Domingo, 25 de Outubro de 2020
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Domingo, 02 Agosto 2020 21:38

Subida de preços de bens de primeira necessidade «abala» mais carentes

Os preços dos principais produtos que integram a cesta básica continuam elevados e cada vez mais desajustados aos actuais salários auferidos pelos consumidores, sobretudo os trabalhadores que auferem uma renda mensal não acima das três categorias do salário mínimo nacional, apurou o NJ.

Da ronda efectuada por este semanário, constatou-se que, há três anos, a maioria do público consumidor da classe menos favorecida conseguia garantir a sobrevivência mensal com escassos 100 dólares, na compra de alimentos, ou o equivalente a 17 mil kwanzas de então.

Actualmente, a realidade é bem diferente, ou seja, a prática mostra que a mesma quantidade de bens só é possível adquirir com pouco mais de 90 mil kwanzas.

Em Angola, o salário mínimo nacional está estabelecido em três categorias, sendo que, na classe ligada à agricultura, está fixado em 21.454 kwanzas, no ramo associado aos trabalhadores do comércio e da indústria transformadora é de 26.817 kwanzas, enquanto para os do comércio e da indústria extractiva está fixado em 32.181 kwanzas.

Os cidadãos ouvidos pelo Novo Jornal, que auferem renda mensal nesta ordem, dizem que, no actual período, pouco ou nada se faz com os referidos montantes, já que, para adquirirem os produtos essenciais, teriam de gastar mensalmente 90 mil kwanzas.

Em peças jornalísticas anteriores divulgadas pelo NJ, sobre os custos dos produtos que integram a cesta básica, registava-se que a tendência altista dos preços seguia imparável de um tempo a esta parte, sob o olhar silencioso das autoridades fiscalizadoras.

Prova disso, nas diferentes superfícies comerciais da capital angolana, com incidência para os supermercados, nesta época do mês, regista-se fraca frequência de compradores, a julgar pelos preços altos praticados, segundo clientes contactados por este semanário.

Exemplo disso, no supermercado Kero, localizado na Avenida dos Combatentes, o quilograma de arroz é vendido a 600 kwanzas e o litro de óleo vegetal custa 950 Kz. No supermercado Jumbo, por sua vez, o quilograma de açúcar está fixado em 510 kwanzas, enquanto o de arroz é vendido a 740 Kz e o litro de óleo vegetal é comercializado a 600 Kz.

Já no supermercado Maxi, da Maianga, o quilograma de açúcar custa 479 kwanzas, o litro de óleo 700 Kz, e 671 kwanzas para o quilograma de arroz.

Enquanto isso, os bens perecíveis viram, nos últimos dias, agravados os preços, com as carnes, peixes e enchidos quase que duplicaram, contrariando o poder aquisitivo dos citadinos que não cessam de reclamar o galopante custo de vida.

A título elucidativo, o quilograma de frango congelado é adquirido no mercado do S. Paulo a 2.500 kwanzas, quando, em Junho, era vendido a 1.200 Kz. O quilo de carne, que em Abril custava três mil Kz, subiu agora para 4.000.

No entanto, face ao fraco poder aquisitivo do imenso público, este parece ter institucionalizado a partilha na compra dos referidos bens, entre duas ou mais pessoas, que, na busca de um mesmo produto, se associam e repartem entre si, a posterior, visando atenuar os gastos e assegurar maior diversidade de bens. NJ

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