Quarta, 20 de Outubro de 2021
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Terça, 14 Setembro 2021 22:57

Os partidos políticos angolanos e sua pouca influência internacional diplomática: Como chegar ao Poder?

Em política o fim último dos partidos políticos é alcançar o poder para depois gesti-lo em base a sua visão, programa e projecto político, mas o poder não se consegue de qualquer maneira, além do apoio político e da massa popular, o poder depende principalmente de factores económicos e estratégicos.

Em política a vitória se alcança muito antes que os cidadãos vão a “votar”, porque o verdadeiro trabalho político se faz nos “bastidores”, as eleições servem apenas para consumar e demonstrar aquilo que foi o trabalho árduo do partido ou do concorrente durante todo o processo, é assim que chega ao poder.

Para os políticos, civis, partidos políticos, intelectuais e académicos, que seguem as “Teorias Elitistas – Teorias do Poder (Pareto, Mosca, Michels)”, percebem e sabem que o poder efectivo (poder como tal) se decide “fora das urnas”, ou seja não é o voto em si do cidadão que te fará chegar ao poder, mas sim as estretégias (lobbies, acordos, influências, concessões), criadas por ti antes das eleições serem realizadas.

 Um candidato pode ser o mais carismtátio e amado do povo, mas se fizer mal o trabalho que antescedem todo o processo eleitoral e se não souber ser estratega, no final perderá o poder mesmo tendo quase tudo ao seu favor. Assim é a política, o candidato precisa estar atento 24/24 horas, e manter a sua postura político-estratégica até ao último minuto do fechamanento da última urna de voto, é desse jeito que se chega ao poder.

Muitos candidatos perdem o poder pelo facto de, o grande foco que tinham inicialmente a perdem durante o percurso das suas campanhas, e quando tentam recuperar o foco que tinham já é tarde, porque novos autores já tomaram o seu lugar. Em política as brechas são perigosas se é você que está em vantagem, porque se dás um passo em falso ou se sais só por um instante daquela tua posição ou espaço de vantagem nem que for apenas por uns segundos, um outro ocupará aquela posição ou espaço. Em política todo e qualquer espaço é preenchido sempre por alguém ou por alguma coisa. 

O foco do candidato deve ser sempre muito alto. O foco incial de nível alto, deve depois ser superado por um foco ainda mais estratégico e dinâmico durante o percurso das campanhas, e no final o candadito deve estar mil vezes mais focado e forte que nem um “elefante”, pronto a vencer qualquer adversário, essa é a verdadeira política (pragmatismo político), e é assim que se chega ao poder: usando estratégias eficientes.

Os partidos políticos angolanos ainda não descobriram o segredo legítimo da conquista do poder, ou como chegar ao poder real do Estado. Fala-se o tempo todo em  fraudes, em resultados injustos e manipulações das eleições. Essas coisas têm acontecido, mas essas são as vias não democráticas para a manutenção e conquista do poder, tal igual os golpes de Estado, insurreição, sabotagem, rebelião, revolução popular etc, mas não é disso que se trata aqui, a questão aqui é que é visível a pouca influência internacional e diplomática por parte dos nossos partidos políticos.

Hoje o poder é 70% diplomacia (há diplomatas que dizem 80%), quando se diz que o poder se conquista nos “bastidores”, esse bastidor é a dinâmica diplomática a actuar fortemente; na verdade é a diplomacia que permite os partidos políticos e seus candidatos a conseguirem apoios económicos e políticos, assistências protocolares, lobbies, divulgação dos seus programas e projectos, maior acesso e influências nas mídias estrangeiras, é disso que os partidos angolanos precisam fazer sobretudo os partidos da oposição, devem sair mais e tentar ganhar mais apoio externo.

Os partidos políticos ao fazerem acordos à vantagens recíproca com Países influentes e estratégicos da comunidade internacional, o caminho em direcção o poder fica mais próximo, e o povo no momento das eleições a votarão em massa, não porque és o melhor candidato ou por seres o partido mais forte, mas porque o povo foi trabalhado e influenciado politicamente a seu favor.

Em política podes não gostar do candidato mas poderás ser “neutralizado”, convecido e hipnotizado a votar naquele mesmo candidato que antes não gostavas. Existem técnicas pra isso, as vezes tudo que o chefe de campanha ou o especialista eleitoral deve fazer é trabalhar na “emoção popular”, jogar com aquilo que o povo sente, pensa, quer e deseja, o segredo está aí, o voto gira em volta disso, dominando a situação, o candidato ou o partido em causa chega sem complexidades ao poder.

No caso dos partidos políticos angolanos, tendo em conta as circunstâncias sociais do Pais, questões como: ausência de saneamento básico, desemprego, hospitais públicos não funcionáveis, fome, crise económica, famílias desalojadas, jovens e crianças fora do sistema escolástico Nacional, esses problemas sócio-politicos dão vantagens enormes à oposição sobre o MPLA na corrida ao poder em 2022, porque em política os factos têm muito peso na hora do voto, mas isso basta para se chegar ao poder? Claro que não, apenas isso não é suficiente para se alcançar o poder, o poder do Estado exige mais do que isso para obtê-la.

É aqui onde entram as estratégias, a oposição deve usar de forma inteligente a actual situação caótica que o País vive e transformá-la em combustível de apoio e de voto a seu favor, mas volto a repitir o verdadeiro poder se conquista nos “bastidores”, se deve ter isso em mente, em política a vitória está nos mínimos detalhes, e os detalhes na política é tipo fazer um curso de engenharia mecânica, nada deve estar fora dos eixos, tudo deve estar 100% alinhado e enquadrado, é assim que se chega ao poder.

Há pouca diplomacia dentro dos partidos políticos angolanos, e esses mesmos partidos dão pouca formação diplomática aos seus militantes. Pessoalmente nunca ouvi nenhum dos meus amigos que pertencem aos partidos dizer que têm dito formação diplomática, na verdade muitos deles têm aprendido comigo sobre diplomacia.

Em Angola se leva tudo no sentido de “partidarismo”, se criticas o partido A és conotado como apoiador ou simpatizante do partido B e vice-versa, ainda estamos longe de fazermos política de forma livre e apartidária, e é normal cada um ter uma opinião diferente, mesmo os partidos diferenciam-sem entre si pela sua ideologia, programa e características, tudo isso faz parte da democracia, e em democracia também é normal a alternância, se o partido A não trabalhou bem durante o período em que esteve no poder, é normal que depois venha a ser substituído por um outro partido, não há nada de errado nisso são as regras democráticas.

Os nossos partidos políticos em Angola precisam dar-se mais abertura, são ainda meio fechados; precisam sim concentrar-se na política interna do País mas também devem procurar ganhar influência internacional e diplomática, esse é um dos grandes fracassos dos partidos angolanos, no estrangeiro não são conhecidos.

A TRIPARTIDA (Frente Patriótica Unida – FPU) mais ou menos têm tentado fazer isso, têm tentado ganhar apoio internacional, tendo em conta àquilo que é seu projecto para 2022 chegar ao poder e implementar um governo inclusivo, os responsáveis do projecto têm procurado dar a conhecer à comunidade internacional as irregularidades que acontecem em Angola. Mas na minha opinião, esse trabalho diplomático da FPU deve ser mais amplo e feito com mais autores, de modo a ganharem mais influências e apoios de Países internacionalmente influentes e estratégicos.

A diplomacia é um dos poderes mais fortes da época moderna e contemporânea, hoje não há nada em que não seja necessário directa ou indirectamente o uso da diplomacia, portanto os partidos políticos angolanos precisam apostar mais, exercitar mais e aprender mais sobre técnicas diplomáticas em todos os seus âmbitos, sobretudo na questão da Administração do poder do Estado e programas de políticas públicas.

N.T: O Projecto do MIREX em inserir quadros angolanos nas organizações internacionais foi um fracasso total

Eu e a Diplomacia, a Diplomacia e Eu

Elite Intelectual Diplomática

Por Leonardo Quarenta – O Diplomata

PhD em Direito Constitucional e Internacional

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