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Quinta, 09 Fevereiro 2023 16:13

Jornalista desmente Higino Carneiro e diz que Nito Alves entregou-se e não foi capturado conforme versão do general

O General angolano, Higino Carneiro, em 1977 não tinha competência militar “nem pulungunza” para capturar Nito Alves na região dos Dembos. Nito Alves entregou-se e ponto, revelou o jornalista Mariano de Almeida.

Na obra literária lançada em 2021 “Memórias, Soldado da Pátria” o autor disse que participou no processo de captura de Nito Alves na região do Piri.

“Eu fui enviado para a região de Quibaxe, onde instalei o meu Posto de Comando na Estalagem, na vila do Piri. Juntou-se a mim, dias depois, o comandante Margoso, vindo do Uige. Pouco tempo depois, capturamos Nito Alves, que depois conduzimos sob prisão a Luanda”, conforme se lê.

Numa publicação na noite desta quarta-feira, a que Angola24horas teve acesso, o jornalista angolano, Mariano de Almeida esclareceu que no dia 27 de maio de 1977, Nito Alves estava em casa, na Vila Alice, na Rua Almeida Garret, hoje Aníbal de Melo. Nito, segundo Mariano, entregou-se, pois, se ele entrasse na região dos Dembos, ninguém lhe apanhava.

“Não posso afirmar ou precisar se ele foi preso em casa! A única coisa que sei é isso foi com o objectivo de humilhá-lo, os carrascos de Nito, levaram-lhe até ao Piri, mandaram-lhe subir numa arvore e fizeram-lhe fotos para depois produzirem a imagem da mula sem cabeça que depois serviu de suporte para os editoriais “bater no ferro quente” da autoria de Costa Andrade (Ndunduma), nas páginas do Jornal de Angola com reposição nos noticiários da RNA”, revelou.

De acordo o jornalista, Nito Alves era dos poucos que conhecia a região dos Dembos, acrescentando que apenas um Monstro Imortal, o Bakalof, companheiros dele conheciam a zona. “Nem os flechas e comandos da tropa Tuga conseguiram capturar o Nito. É um cambomborinho como o Higino que iria capturar o Nito”?

Mariano desmente categoricamente a narrativa de Higino Carneiro sobre a captura do político e diz tratar-se de pura verdade que, quando Nito Alves era um verdadeiro Comandante, Higino Carneiro não era nada. “Militarmente falando, o Higino Carneiro era um fecto de 15 dias ao lado do Nito”, afirmou.

Dados ainda que este informativo acessou, avançam que em 1975, HC se entregara às FAPLA, vindo das FALA, o que dá a entender de facto que ainda não tinha tal competência, visto que, segundo consta, em 1977 existia homens “da linha de frente” como França Ndalu, Pedalé e Iko, mas não Higino Carneiro.

De salientar que, o general das Forças Armadas Angolanas (FAA) e político do MPLA, Higino Carneiro, vai apresentar nesta sexta-feira 10 de Fevereiro, o livro ‘Grandes Batalhas e Operações Militares Decisivas em Angola’, um exercício de memória que visa contribuir para a reconstituição de uma parte substantiva da história recente do país.

O lançamento do livro — que narra, em 544 páginas, subdivididas em 11 capítulos, uma sequência de acontecimentos ligados à historicidade do conflito político-militar angolano — terá lugar no restaurante Alma-Quinta Real, em Luanda /Talatona, pelas 18h00, e será apresentado pelo tenente-general Miguel Júnior “Michel”.

A obra, que traz o prefácio do também general João Luís Neto ‘Xietu’, revisita os meandros dos grandes combates através de uma narração testemunhal de quem esteve e viveu “os momentos de angústia e de incerteza nas batalhas de Ntó, Luanda, Luena, Kifangondo, Ebo, Cangamba, entre outras”.

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