O superintendente-chefe falava à margem de um 'workshop' sobre "Abordagem ao Crime Facilitado por Melos Cibernéticos e os Ciberataques em Angola", que decorre até sexta-feira, em Luanda, e que visa capacitar investigadores criminais e magistrados do Ministério Público em matéria de cibercrime, com o apoio de especialistas da Policia Judiciária (PJ) portuguesa.
Segundo Manuel Halalwa, o objetivo é dotar os investigadores de "melhores técnicas de abordagem ao cibercrime", tendo em conta a "grande volatilidade da apreensão e da compreensão da prova digital", permitindo a responsabilização dos autores pelos crimes ocorridos no espaço digital.
O responsável salientou que muitos crimes são praticados fora do território nacional, mas têm impacto direto no espaço cibernético angolano, apontando como principais preocupações as burlas informáticas, o acesso ilegítimo a sistemas de informação e a clonagem de perfis em plataformas como Facebook e WhatsApp.
Destacou ainda a importância do contacto direto com a Meta-empresa dos Estados Unidos que detém aquelas redes sociais - sublinhando que a proximidade institucional permitirá que crimes cometidos através destas plataformas sejam "mais facilmente abordados".
José Miguel Amador, investigador da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Policia Judiciária portuguesa, alertou que "nenhum outro fenómeno criminal hoje evolui ao ritmo e à velocidade do cibercrime", defendendo que as autoridades devem estar preparadas para dar respostas eficazes.
O especialista sublinhou a importância da partilha de experiências práticas, nomeadamente na recolha e tratamento da prova digital, referindo que fenómenos como as criptomoedas e os criptoativos fazem hoje parte dos desafios da investigação criminal. Em Portugal, disse, a burla informática continua a ser o crime mais frequente neste domínio, a par de ataques a infraestruturas críticas e serviços essenciais do Estado.
Por seu lado, o chefe-adjunto da missão da Embaixada dos Estados Unidos em Angola, Noah Zaring, afirmou que os métodos dos criminosos "evoluem ao mesmo ritmo que a tecnologia", defendendo o reforço das capacidades operacionais e da cooperação internacional.
O diplomata recordou que o Governo norte-americano "fornece financiamento, aproximadamente dois milhões de dólares em todo o mundo" para apoiar outros países no combate ao cibercrime, sublinhando que instituições fortes na aplicação da lei são essenciais para garantir ambientes seguros e atrativos para o investimento.
Já a representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em Angola, Manuela Carneiro, considerou que ações de formação deste tipo são fundamentais para "reforçar a cooperação e a partilha de informações e experiências".
"Enfrentar o cibercrime não é apenas uma questão de segurança, mas também de desenvolvimento económico e de soberania nacional", afirmou, defendendo respostas eficazes que permitam a Angola contribuir para a segurança regional, nacional e global.
A iniciativa reúne especialistas do SIC, da Procuradoria-Geral da República, da Polícia Judiciária portuguesa e do UNODC, com vista ao reforço da cooperação internacional e das capacidades operacionais no combate ao cibercrime e à criminalidade transnacional..

