Sábado, 28 de Novembro de 2020
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Sexta, 23 Outubro 2020 12:12

Retirada das imunidades de Manuel Rabelais é necessária - UNITA

A suspensão do mandato e retirada de imunidade do deputado do grupo parlamentar do MPLA Manuel António Rabelais é discutida e votada, na próxima terça-feira, durante a primeira sessão plenária do novo ano parlamentar.

A conferência de líderes da Assembleia Nacional esteve reunida, ontem, para tratar da agenda da próxima sessão plenária, tendo o assunto da suspensão do mandato de Manuel Rabelais sido introduzida.

As comissões dos Assuntos Constitucionais e Jurídicos e a de Mandatos, Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Nacional reúnem, hoje, para discutirem e elaborarem o relatório parecer conjunto a ser submetido na plenária de terça-feira.

Tendo em conta os pronunciamentos dos líderes dos grupos parlamentares, o assunto deverá estar concluído, na terça-feira. Rabelais deverá ver retirada a imunidade para responder em julgamento. O pronunciamento no plenário será apenas a confirmação.

O primeiro vice-presidente do grupo parlamentar da UNITA, Maurílio Luiele, disse que a retirada das imunidades do deputado é necessária, para poder ser julgado.

Maurílio Luiele garantiu que a UNITA não vai contrapor a solicitação do Tribunal Supremo. “Há um processo em curso, o deputado não foi sequer condenado ainda, a presunção de inocência está presente, mas para que possa ser julgado a lei considera necessária a retirada de imunidade”, lembrou.

Luiele questionou o facto de existirem processos de outros deputados com o mesmo tempo que o de Manuel Rabelais, mas que ainda não foi solicitada, as retiradas de imunidades. “Isso coloca algumas reticências. Dá a impressão que há, aqui, dois pesos e duas medidas e é por isso que nós temos considerado que há um certo carácter selectivo no combate à corrupção”, disse.

O presidente do grupo parlamentar do MPLA, Américo Cuononoca, informou que o processo sobre Manuel Rabalais, no Tribunal Supremo, passou para julgado e, tendo o deputado imunidades, não pode ser julgado, nem preso, razões pelas quais foi solicitada à Assembleia Nacional a retirada das imunidades e a suspensão do mandato, para poder responder em julgamento.

Américo Cuononoca sublinhou que, apesar disso, Manuel Rabelais goza do princípio da presunção de inocência.

Benedito Daniel, do PRS, concorda com a retirada de imunidade e suspensão de mandato de Manuel Rabelais, para que possa apresentar a defesa perante o Tribunal. “Todos os cidadãos devem cumprir a lei, independentemente da função. Se a justificação do Tribunal Supremo for convincente, acho normal que o deputado apresente-se em tribunal e isso não significa condenação”, considerou.

O também líder do PRS discorda das opiniões de alguns políticos que defendem que os processos contra a corrupção são selectivos. Para ele, existe elitismo e não selecção. “O combate à corrupção está a nível da elite política e empresarial, selecção como tal não existe. O que existe, sim, é a falta de informação”, realçou.

Lucas Ngonda, da FNLA, considera um processo legal a retirada de imunidade a Manuel Rabelais. O deputado da FNLA defende que muitas questões ligadas ao combate à corrupção devem ser esclarecidas para se evitarem especulações.

Antigo director-geral da Rádio Nacional de Angola (RNA) e ministro da Comunicação Social, Manuel Rebelais foi constituído arguido, em Setembro do ano passado, por haver indícios de crimes de peculato, violação de normas de execução do plano e orçamento, recebimento indevido de vantagens e branqueamento de capitais, enquanto director do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA), entre os anos 2016 e 2017.

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