Domingo, 01 de Março de 2026
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Domingo, 01 Março 2026 11:37

Hamas, Hezbollah e huthis condenam morte de Khamenei e juram vingança

O Hamas condenou hoje o "crime hediondo" do ataque que matou o ayatollah Ali Khamenei, 86 anos, guia supremo iraniano e apoiante do movimento islamita palestiniano, enquanto o Hezbollah prometeu enfrentar a agressão israelita e norte-americana.

"Nós, no seio do Hamas, lamentamos o desaparecimento do ayatollah Ali Khamenei. Os Estados Unidos e o governo da ocupação fascista [Israel] assumem inteira responsabilidade por esta agressão flagrante e por este crime odioso contra a soberania da República Islâmica do Irão, bem como pelas suas graves repercussões na segurança e na estabilidade da região", indica um comunicado do movimento.

O Hamas, condenando a "traiçoeira e brutal agressão sionista-americana", pediu que sejam tomadas "medidas urgentes" a nível internacional para pôr fim aos "crimes" dos Estados Unidos e de Israel na região.

O grupo armado Jihad Islâmica, aliado do Hamas durante os dois anos de guerra com Israel na Faixa de Gaza, classificou a morte de Ali Khamenei como um "crime de guerra" cometido pelos Estados Unidos e por Israel numa "ataque traiçoeiro e mal-intencionado".

Já o Hezbollah garantiu hoje que vai "enfrentar a agressão" norte-americana e israelita a Khamenei, afirmou, num comunicado, Naim Qassem, líder do movimento libanês pró-iraniano.

"Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão", assegurou o chefe do Hezbollah no comunicado, acrescentando: "quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos [...] o campo da resistência".

O Hezbollah ainda não tinha reagido desde o início da vasta ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Também os Huthis, no poder no Iémen e aliados do Hamas, lamentaram hoje o "assassínio" de Khamenei, uma figura política e religiosa que classificaram como mártir e cujo legado, afirmaram, inspirará "uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel".

"Com profundo pesar e dor, o Conselho Político Supremo recebeu a notícia do martírio do líder da Revolução Islâmica no Irão. Travou uma longa luta de jihad [guerra santa] contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas", declarou o Conselho Político Supremo dos huthis.

Os huthis descreveram o ataque como um "crime atroz" e uma "violação flagrante de todas as leis e normas internacionais".

"Isto representa a continuação da agressão injusta contra a nação islâmica e os seus lugares sagrados. Ao mesmo tempo, afirma que o sangue dos mártires não será em vão e que a vontade revolucionária encarnada pelo mártir continuará a ser uma chama que guiará a nação. O martírio de Ali Khamenei aumentará a força e a determinação do povo iraniano, e o caminho da jihad e da defesa da verdade prosseguirá sem recuo", acrescentaram.

Durante a guerra entre Israel e o Hamas, os huthis -- um dos principais aliados do Irão na região -- lançaram mísseis e 'drones' contra Israel e atacaram repetidamente navios comerciais em rotas marítimas estratégicas, como o mar Vermelho e o estreito de Bab el-Mandeb, alegando que as ações visavam apoiar os palestinianos em Gaza.

No entanto, o grupo alcançou um acordo com os Estados Unidos para suspender os ataques à navegação, após uma ofensiva de bombardeamentos impulsionada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e desde então tem mantido um perfil discreto.

Nem no comunicado divulgado hoje, nem no emitido no sábado a condenar os ataques contra o Irão, os huthis indicaram se irão retomar ações no mar Vermelho ou intensificar a pressão militar.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visou "eliminar ameaças iminentes" do Irão, enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".

Hoje de madrugada, um apresentador da televisão estatal iraniana anunciou, em lágrimas, a morte do 'ayatolah' que estava no poder há 36 anos.

O Irão, entretanto, decretou um período de luto de 40 dias, bem como sete dias feriados, pela morte de Khamenei.

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