A nova força, designada Guarda Mineira, deverá mobilizar mais de 20.000 efetivos até 2028 nas 22 províncias mineiras do pais, segundo a Inspeção-Geral de Minas (IGM).
"O objetivo é sanear todo o setor mineiro, eliminando práticas contrárias à boa governação, transparência e rastreabilidade dos minerais", afirmou o inspetor-geral das Minas, Rafael Kabengele, em comunicado.
O programa "insere-se no âmbito das alianças estratégicas com os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos, e será levado a cabo em instalações de treino que já estão operacionais", afirmou a IGM.
O primeiro contingente, entre 2.500 e 3.000 agentes, será recrutado a partir de maio, "através de um processo rigoroso de seleção" e estará sujeito a um programa de formação intensiva de seis meses, devendo ser destacado até ao final do ano.
De acordo com o calendário da IGM, as regiões do Grande Katanga (sul) e Grande Oriental (nordeste) deverão estar totalmente cobertas até ao final de 2027, com extensão a todas as zonas mineiras até 2028.
A força será responsável pela segurança das explorações, transporte de minerais e substituição de militares atualmente destacados nas áreas mineiras.
O programa insere-se num contexto de crescente concorrência global pelo acesso a minerais estratégicos como o cobalto e o coltan, essenciais para a indústria tecnológica.
Em dezembro, os Estados Unidos patrocinaram um acordo entre a RDCongo e o Ruanda, que inclui uma vertente económica com acesso preferencial a recursos minerais, num cenário de tensão no leste do país, onde atua o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23).
Outro exemplo desta disputa é o Corredor do Lobito, infraestrutura apoiada por países ocidentais paгa facilitar o escoamento de minerais da RDCongo e da Zâmbia através de Angola, competindo com a influência da China na região.

