Quinta, 06 de Outubro de 2022
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Sábado, 13 Agosto 2022 11:13

Novos eleitores divergem sobre transparência e lisura do processo e pedem “voto consciente”

Jovens que vão votar pela primeira vez nas eleições angolanas de 24 de agosto divergem em relação à transparência do sufrágio e pedem aos mais velhos que votem "com certeza e sem dúvida".

Jovens angolanos que vão votar pela primeira vez nas eleições de 24 de agosto divergem em relação à transparência do sufrágio, enaltecem a campanha eleitoral e pedem aos mais velhos que votem "com certeza e sem dúvida".

Com as ruas de Luanda, capital angolana, já engalanadas com as cores das oito forças políticas concorrentes às quinto eleições do país, jovens contactados pela Lusa, que exercem pela primeira vez o direito de voto, dizem estar preparados.

"Espero umas eleições boas e corretas, as eleições anteriores tiveram muitos tumultos e esperamos que nestas eleições as pessoas votem no mesmo dia, e não mais o que aconteceu nas eleições passadas", disse hoje à Lusa Damião Capoco, de 21 anos.

Desempregado e circulando pela marginal de Luanda a procura de emprego, o jovem diz ter noção da importância do seu voto: "É que vou dar uma ajuda ao país, vou mostrar o lado mais certo que o país tem que seguir".

As forças políticas concorrentes às eleições - sete partidos e uma coligação - estão em campanha eleitoral pelo país, procurando mobilizar os eleitores, enquanto Damião Capoco se mostra cético quanto à transparência do processo eleitoral.

"Não acho (que as eleições serão justas e transparentes), porque o partido no poder, MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), está sempre a sabotar", afirmou.

O jovem criticou o reduzido tempo de antena dos partidos políticos nos meios de comunicação social, particularizando a TV Zimbo, televisão privada que passou para as mãos do Estado angolano, por emitir um congresso da UNITA, maior partido na oposição, com "inúmeras falhas".

"Isso para mim é muito preocupante, porque isso afeta todos nós porque vemos um partido que é mau e vemos um bom, quando uma cadeia televisiva tem de jogar no que é certo", apontou.

Eduardo Rafael, 18 anos, vai também votar pela primeira vez no dia 24 deste mês. Sabe da importância do seu voto para a vida sociopolítica do país e acredita na justeza e transparência das eleições.

A campanha eleitoral "está a correr muito bem e espero que continue assim, a importância do voto é para que o cidadão troque de presidente ou aquele candidato que ele gosta", afirmou em declarações à Lusa.

"Mudanças" nos setores da educação e distribuição de energia elétrica é o que augura o jovem varredor de rua que pede aos angolanos como ele um "voto consciente".

"Jovens como eu, que vão votar pela primeira vez, espero que votem com certeza, votem na certeza, não votem na dúvida, votem onde o coração mandar", exortou ainda.

Entre os 14 milhões de eleitores que devem acorrer às urnas nas quintas eleições gerais angolanas estará também Eduardo Vatileny, 26 anos, que pela primeira vez vai exercer o voto na sua zona de residência, bairro da Paz, distrito urbano do Sambizanga.

O estudante confia na lisura e transparência do processo, à luz do que vai vendo e ouvindo nos meios de comunicação social, pelo que vai votar pela primeira vez "para escolher o novo candidato que vai dirigir o futuro de Angola".

"A campanha está a decorrer bem, o voto é importante para cada cidadão para escolher o novo líder e os deputados à Assembleia Nacional (parlamento angolano).

As quintas eleições gerais da história política de Angola estão marcadas para 24 de agosto de 2022 e neste momento a campanha eleitoral está espalhada pelas 18 províncias angolanas.

Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido na oposição, Convergência Ampla de Salvação de Angola -- Coligação Eleitoral (CASA-CE), Partido de Renovação Social (PRS) e a Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA) são os concorrentes .

Na corrida eleitoral estão também a Aliança Patriótica Nacional (APN), o Partido Humanista de Angola (PHA) e o Partido Nacional para a Justiça em Angola (P-Njango), os dois últimos aprovados este ano pelo Tribunal Constitucional.

A campanha eleitoral, que se iniciou em 24 de julho, decorre até 22 de agosto.

O Presidente será o cabeça de lista do partido mais votado pelo círculo nacional. O atual chefe de Estado tenta o seu segundo mandato.

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