Terça, 24 de Fevereiro de 2026
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Terça, 24 Fevereiro 2026 11:45

Pelo menos dois cidadãos angolanos entre milhares de africanos recrutados pela Rússia para a guerra

Pelo menos dois cidadãos angolanos foram recrutados pela Rússia para combater contra a Ucrânia, numa lista que contempla 1.417 africanos, segundo os dados publicados este mês pela Organização Não-Governamental (ONG) INPACT.

A INPACT, com sede na Suíça, divulgou, no relatório "O negócio do desespero: O recrutamento de combatentes africanos pelo exército russo", consultado pela Lusa, que, desde 2023, a Rússia tem vindo a recrutar cidadãos de países terceiros, nomeadamente africanos, para participarem na guerra contra a Ucrânia, cujo quarto aniversário se assinala hoje.

Contactada pela Lusa, a ONG revelou que os angolanos Luís Urbano da Costa Duarte, nascido em 24 de novembro de 1970, assinou um contrato a 15 de junho de 2024 e Maxime Rodrigo Talla Nganou, nascido em 10 de maio de 1999, assinou um contrato a 26 de outubro de 2023.

A organização explicou, no relatório, que este recrutamento é um esforço da Rússia para resolver a escassez de pessoal nas forças armadas russas, enquanto procura gerir a guerra de desgaste na Ucrânia e o reforço das sanções internacionais que visam as suas capacidades económicas, o setor militar-industrial russo e as atividades das suas redes paramilitares no estrangeiro.

"A INPACT identificou táticas de recrutamento que visam jovens que aspiram a prosseguir estudos superiores no estrangeiro, particularmente em áreas apresentadas como estratégicas, e pessoas à procura de emprego", indicou.

De acordo com a investigação, o recrutamento ocorre de diversas formas: através de falsos anúncios de emprego - segurança privada, construção civil, indústria, trabalho agrícola - ; promessas de salários elevados e regularização de estatuto migratório; pela facilitação de vistos para a Rússia e transporte e pela utilização de redes informais, intermediários privados e agências de recrutamento.

Entre as falsas promessas, frisou, constam o pagamento inicial, em dinheiro, entre 2.000 e 30.000 dólares (cerca de 1.840 e 27.600 euros), após a assinatura do contrato, seguido de um salário mensal de cerca de 2.200-2.500 dólares (cerca de 1.860 e 2.100 euros), com seguro de saúde incluído, naturalização russa para cada candidato após três a seis meses de serviço e treino militar na Rússia seguindo o programa das forças de elite.

Relatos citados pela ONG indicam que muitos dos cidadãos recrutados foram forçados a assinar contratos militares em língua russa - que não conhecem - e rapidamente foram enviados para o terreno de combate, particularmente a frente de batalha, com "treino mínimo ou inexistente".

No documento refere-se que foram recrutadas na África do Sul 32 pessoas, na Argélia 56, em Angola duas, no Benim 15 e no Burundi 19.

Já nos Camarões o número sobe para 335, enquanto no Chade são dois, na Costa do Marfim 11 e o recorde pertence ao Egito com 361.

Seguindo a lista, a Etiópia conta com 10, o Gabão com um, a Gâmbia com 56, Gana com 234, a Guiné-Conacri com nove, a Líbia com seis e Madagáscar com um.

O Mali apresenta 51, seguido por Marrocos com 28, Mauritânia com três, Níger com nove e Nigéria com 36.

No Quénia foram contabilizados 45, na República Centro-Africana dois, na República Popular do Congo 15, no Ruanda um, no Senegal 14, na Serra Leoa nove e na Somália dois.

Por fim, o Sudão - que enfrenta uma guerra civil há quase três anos - registou 17, a Tanzânia nove, o Togo 18, a Tunísia sete, o Uganda sete, a Zâmbia dois e o Zimbabué encerra a contagem com seis.

A média de idades dos cidadãos recrutados é de 31 anos, especificou.

O relatório lista ainda os africanos que foram mortos nesta guerra, com a sua respetiva identificação e país de origem. Na lista não constam cidadãos africanos lusófonos.

A INPACT salientou que alguns Governos africanos tomaram medidas contra indivíduos e organizações envolvidas.

"Uma maior colaboração com os Governos para identificar casos e investigar redes de recrutamento ajudaria a agir contra as empresas e organizações envolvidas e a aumentar o risco para aqueles que continuam a operar", aconselhou.

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