Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Segunda, 19 Outubro 2020 23:17

Diplomacia e Academia: As Embaixadas Angolanas não têm bibliotecas

A falta de responsabilidade, de empenho, de qualificação, de competência e o excesso de negligência nas questões relevantes e pontuais dentro das nossas instituições diplomáticas é sinônimo de «pecado mortal».

Porque nada está bem: a organização interna é um desastre, tecnocracia por parte dos diplomatas não existe, dinamismo também não existe, a não ser para realizações de festas, convívios e passos de danças: Kizomba, Semba, Kuduro e tudo mais: falta pouco para o dia 11 de Novembro, onde as Embaixadas angolanas transformam-se em salões de festas milionárias (as vezes alugam espaços caros para tais festas), nessa fase vários milhões de dólares são desviados dos cofres do Estado.

As Embaixadas angolanas além do seu mau funcionamento (que é algo muito comum no seu dia a dia), dá-se a falta de Bibliotecas. As nossas Embaixadas não têm sequer materiais simples e básicos. Vários estudantes nacionais não conseguem ter acesso há certas fontes bibliográficas históricas e fontes actuais sobre o nosso País, especificamente fontes ligadas à áreas da Economia, da Política, do procedimento Parlamentar, sistema judiciário Direito constitucional, Direito administrativo, Administração do Estado, tu vais pra lá e não encontras nenhum material físico e concreto, capaz de te fazer entender essas coisas, muito menos encontrarás referências que te possam explicar exactamente como funciona o sistema político-diplomática angolano, nada disso tu encontras, as nossas Embaixadas são vazias do ponto de vista de pesquisas científicas.

Mas também como é que as nossas Missões diplomáticas poderão ter Bibliotecas se a maior parte dos nossos diplomatas não investigam? Se muitos deles estudaram pouco e estudam pouco? Se nem de longe sabem o que é uma investigação científica? Se não participam de debates sobre geopolítica, sobre economia, debates sobre questões da dinâmica internacional? Como seria possível preocuparem-se em criar verdadeiras Bibliotecas dentro das Embaixadas se os dinheiros para esse fim são usados para interesses pessoais?

Esses nossos diplomatas (a maioria) infelizmente lêm pouco, não dedicam-se ao Mundo do saber, e perante o público não conseguem sequer fazer em condições um discurso simples sem ler, e na posição deles a linguagem que se pede é uma linguagem diplomática, ou seja articulações, princípios e técnicas da comunicação político-diplomática.

Diplomacia e Academia caminham juntos, um diplomata sem preparação diplomática é um desastre dentro da Diplomacia de um Estado. Muitos dos nossos diplomatas são: ou membros do SINSE (Serviços de Inteligência e Segurança do Estado), membros do Ministério da Defesa, do SISM (Serviços de Inteligência e Segurança Militar) ou membros do SIE (Serviços de Inteligência Externa), que na prática funcionam em plena sintonia como se fosse uma coisa só. E como praticam muita espionagem contra os seus próprios cidadãos, pensam que não precisam mais de ler e aperfeçoar-se cientificamente e academicamente, são diplomatas mas usam linguagens inapropriadas, nota-se falta de domínio diplomático e que precisam aprender regras sobre linguagens diplomáticas, é como tudo, nada é sem regras, a Diplomacia tem regras, assim como qualquer outra ciência ou arte.

Eu já me tinha proposto em dar um curso intensivo de diplomacia duração de 1 a 3 meses aos nossos irmãos diplomatas, sobre alguns módulos importantes, tais quais: Comunicação Político-Diplomática; Diplomacia Econômica; Projectação; Direito Internacional; Relações Públicas; Procedimentos Burocráticos; Diplomacia e Espionagem, entre outros módulos relevantes. Simplesmente poucos diplomatas manifestaram vontade em participar do curso, mas esses mesmos diplomatas depois desapareceram sem aviso prévio.

Diplomacia é pra quem está disposto a aprender dia a pós dia, Diplomacia não é tipo cálculos matemáticos que são fixos: 1+1=2; 7+7=14, a Diplomacia não é assim, na Diplomacia as coisas mudam em base as circunstâncias, por isso o verdadeiro diplomata é aquele que está constantemente a ler, a investigar, a estudar, a fazer cursos e formações continuadas, é aquele que faz debates com gentes inteligentes, alguém que participa de vários encontros do saber, seminários, conferências, convénios, etc.

Seja como for, toda essa problemática de termos diplomatas mal preparados, funcionários irresponsáveis e desordem dentro das Embaixadas angolanas, é tudo culpa do MIREX, é o MIREX que não consegue gerir e fazer eficazmente o seu trabalho, o problema aqui é de gestão e de boa administração do Ministério no seu todo, ou seja na área dos Recursos Humanos (os agentes diplomáticos devem antes de tudo ser qualificados e competentes). A área dos Recursos Humanos do MIREX é onde está um dos grandes problemas e males da nossa diplomacia, porque em vez de enviarem Embaixadores e diplomatas competentes que entendam verdadeiramente de diplomacia, fazem tudo ao contrário: enviam os diplomatas por conveniência, por esquemas e tráficos de influências, o resultado final é isso que agente vê: mau funcionamento das nossas embaixadas e consulados.

Humildemente peço aos nossos embaixadores angolanos para criarem Bibliotecas dentro das Embaixadas, falo de verdadeiras Bibliotecas, de Bibliotecas que, quando o cidadão angolano decidir ir por lá poderá pesquisar normalmente questões sobre o nosso País e não só… Essa responsabilidade em particular é dos adidos culturais. Senhores adidos da cultura é hora de começarem a trabalhar, por favor trabalhem mais, cultura não é só música, teatro ou dança (Kizomba, Tarrachinha, Semba, Samba). Ler, estudar, pesquisar, debater, também é cultura, na verdade vale muito mais isso do que perder tempo em maratonas, por isso aqui vai o meu conselho pontual aos adidos da cultura das Embaixadas Angolanas: criem Bibliotecas de verdade nas nossas instituições diplomáticas.

Ficarei nos bastidores (atento como sempre) esperando que isso se concretize, contarei os dias a partir de hoje, podem me encarar como um fiscalizador, porque irei mesmo fiscalizar!

O.B.S: Eu sou o noivo e o MIREX é a noiva, mas preciso decidir se lhe levo ou não ao altar! Lhe levarei ao altar se eu estiver no comando. O MIREX precisa de jovens intelectuais com visão político-diplomática e visão projectual, só desse jeito o País será catapultado diplomaticamente.

«Eu e a Diplomacia a Diplomacia e Eu»

Por Leonardo Quarenta

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

Mestrado em Relações Internacionais e Diplomacia

Master em Direitos Humanos e Competências Internacionais

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