Segunda, 27 de Julho de 2026
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Segunda, 27 Julho 2026 20:26

“O MPLA manda em Angola e Higino Carneiro está a provar do próprio veneno” - Carlos Rosado de Carvalho

Luanda – O economista Carlos Rosado de Carvalho afirmou que o funcionamento interno do MPLA reflecte a forma como o país é governado, defendendo que não será possível consolidar uma democracia plena em Angola sem uma transformação interna do partido no poder.

As declarações foram feitas durante uma entrevista à Rádio MFM, em Luanda, na qual comentou o processo interno de escolha da liderança do MPLA e a exclusão da candidatura de Higino Carneiro ao IX Congresso Ordinário do partido.

Segundo o economista, o MPLA continua a exercer uma influência determinante sobre o Estado angolano.

"Quem manda em Angola é o MPLA. O regime angolano foi feito à imagem e semelhança do MPLA. É por isso que percebemos por que razão o país funciona desta forma", afirmou.

Na sua perspectiva, a democratização de Angola depende, em grande medida, da democratização interna do partido que governa o país desde a independência.

"Não podemos aspirar a ter uma democracia em Angola sem que o MPLA mude e sem que o MPLA se democratize", sustentou.

"Higino Carneiro está a provar do próprio veneno"

Durante a entrevista, Carlos Rosado de Carvalho considerou que Higino Carneiro enfrenta actualmente um sistema político-partidário que, na sua opinião, ajudou a construir ao longo da sua carreira.

"Higino Carneiro está a provar do próprio veneno que ele próprio ajudou a criar", declarou.

O economista recordou que o antigo governador exerceu diversas funções de responsabilidade dentro do MPLA e da administração pública, incluindo os cargos de governador provincial e primeiro secretário do partido em várias províncias.

Na sua leitura, essa experiência permitiu-lhe conhecer o funcionamento interno do sistema político.

"Higino Carneiro sabe exactamente como esse sistema funciona, porque fez parte dele", afirmou.

Ainda assim, reconheceu que qualquer cidadão tem o direito de alterar as suas posições políticas e de defender mudanças.

"As pessoas têm o direito de mudar de opinião. Ele tem todo o direito de se candidatar e até de contestar o sistema, mas deve assumir que também participou na sua construção", disse.

Mudança deve ser demonstrada através de resultados

Carlos Rosado de Carvalho comparou a possibilidade de mudança política ao princípio da reinserção social, defendendo que qualquer pessoa pode rever as suas posições e adoptar novos compromissos.

"Até os condenados que cumprem pena têm oportunidade de se reintegrar na sociedade. Naturalmente, as pessoas podem mudar", afirmou.

Contudo, acrescentou que essa mudança deve ser acompanhada de uma assunção clara das responsabilidades passadas e demonstrada através da prática.

O economista referiu ainda que Higino Carneiro tem defendido que, caso fosse eleito presidente do MPLA, procuraria promover maior união interna e reforçar a democracia no partido.

Apesar disso, Carlos Rosado de Carvalho considerou que essas intenções deverão ser avaliadas pelos resultados e não apenas pelas declarações.

"Nas democracias, o que conta são os resultados", concluiu.

As declarações do economista surgem numa altura em que decorre um intenso debate sobre o processo eleitoral interno do MPLA, após a exclusão da candidatura de Higino Carneiro, deixando João Lourenço como único candidato à liderança do partido no IX Congresso Ordinário.

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