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Quinta, 15 Fevereiro 2024 21:54

Isabel dos Santos diz que queixa no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem já foi aceite

Filha de José Eduardo dos Santos diz que não tem acesso ao processo que determinou o arresto dos seus bens. E assume que morte do marido permanece "um mistério".

No princípio ainda dividia-se entre as várias mansões que possui, sempre fez questão que os filhos estudassem no Reino Unido, visitava a Rússia com frequência e gostava dos luxos do Dubai. Mas há quatro anos que a filha mais velha de José Eduardo dos Santos está a braços com a justiça e viu várias das suas contas serem congeladas. Agora, confessa estar a viver com ajuda dos amigos nos Emirados Árabes Unidos.

Isabel dos Santos diz que avançou com uma queixa para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e confirmou que a mesma já foi aceite. Em entrevista ao Expresso, a filha de José Eduardo dos Santos disse não ter acesso ao processo relativo ao arresto dos seus bens, fruto do “segredo de justiça” e que, por isso, não pode defender-se.

“Portugal diz que o arresto e congelamento dos meus bens foi feito a pedido de Angola. No âmbito da CPLP, o pedido foi executado sem qualquer avaliação por parte de Portugal. E eu nem sei do que se argumenta nos inquéritos abertos pelo DCIAP”, defendeu.

Na mesma entrevista, Isabel dos Santos falou ainda do seu marido, Sindika Dokolo, que morreu em 2020, aos 48 anos, no Dubai. Para Isabel dos Santos, o acidente que vitimou Sindika Dokolo permanece “um mistério” e “a morte não ocorreu definitivamente em circunstâncias normais”. “Acho que nunca saberei ao certo o que aconteceu e tenho de aceitar isso”, acrescentou.

O empresário congolês, com quem Isabel teve quatro filhos, mergulhava há 15 anos várias vezes por semana. "Ele estava em grande forma, era um grande desportista e costumava mergulhar duas ou três vezes por semana. Por isso, de certeza que aconteceu algo que não era suposto acontecer", afirmou Isabel numa entrevista ao 'Expresso'.

"Houve uma altura em que fomos seguidos pelos serviços secretos angolanos. A nossa família foi seguida. Tinham pessoas destacadas. Foi uma época assustadora para nós, enquanto família", declarou.

Na entrevista, que vai ser publicada na revista do Expresso desta semana, a empresária angolana, descreve-o a honestidade e a simplicidade do pai, José Eduardo dos Santos, como um “homem honesto”, que não ligava a luxos. Pelo contrário, era "motivado apenas pela ideologia e pelas lutas de libertação em África".

"Não ligava a casas ou a luxos. Não acreditava nisso. Não era o estilo dele. Não tinha jatos e casarões. Andava de ténis, vestia polos e o mesmo fato de treino da Adidas três dias por semana. Até 2004 viveu numa casa pequena de três quartos. Foi praticamente levado à força para o palácio presidencial. E mesmo aí não gostava dos quartos oficiais e da suíte presidencial. Não se sentia confortável. Preferia os quartos mais pequenos no andar superior", conta.

Nota ainda que José Eduardo dos Santos teve um papel ativo na independência da Namíbia e na libertação de Nelson Mandela, na África do Sul. Contudo, destaca como principal feito: o fim da guerra de Angola, em 2002.

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