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Sexta, 03 Fevereiro 2023 14:31

Isabel dos Santos: procurada pela Interpol, encurralada no Dubai

Uma investigação do site internacional Bellingcat concluiu que Isabel dos Santos deixou de viajar a partir de 18 de novembro, dia em que é noticiada a emissão de um alerta vermelho para a sua detenção, a pedido das autoridades de Angola.

A SIC e o Expresso tiveram acesso em exclusivo ao trabalho da organização, especializada em verificar dados em fontes abertas. Recorrendo a várias técnicas forenses, incluindo a geolocalização de fotografias e vídeos e a comparação com imagens disponíveis na internet, a Bellingcat concluiu que Isabel dos Santos tem estado em permanência no Dubai, onde é proprietária de um luxuoso apartamento num exclusivo condomínio Bulgari, construído numa ilha artificial.

Nos últimos dois meses e meio, a empresária angolana, que também tem nacionalidade russa, saiu apenas uma única vez dos Emirados Árabes Unidos, a 13 de dezembro, para assistir ao Argentina- Croácia, no Mundial de futebol do Qatar.

Na entrevista feito pelo site Bellingcat, Isabel dos dos Santos foi perguntado "Onde você está atualmente?" ela respondeu, após uma breve hesitação, “estou em casa”.

Ela repetiu esta resposta a todas as perguntas sobre sua localização.

Não ficou totalmente claro onde ficava a sua casa - empresária tem várias propriedades, incluindo em Londres, Lisboa e Dubai - recentemente, ela passou muito tempo em Dubai e disse ao The New York Times em novembro que estava morando em Londres .

Recorde-se que a Interpol emitiu um mandado de captura internacional para extradição em nome de Isabel dos Santos, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, a 3 de novembro e o Presidente João Lourenço esteve nos EAU no mês passado, onde assinou vários acordos, mas a situação de Isabel dos Santos não foi mencionada em qualquer declaração sobre a visita.

A empresária Isabel dos Santos disse numa entrevista que se sente “perseguida politicamente” pelo atual Presidente de Angola, João Lourenço, que acusa ainda de não respeitar a separação de poderes e condicionar a justiça.

“Não há duvidas que estamos perante um caso de perseguição política. Olhando para Angola, e para o nosso sistema jurídico, é fácil entender que o Procurador-Geral da República recebe ordens directamente do Presidente, ou seja, ao contrário de alguns países”, disse.

“O procurador, general Pitta Grós, recebe ordens directamente do general Lourenço, do Presidente João Lourenço”, acusou, acrescentando que o líder angolano está a “usar a lei para fazer guerra, a utilizar as instituições estatais, públicas, a utilizar os próprios tribunais e utilizar a lei para combater um opositor. Um opositor económico e um opositor político”, frisou.

Essa, afirma, é a razão para o que considera ser a “perseguição política” que alega estar a ser alvo, com o objectivo, designadamente, de impedir que “outras vozes entrem na política em Angola”.

Isabel dos Santos descreveu o Luanda Leaks que foi uma manipulação grosseira, foi uma encomenda do Estado angolano que infelizmente decidiu ter-me a mim como alvo por razões políticas e por perseguição política. E utilizou e manipulou jornalistas, colocando nas mãos dos jornalistas informações que não eram verdadeiras, convencendo-os de factos que não eram reais, e os jornalistas efetivamente criaram uma série de alegações nos jornais.

Entrevista feito pelo DW Africa  foi perguntado se poderia voltar a investir em Angola? respondeu que Angola precisa de um Governo que esteja à altura. O partido que está no poder não é o partido certo para gerir as expetativas dos angolanos. É o que hoje acredito. O MPLA tornou-se um partido corrupto e desrespeitador das leis. Enquanto tivermos esse partido no poder, não haverá investimento em Angola.

“A polícia de Dubai e o Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos foram contactados pelo site internacional Bellingcat, até à publicação desta materia não responderam”.

De momento, não há qualquer tratado de extradição entre os EAU e Angola.

De acordo com o documento, Isabel dos Santos é procurada por suspeitas dos "crimes de peculato, fraude qualificada, participação ilegal em negócios, associação criminosa e tráfico de influência, lavagem de dinheiro", arriscando uma pena máxima de 12 anos de prisão. C/SIC

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