Quinta, 24 de Junho de 2021
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Sexta, 11 Junho 2021 10:58

História dos contentores de dinheiro terá sido inventada pelo genro do PGR acusado de burla

José Tchiwana, coronel e antigo director das finanças da UGP, é o queixoso no processo 185/C12020, por ter sido supostamente burlado pelo empresário Francisco Yoba Capita mais de um bilhão de Kwanzas. Disse que foi hipnotizado.

Ouvido na condição de declarante, Tchiwana conta que conheceu Yoba por intermédio de um soldado seu, porque precisava de alguma influência junto da PGR Militar, em função de um processo. Tchiwana tinha um litígio de terreno com a empresa Teixeira Duarte, tendo esta ido queixar-se não apenas na Sala do Cível Administrativo, como também na PGR-Militar - por supostamente o coronel ter usado a “forma militar” durante o conflito.

Assim, como declarou Tchiwana, o facto de Yoba ter a mulher PGR, Cláudia Monteiro de Araújo Yoba Capita; ser afilhado do PGRMilitar, Adão Adriano António e, por conseguinte, ser genro do actual Procurador Geral da República, Hélder Pitagrós, depositou a esperança de ver resolvido o seu problema. Numa primeira fase, Capita pediu 132 milhões de Kwanzas. Depois voltou a pedir 500 milhões de Kwanzas. Apesar do valor embolsado, o problema não estava a ser resolvido e a Teixeira Duarte continuava a chatear.

Voltou a dar 252 milhões de Kwanzas e a alegar que precisava de 40% deste valor para o mesmo processo, face à providência cautelar

Tanto na versão da história de Yoba, quanto na versão da história do coronel Tchiwana, o empréstimo ao cidadão chinês do Casino Atlântico chegou a acontecer. Apenas diferem as razões que levaram ao empréstimo. Yoba continuou a explicar ao tribunal, que passados dois, três e até mesmo nove meses, o coronel não pagava a dívida. Depois, já não atendia as suas chamadas e, quando Yoba o telefonasse de um outro nome, bastava saber que era o empresário, desligava o telefone. A insistência de Yoba fez colocar a sua vida em risco, pois, segundo ele, foi agredido com dois socos hipnotizado pelo empresário no cível. Desembolsou mais 261 milhões de Kwanzas.

As chantagens continuavam e o coronel, que disse ter investimentos no sector agropecuário e aponta este como fonte, estava a ficar sem dinheiro. Foi assim que Yoba sugeriu os amigos chineses para o empréstimo de 400 milhões de Kz. Este valor serviria para pagar, segundo o coronel, aqueles que Yoba chamava de “alicates”. No total, fala-se em mais de um bilhão de Kz.

A relação entre os dois azedou e, diante desta situação, Tchiwana foi queixar Yoba ao SIC. Yoba, por sua vez, inverteu a situação e, na perspectiva de levar o barco ao seu favor, escreveu para o Presidente da República e chamou a imprensa, sob a alegação de que foi contactado pelo coronel para transportar dinheiro em contentores.

O escândalo que custou a exoneração do abdómen, raptado e ameaçado de morte.

Foi assim que decidiu apresentar queixas ao superior máximo do coronel, abrir um processo na PGR-Militar, em companhia do chinês, bem como endereçar uma carta ao Presidente da República. No documento, informou sobre os contentores de dinheiro. Apresentou também queixas ao SIC, mas o processo, como disse, “não teve pernas para andar”.

Diante dessa situação, o chinês foi também ameaçado pelo coronel, sob alegações de que, se prestasse declarações neste processo, regressaria ao seu país dentro de uma urna. O cidadão oriente asiático desapareceu e Yoba disse que o chinês que aparece no processo é

Aquilo que Tchiwana chamou, no tribunal, de “manobra de diversão” de Yoba, o suposto transporte de dinheiro, alimentou um escândalo que contribuiu para a exoneração do coronel do cargo que ocupava na Unidade de Guarda Presidencial.

O coronel confirmou que não contratou Yoba para transportar nada, nunca esteve com ele nalguma quinta e que o primeiro encontro foi no Pátio Luanda – Morro Bento.

Perguntado como foi possível desembolsar aquele valor todo para que lhe facilitassem o processo do litígio do seu espaço, que fica na Via Expressa (entre o Cemitério do Benfica e a Casa das Bifanas), o coronel disse que “estava hipnotizado e/ou fora de si. Capita é astuto e criou esta história dos contentores para se livrar do processo instaurado contra si”.

Consta dos autos um contrato de transportação de mercadoria, documento este que o coronel disse ser forjado e falso. Não duvida que a sua assinatura tenha sido falsificada pelo réu, dada a influência que tem.

“Ele dizia que este mandato era dele – como quem quer dizer que manda no país. Capita criava artimanhas para instituir o medo”, disse o coronel.

Sobre as dívidas com o chinês, disse que amortizou, tal como consta nos autos quatro notas de entregas. outro – não o conhece e foi treinado para dar respostas que o comprometem.

Yoba acredita que todos os trabalhadores que presenciaram a negociata, na quinta, foram também orientados a declararem contra si, uma vez que a relação com eles azedou. O director financeiro, por exemplo, Artur dos Santos, segundo Yoba, chegou a ter boas relações com o coronel ao ponto de assinar documentos e facturas a mando deste, sem a autorização do empresário.

Os seus funcionários, da Delta Bravo, fizeram desfalque na empresa ao ponto de ver-se obrigado a abrir uma auditoria e ordenar a detenção dos mesmos, tendo o director dos transportes ficado foragido por muito tempo. Voltou a avistar o antigo director dos transportes, este ano, no tribunal.

“Nunca fomos a Benguela levar contentores. Não é verdade”

Para além do coronel, quem também se sentiu caluniado e, infelizmente, teve detido seis meses, foi Artur dos Santos, à data dos factos director financeiro da Delta Bravo. Mulato, alto e de voz grossa, no dia em que foi ouvido mantevese calmo e, em nenhum momento, perdeu-se nos números relacionados com a empresa.

Artur disse que esteve preso inocentemente, sem ser ouvido, por calúnia perpetrada pelo seu então patrão, por supostamente ter dado mais de 300 mil dólares a uma empresa chinesa de construção.

Desmentiu a informação segundo a qual a Delta Bravo foi contratada pela Horizonte Comercial (empresa do coronel) para transportar contentores de dinheiro, pois a empresa não tinha sequer seis camiões, muito menos carros blindados.

Em nome da empresa existia apenas uma viatura Hilux. A Delta Bravo não facturava, mensalmente mais de três milhões de Kwanzas e tinha dívida de cinco milhões com o Hotel Diamond (do arrendamento, energia e água).

Quanto à factura que assinou, Artur disse que apenas agiu com o conhecimento e autorização de Yoba, uma vez que este tem uma carta mandado para tal. Lembra perfeitamente que são facturas de 400 milhões Kz (para a compra de materiais agrícola), 200 milhões

Kz (para a construção de naves metálicas) e 24 milhões de Kz para a compra de equipamentos informáticos. Todas emitidas da empresa Delta para a Horizonte.

Embora tivesse noção de que estes produtos e serviços não tinham sido comprados e executados, o director não desconfiava do patrão nem do coronel, porque Yoba dizia que Tchiwana era membro do comité do MPLA e assessor do Presidente da República.

“Nunca levámos seis contentores a Benguela e não vi o coronel a dar dinheiro vivo ao patrão. Ficávamos distantes quando o ofendido ia falar com o chefe no escritório. O grupo Delta (diferente da empresa Delta Bravo) tinha apenas três camiões (dois basculante e um atrelado) e um carro blindado, que foi comprado depois”, disse ele, que confirmou ser falso que tenha assinado algum contrato de transportação de mercadoria.

Importa frisar que Francisco Yoba Capita já respondeu em juízo, por crime de ocultação de provas, onde foi condenado a dois anos de prisão e só saiu porque lhe abrangeu a amnistia. Esta informação foi confirmada por ele, no acto de resposta às perguntas obrigatórias do juíz.

Yoba está ainda a ser acusado de falsificação de documentos por existir no processo dois bilhetes de identidade seus, bem como dois passaportes. Na Segundafeira, 14, conhecerá a sentença. OPAIS

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