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Sexta, 18 Setembro 2020 14:31

Angola denuncia campanha para minar relações com RDCongo com vídeo de mulher executada

O ministro do Interior angolano considerou que está em curso uma campanha para “minar e atrapalhar” as relações entre Angola e a República Democrática do Congo (RDCongo), negando o envolvimento de militares angolanos na morte de uma mulher congolesa.

Eugénio Laborinho, que falava no final da reunião da Comissão Mista de Defesa e Segurança Angola-RDCongo, na quarta-feira, reagia às informações postas a circular nas redes sociais sobre um vídeo em que militares executam uma mulher.

O governante angolano, citado hoje no Jornal de Angola, rejeitou qualquer ligação de soldados angolanos às imagens, sublinhando que o caso ocorreu em Moçambique e que tendo-se registado no território angolano as autoridades teriam tomado “as devidas medidas”.

O vídeo mostra uma mulher nua a ser perseguida e executada por homens fardados, supostamente numa estrada em Cabo Delgado (Moçambique). O Governo moçambicano rejeitou que tenham sido homens do seu Exército a praticar o assassínio, alegando que se trata de propaganda de terroristas que têm posto em sobressalto aquele território do norte do país, fazendo centenas de vítimas.

Sobre incidentes registados na fronteira, Eugénio Laborinho garantiu que estão ultrapassados, acrescentando que “houve um momento de tensão na ocasião, mas, com base no diálogo e nas relações de cooperação com a RDCongo, o governador da Lunda Norte estabeleceu contactos com o homólogo e o comandante da 3.ª região militar e as autoridades congolesas tomaram medidas disciplinares e criminais”.

“Tem havido esforços mútuos para prevenir que estas ocorrências se repitam”, sublinhou o ministro.

Eugénio Laborinho defendeu a necessidade urgente da reabilitação e reposição dos marcos fronteiriços ao longo da fronteira entre Angola e a RDCongo, questão que vem sendo analisada há mais de 10 anos.

Segundo o ministro, as condições climatéricas e geográficas, a localização dos postos e dificuldades nas vias de acesso aos postos fronteiriços, são os principais constrangimentos para a reposição dos marcos fronteiriços.

O governante referiu que um grupo de especialistas e peritos da comissão mista está incumbido de atualizar todas as informações para reposição das demarcações fronteiriças.

Em 2014, o então chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, defendeu que, em todos os pontos de fronteira onde há problemas do género, iriam recorrer às fronteiras traçadas pelos franceses e portugueses.

“Como há pontos que não estão muito claros, nos nossos mapas e do Congo, vamos encontrar uma solução que permita que os peritos dos dois países possam percorrer toda a fronteira e estabelecer uma linha aceite por todas as partes”, disse, na altura, Georges Chikoti, atual secretário-geral do grupo África, Caraíbas e Pacífico (ACP).

No que se refere à imigração ilegal, Eugénio Laborinho reconheceu que é um fenómeno difícil de erradicar definitivamente, contudo, pode ser minimizado com a adoção de medidas preventivas concretas.

Participaram do encontro o ministro do Interior de Angola e o seu homólogo da RDCongo, Gilbert Kankonde, além de outros ministros angolanos e do executivo e da delegação congolesa.

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