Quarta, 17 de Agosto de 2022
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Sexta, 07 Janeiro 2022 18:28

UNITA aponta para precipitação de Jlo em reparar "erros" para manter a família partidária unida

A UNITA, através do seu líder, Adalberto Costa Júnior, considera que este ano foi aguardado com uma enorme expectativa por estar associado à realização das eleições gerais, desejando que o seu curso possa proporcionar a realização das esperanças e dos sonhos de uma Angola mais justa, com mais diálogo, com menos violência, mais estável, desenvolvida e mais democrática.

Em declarações a imprensa, durante a abertura do ano político, nesta sexta-feira 07 de Janeiro, Adalberto Costa Júnior desejou aos angolanos que 2022 seja o Ano da Alternância do Poder para a Governação Inclusiva e Participativa, Lema adoptado pela UNITA para este ano.

"Todos os anos nós renovamos os votos e as esperanças. Dizia o ano passado que "o maior desafio para as lideranças, era deixar um legado de liberdade, de paz, de harmonia, de reconciliação e de desenvolvimento sócio-económico. Fazer de Angola um país que realize os angolanos, um país bom para se viver", recordou.

Lembrou também ter afirmado na altura que Angola e os angolanos vivem um momento crucial da sua história marcada por transformações e crises nos vários domínios da vida, mas ao mesmo tempo por um aumento exponencial da consciência cidadã que leva a que os dirigentes do nosso país sejam cada vez mais responsabilizados pelos seus actos, e por isso, obrigados a despirem-se dos seus egos, sob pena de serem julgados pelas actuais e pelas futuras gerações.

Este ano, realçou, a pandemia e a sua nova estirpe, marcaram o início do ano, que chegou sem as festas habituais, pois esta nova estipe, o ómicron, surge muito mais contagiosa e obrigou o país e de modo geral o mundo todo a adoptar medidas mais restritivas.

Assim, recomendou a todos redobrar os cuidados, usar sempre a máscara, o distanciamento e a higienização das mãos, bem como a vacinação como medida de prevenção.

Entretanto, sublinhou ACJ, vamos constactando que por razões essencialmente económicas e sociais, nas nossas comunidades os ajuntamentos são permanentes, nas paragens dos transportes, nas praças, nos bancos, o que obriga as autoridades à necessidade de um esforço suplementar para minorar os riscos inerentes a esta extraordinária exposição.

"Verificamos também que em muitos países, os respectivos governos abraçam medidas que protejam a vida, mas protejam também a economia no máximo que podem. Angola precisa de prestar uma maior atenção ao estudo e acompanhamento destes modelos, porque os danos a diminuição da actividade económica, cria desemprego, empobrece as famílias e as empresas e por consequência mata também muita gente", detalhou.

Para ACJ, é de todo importante que aumente substantivamente o investimento em postos médicos nos bairros e o investimento em pequenas unidades de saúde que tragam proximidade às populações, dotados de quadros qualificados e de medicamentos e que aliviem a busca das unidades centrais, superlotadas pela inexistência daqueles serviços.

Apelou também à adopção do teste obrigatório ou da exibição do certificado de vacinação, complementado pelo controlo da temperatura poderiam ser obrigatórios, para salvaguardar o funcionamento de alguns sectores comerciais, em vez da liminar restrição do seu funcionamento.

O presidente da UNITA defendeu que urge hoje agilizar medidas de defesa da vida e da dinâmica económica, motor para a melhoria da situação social, que tantos dramas têm afectado a maioria das famílias angolanas.

Segundo o político, 2021 foi um ano muito difícil, que agravou a situação do desemprego, da pobreza, agravou a situação da fome para uma elevada faixa das comunidades, havendo hoje, em múltiplas províncias, cidadãos angolanos a morrerem a fome, situação inadmissível que exige respostas de emergência do nosso governo.

Assim sendo, diantou que Angola viu a pobreza e a fome instalarem-se entre as comunidades, na mesma velocidade que se institucionalizou a grande corrupção no afã do aburguesamento nacional, como necessidade de formação duma elite.

"Estamos há poucos meses de fechar um ciclo de governação, de cinco anos. Um ciclo que foi iniciado com grandes expectativas e com inúmeras promessas. Um mandato que sucedeu a um longo período de governação do Presidente José Eduardo dos Santos, a quem pintaram com as piores cores e a quem direcionaram os piores balanços. Este ciclo de governação prometeu 500 mil empregos aos jovens; prometeu a Califórnia a Benguela; prometeu a liberdade de imprensa e o fim da censura na comunicação social; apelidou os seus companheiros de trincheira de marimbondos e prometeu combater a corrupção, sem tréguas", lembrou.

Fez ainda referência de que este governo prometeu justiça igual para todos, querendo copiar a iniciativa da UNITA, do Repatriamento de Capitais, mas acabou por aprovar uma lei de faz de conta, que nem teve a coragem de regulamentar em tempo útil, mostrando-se incapaz de trazer para o país percentagem significativa das elevadíssimas verbas desviadas ao erário público.

A título de exemplo, afirmou que os balanços apresentados são irrisórios, perante o volume dos desvios, ressaltando que como todos foram acompanhando, o tempo falou mais alto, em cujas acções houve a perseguição de uns e a protecção dos amigos, membros do governo sujeitos a processos com fortes denúncias, algo que foi visível para todos.

Para o presidente da UNITA o interessante foi a gincana  efectuada com acusações nunca formalizadas àqueles que muito sabiam e que ameaçaram contar o modo como o actual poder foi eleito.

"Os processos pararam! E é importante olhar para o modo precipitado e artificial como se está hoje a correr ao reparo, para tentar manter a família partidária unida, porque se aproximam eleições! O discurso e a pratica nunca andaram tão distantes!", conforme ACJ.

O partido de regime, no seu entender, mostrou a todos a sua deriva, sua perda de valores, o abandono dos mais importantes referentes do Estado de Direito Democrático, considerando que Angola está mal e vai mal, numa altura em que as vozes da sociedade

levantam-se todos os dias e são ignoradas pelas lideranças do regime. "Hoje a pratica é idêntica à governação anterior! Mudou-se a constituição em período pré-eleitoral; mudou-se a lei eleitoral, em período pré-eleitoral; colocou-se na CNE um Presidente contestadíssimo por toda a sociedade; colocou-se no Tribunal Constitucional uma Presidente que nunca foi magistrada, que tomou posse ainda membro do Bureau Político. É importante averiguar os Estatutos do MPLA considerarem ou não, tempo de militância mesmo quando em interpretação de funções incompatíveis!", apontou.

Salientou também que é urgente despartidarizar de facto as instituições do Estado e cada vez mais, urge moralizar as mentes e proteger o Estado, proteger a soberania nacional, que tantas vezes se fala e outras tantas se agride, com a ânsia da manutenção do poder a qualquer preço, visto que pelas manifestações que se multiplicam em publicações assinadas, em intervenções públicas de inúmeros cidadãos, a maioria dos angolanos mostra-se apreensivo com o rumo tomado pelo país.

"Os angolanos questionam cada vez mais a seriedade do seu governo e a sua capacidade de agir em transparência. Não há acto nenhum, em que o cidadão não questione sobre a fraude! O cidadão acredita maioritariamente que o governo não age com transparência e não confia no seu governo", observou, adiantando que o angolano está apreensivo com a falta de independência do poder judicial e com a sua evidente subalternização ao poder político. "Quando um povo perde o respeito e deixa de acreditar que o sistema Judicial persegue a Justiça, o futuro fica deveras comprometido".

"Revisitemos actos relevantes, para os retermos em memória e esperarmos que não se repitam: o Presidente da UNITA realiza um comício memorável, com uma enchente sem igual em Benguela, dia 03 de Agosto de 2021 e o Bureau Político do Mpla faz sair um Comunicado, onde afirma que o seu mandato está por um fio, indicando controlar a agenda e as decisões do Tribunal Constitucional", lamentou.

Aproveitando ainda a ocasião, Adalberto Costa Júnior revelou que as contas bancárias da UNITA são congeladas e património recebido, sem que até hoje o partido tenha sido notificado.

Aquando do lançamento da Frente Patriótica Unida, dia 05 de Outubro de 2021, ACJ recorda que as Televisões do regime anunciam antecipadamente a anulação do Congresso da UNITA, uma decisão tornada pública pelo TC apenas dia 07 e, no dia em que este líder lançou a sua candidatura em Novembro de 2021, o governo marca para a mesma data a entrega dos primeiros restos mortais dos dirigentes da UNITA, vitimas do conflito, demonstrando instrumentalidade, mesmo em matéria tão delicada.

Em sinal de apelo, Adalberto Costa Júnior disse esta sexta-feira, 07 de janeiro que ao TC não compete escolher as lideranças dos partidos políticos, porque a lei diz que compete ao Tribunal Constitucional, anotar os Congressos dos Partidos e não mais.

E neste campo das interferências, ressalta, o mau exemplo vem infelizmente de cima e, o sr Presidente da República não deixou dúvidas a ninguém quando em cerimónia de posse do Conselho da República, proferiu a afirmação que não lhe fica nada bem e que prova a interferência na autonomia dos Partidos.

Por este motivo, disse que estes actos criam instabilidade política e não abonam nada o bom nome do mais alto magistrado da Nação, sendo a utilização escandalosa da comunicação social pública outro triste capítulo desta novela.

"As transmissões na íntegra do Congresso do Partido que governa e a negação do mínimo tratamento idêntico aos outros Partidos, viola a Constituição e as demais leis da República! O Ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social , segundo a Constituição é um mero auxiliar do único titular do Poder Executivo, o Presidente da República", denunciou.

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