de trabalho, o Presidente detalhou que foram instalados quatro Tribunais da Relação em Luanda, Benguela, Lubango e Uíge, permanecendo pendente o Tribunal da Relação de Saurimo.

A nível nacional, funcionam 40 tribunais de comarca, faltando concluir 21 previstos no mapa judiciário.

Em relação à justiça juvenil, João Lourenço reportou que operam quatro Centros Integrados de Atendimento à Criança e ao Adolescente nas províncias da Huíla, Malanje, Moxico e Icolo e Bengo.

Informou que o Centro de Reeducação de Menores na província do Huambo será concluído ainda este ano.

Acordos judiciais internacionais

Durante o discurso, o Presidente destacou a importância dos acordos judiciais internacionais para assegurar a eficácia da justiça além-fronteiras.

Neste quesito, referiu que Angola assinou 25 tratados bilaterais de cooperação judiciária penal com 11 países, abrangendo transferências de pessoas condenadas, extradição, auxílio jurídico, troca de informações em processos complexos e combate ao crime económico, à corrupção, ao tráfico de seres humanos e outros ilícitos transnacionais.

Asseverou que protocolos e convenções internacionais, ratificados no âmbito da ONU, da CPLP, da SADC e da União Africana, asseguram coordenação institucional e credibilidade nas relações jurídicas nacionais e internacionais.

Quadro normativo e direitos humanos

João Lourenço asseverou que o Executivo promove a aprovação de diplomas legais para fortalecer o poder judicial, combater a corrupção e a impunidade, proteger direitos fundamentais e reduzir a morosidade processual.

Entre os diplomas, apontou estão os códigos da família, civil, comercial e do processo laboral.

O Presidente reforçou que o Executivo continua responsável por criar condições materiais, técnicas e organizacionais indispensáveis ao bom funcionamento do sistema judicial, em respeito a autonomia dos tribunais e do Ministério Público.

Destacou iniciativas em direitos humanos, como prevenção ao tráfico de pessoas, cooperação internacional e criação de comités provinciais, municipais e comunais.

Sublinhou que Angola foi eleita novamente membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o período 2026-2028, em reconhecimento do compromisso do país com a promoção das liberdades e direitos fundamentais.

Valorização de profissionais e combate a crimes

O Chefe de Estado reconheceu o trabalho patriótico dos magistrados, advogados e funcionários judiciais, ressaltando a necessidade de reforçar responsabilidade, organização e produtividade nos tribunais como pilares de um sistema judicial credível e eficiente.

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