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Segunda, 14 Junho 2021 15:22

Auditor duvida que Recredit recupere crédito malparado do BPC

A Crowe é de opinião que não é possível aferir, com rigor, o valor que será recuperado dos activos tóxicos comprados ao banco público por 57 mil milhões Kz. Auditor de origem americana coloca ainda reservas a um negócio com o BNI envolvendo imóveis.

A Recredit levou duas reservas da Crowe às suas contas de 2020, uma das quais relacionada com a recuperação do crédito malparado comprado ao Banco de Poupança e Crédito (BPC) por 57 mil milhões Kz, de acordo com o relatório do auditor independente que levanta dúvidas sobre um negócio celebrado com o Banco de Negócios Internacional (BNI).

“Não obstante, o esforço realizado pela direcção de recuperação de créditos (que já resultou na recuperação de cerca de 3,8 mil milhões Kz), o processo ainda está em curso, sendo expectável que este não esteja concluído tão cedo, dada a complexidade e antiguidade dos mútuos incluídos na referida carteira (..), por conseguinte, não nos é igualmente possível concluir quanto à recuperabilidade da carteira adquirida ao BPC”, lê-se na opinião da Crowe que menciona a nota 6 das notas anexas às contas.

A Crowe é de opinião que não é possível a Recredit aferir, com rigor, o valor que será recuperado da carteira adquirida ao BPC, nem divulgar a informação obrigatória requerida pelas Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), que é decorrente da insuficiência de informação, bem como outras divulgações associadas a esta situação.

A 31 de Março de 2020, a Recredit assinou com o BPC um contrato de cedência de créditos em que o banco público cedeu ao banco mau 80% da sua carteira de crédito com o valor contabilístico de 951 mil milhões Kz. Os créditos foram vendidos com um desconto de 94%, ou seja a Recredit pagou apenas 57 mil milhões Kz liquidados come obrigações do tesouro indexadas.

Este valor foi apurado com base numa avaliação à qualidade dos activos, sobre o stock de crédito, com referência a 31 de Dezembro de 2018, de acordo com a metodologia definida pelo regulador e realizada por uma empresa consultora independente.

Desde o segundo semestre de 2020 que a Recredit tem recebido a documentação que suporta os mútuos por parte do BPC, processo que ainda está em curso no âmbito do contrato de cedência de créditos.

Adicionalmente, a direcção de recuperação de créditos da Recredit contactou a maioria dos mutuários, sobretudo, os mutuários com saldos mais significativos, com vista a aferir a sua capacidade em liquidarem os valores em dívida.

Em Maio último, no final da primeira Reunião do Comité de Estratégia de Monitoramento (CEM) da Recredit, o presidente do conselho de administração, Walter Barros, revelou que, em 12 meses, a instituição tinha recuperado 7,8 mil milhões Kz do malparado do BPC, esperando resgatar dos devedores 19 mil milhões Kz em 2021.

Walter Barros considerou que o valor recuperado “está aquém” dos objectivos colocados, devido às incertezas económicas no ano passado geradas pela pandemia da COVID-19. “Consideramos que este valor de 7,8 mil milhões Kz fica aquém dos objectivos colocados à Recredit, mas sabemos que 2020 foi desafiante, com muitas incertezas económicas decorrentes da pandemia que o País e o mundo sofrem”, afirmou.

No que concerne aos resultados líquidos, a Recredit passou de lucros de 105 mil milhões Kz, em 2019 para prejuízos de 237 mil milhões em 2020.

Pagou mas não é dona


Outra reserva levantada pela auditora de origem americana é o facto de existir um saldo resultante da celebração de um contrato de aquisição de activos de crédito representados sob forma de bens imóveis com o Banco de Negócios Internacional (BNI) realizado em Julho de 2017 que ascendeu os 24 mil milhões Kz.

De acordo com a Crowe que cita a nota 10 anexa às demonstrações financeiras, o referido contrato determinou que a Recredit recebesse a propriedade de três imóveis localizados em Luanda, por contrapartida da entrega de obrigações do tesouro não indexadas.

“Porém, até a data deste relatório, a Recredit ainda não dispõe da posse formal destes imóveis, os quais apenas estão registados provisoriamente em seu nome. Assim, como a Recredit ainda não pode dispor desses bens, não nos é possível aferir sobre a recuperabilidade deste activo”, justifica a Crowe.

que “à luz do contrato em pagamento em vigor, é nossa percepção que, só por situação, não fundamentada materialmente, não se pode concluir que o BNI não cumprirá com os termos do referido contrato”.

“Assim sendo, mantemos que a titularidade (ainda que provisória) se constitui como matéria administrativo-burocrática, e, portanto, não temos indícios financeiros e materialmente relevantes que conduzam para a definitiva irrecuperabilidade dos activos em causa”, afirma.

O Mercado contactou a Recredit pedindo as notas às demonstrações financeiras do ano de 2020 mas a instituição não respondeu até o fecho desta edição. MERCADO

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