Segunda, 16 de Março de 2026
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Segunda, 16 Março 2026 22:10

Angolanos não vivem segundo exigências da dignidade humana – Igreja Católica

A Igreja Católica considera que os angolanos ainda não vivem segundo as exigências da dignidade humana, apesar das conquistas alcançadas em 24 anos de paz, e diz que não é possivel construir uma Angola nova sem reconciliação.

Esta é uma mensagem para a Jornada Nacional da Reconciliação e da Paz, que decorre entre 15 de março e 4 de abril em Angola, tornada pública pela Comissão de Justiça e Paz e Integridade da Criação da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST).

As jornadas, que encerram em 4 de abril, dia em que Angola assinala 24 anos de paz, visam alertar a sociedade para a assunção do compromisso de se trabalhar para a reconciliação, a justiça e a paz, refere-se na mensagem a que a Lua teve acesso.

A Comissão de Justiça e Paz da CEAST refere que em 24 anos de paz "muitas coisas mudaram no país" e por isso "celebra as conquistas neste sentido", salientando, no entanto, que existe ainda um longo caminho a percorrer.

"É verdade que a guerra aberta acabou, mas será que podemos afirmar que todos os angolanos e angolanas vivem segundo as exigências de dignidade humana? A resposta a essa pergunta é não, porque ainda vemos centenas de milhares de crianças fora do sistema de ensino", lê-se na mensagem.

Acrescenta que outras centenas de milhares de crianças são vítimas de má nutrição aguda, alta taxa de mortalidade infantil, o aumento da prostituição infantil, o elevado índice de jovens desempregados, fuga de cérebros e um terço da população angolana a viver abaixo da linha da pobreza.

À crise social, observa a Igreja Católica, soma-se a crise ambiental, "cujas consequências já se fazem sentir um pouco por todo o país tais como chuvas irregulares e as consequentes estiagens que causam a morte de animais e a forme severa no centro e sul do país causas pela desflorestação".

A desflorestação e a degradação do ambiente em Angola potenciam a "crise sócio ambiental", considera ainda.

Nesta Jornada Nacional da Reconciliação e da Paz, salienta-se na mensagem, a CEAST pretende convidar a uma introspeção e reflexão profunda sobre o processo de reconciliação "como familia angolana" seguindo o itinerário traçado pelo Congresso Nacional da Reconciliação realizado em novembro de 2025-que propos "uma carta de compromissos".

A reconciliação nacional "é o princípio e o fundamento da Angola que queremos construir juntos. Por outras palavras, seria ilusório pensar que é possível construir uma Angola nova sem estarmos reconciliados", realçam os católicos.

A CEAST recorda que organizou o Congresso Nacional da Reconciliação como um contributo ao processo de reconciliação em curso em Angola, iniciado há mais de trinta anos, considerando que viver reconciliados numa sociedade plural, como a angolana, "é o sonho de Deus e, por conseguinte, o sonho da igreja".

Viver reconciliados, no entender a igreja de Angola, é viver no respeito aos direitos dos nossos semelhantes "e, sobretudo, em atenção solidária aos mais frágeis, os quais pouco ou nada tem".

"A paz bélica, por si já frágil, pode ainda estar mais ameaçada se não cuidarmos do respeito aos direitos uns dos outros ou se não proporcionarmos a todos igual acesso a direito", assinala-se na nota, defendendo ainda a promoção do diálogo, a amizade social, a reconciliação, a solidificação da paz e a justiça social.

"Sede Artifices da Paz, Agentes da Reconciliação e Arautos da Justiça" é o lema do Día Nacional da Reconciliação 2026, que a Igreja Católica de Angola promove desde 2019.

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