Quinta, 01 de Dezembro de 2022
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Terça, 12 Julho 2022 12:33

Jornalista angolano fala do cinismo e elevada hipocrisia no MPLA e critica beneficiários da era de JES

O jornalista angolano, José Neto Alves Fernandes, observou que não se deve falar mal dos mortos, em uma mensagem que intitulou o "voto dos canibais", para responder à informação que dá conta de que (José Eduardo dos Santos foi vítima da cultura de cinismo e hipocrisia que ele próprio alimentou nas fileiras do MPLA).

De acordo com o veterano Jornalista, Alves Fernandes, em boa verdade, no debate sabatino "A Caminho das Eleições" de 09 de julho corrente, na Rádio MFM-91.7, qual considera a sintonia da pluralidade ou mesmo tribuna central do contraditório, foi competentemente denunciado o elevado grau de hipocrisia e cinismo predominantes nas hostes do MPLA. "É verdade".

"Não se deve falar mal dos nossos mortos. É verdade. Assim manda a tradição. Mas não se pode absolver gratuitamente os vivos, vivaços e (vijús) do partido no poder, que já estão a elaborar uma lista negra dos futuros proscritos da próxima legislatura, ou seja, os íntegros e descomplexados que, na óptica dos iluminados, devem ser ostracizados e trucidados depois da vitória expressiva por K.O. técnico do Cunene e que será celebrada com a cabidela da Lunda Sul. As penas, pretas brancas ou mulatas, vão para o lixo. Não importa. O importante é o sangue da cabidela misturado com ginguinga de gazela, qual sarrabulho triunfal agindungado no telejornal", conforme Alves Fernandes.

Na ocasião, afirmou que os analistas com créditos firmados, nomeadamente Walter Ferreira, Albino Pakissi e Joaquim Jaime, todos eles jovens intelectuais de fina fibra, com as múltiplas valências dos veteranos Ramiro Aleixo e Carlos Rosado de Carvalho, desconstruiram o "camaleonismo" e a cobardia dos mais-velhos do "glorioso".

Fernandes falou concretamente de correligionários, companheiros, parceiros, camaradas, cúmplices, supostos amigos e beneficiários do consulado longevo de José Eduardo dos Santos, homens e mulheres com títulos pomposos que não foram capazes de providenciar o amparo e a solidariedade de que o ex-Presidente da República precisava e merecia.

No seu entender, são figuras dominadas pelo medo de perderem as benesses resultantes do saque desenfreado aos cofres do Estado, indivíduos, perfeitamente identificados que preferiram refugiar-se nos mealheiros da pouca vergonha, optaram por uma blindagem insana em fazendas improdutivas e casas de praia convertidas em bordéis, muitos deles entrincheiraram-se na antiga metrópole para não serem contagiados, verdade seja dita, pela miséria que eles próprios decretaram para a maioria do Povo Angolano.

"Esses tipos não mudaram", refere Alves Fernandes, adiantando que a frase lapidar de Jonas Savimbi, proferida no calor da guerra civil, aplica-se como uma luva a cada mão viciada de quem teima em ser "dono da verdade absoluta", entre os quais pontificam alguns crápulas sem escrúpulos.

"Nos diabolizaram quando nós criticamos em sã consciência o Presidente José Eduardo dos Santos, tentaram silenciar-nos quando alertamos o Presidente João Lourenço que seria perigoso deixar amordaçar a comunicação social, e agora embarcam em romarias cínicas, fingindo santificar o nome de José Eduardo dos Santos, sem disfarçar a vontade canibalesca ver João Lourenço pelas costas", denunciou.

"Como bem sublinhou o abençoado cantor e poeta angolano Paulo Flores, (esse coro já conheço)", rematou.

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