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Sábado, 10 Junho 2023 15:03

As falsas “confissões” imaginárias da esposa de Benja Satula

Qualquer cidadão é livre de escrever o que lhe vai na alma ( liberdade de expressão) , desde que respeite a privacidade de cada um e a verdade , ou deixe claro que escreveu baseado em pesquisa , ou ficção .

Não li, nem tenho curiosidade em ler o livro das falsas “Confissões” do Presidente José Eduardo dos Santos , cuja autoria é da Mestre Solange Faria , com redação e possivelmente contribuição , do seu esposo, o Professor Doutor Benja Satula , que muito respeito como acadêmico e como nacionalista . Porque o amor é cego e porque o Doutor Satula acredita que os espíritos falam sempre que são chamados , acredita na versão da sua esposa .

Pelos extratos do livro que circularam pelas redes sociais que li , ainda que eu respeite quem acredite em espíritas , como em qualquer religião ( liberdade de religião), porque admito que a mente humana e a energia são ainda uma incógnita , mesmo assim percebi , que o livro é de alguém que necessita de atenção e quer chamar à atenção .

Todavia, nessa ânsia , limitou-se a apenas pesquisar sobre aspectos políticos pôs independência e teve material suficiente para o fazer, pois o Presidente José Eduardo dos Santos , governou durante 23 anos de guerra e 15 anos de paz .

Porém, a autora para além da sua imaginação, descurou completamente aspectos essenciais básicos da maneira de ser e estar na vida , do Presidente José Eduardo dos Santos, a que nem mesmo todos os familiares tiveram acesso , de um homem não apenas de fino trato , mas de um diplomata nato , que tanto apreciava a musica clássica, como o Kituxi e seus acompanhantes e outras manifestações culturais e de arte e amava o desporto , sem ter que se esfregar no chão .

O Presidente José Eduardo dos Santos era extremamente discreto , não era expansivo , não se dava a conhecer com facilidade . Mesmo antes de assumir a Presidência do país, não era de fazer visitas , nem de receber visitas , excepto em datas importantes , mas apenas por iniciativa de terceiros , por períodos de curta duração .

Não tinha conversas extra trabalho com os seus colaboradores e muito menos faria comentários com eles , sobre pessoas bonitas ou feias , como pude ler num dos extratos do livro que circula pelas redes sociais . Os seus colaboradores mais directos , que lidaram com ele ao longo de quase todo o seu mandato, infelizmente alguns ainda se mantém de pedra e cal na Presidência da República, sabem bem que o facto narrado pela Mestre Solange seria de todo impossível .

O Presidente José Eduardo dos Santos, era um pai extremoso , que dava banho , vestia e penteava os filhos(as ) , mas nunca tratou a sua filha primogênita por Bela, nem por nenhum outro diminutivo , mas sempre por Isabel, da mesma a forma que tratava a ” mana Isabel”, sua irmã mais velha e xará , de quem deu o nome .

Não quis ler mais extratos do livro que circulam, porque não poderia esperar melhor, depois da autora do livro me ter dito recentemente, na única vez que tive a oportunidade de falar com ela brevemente , que foi o Presidente José Eduardo que escreveu o livro e não ela , usando-a porque sempre que ela queria ele falava com ela .

Significará que o Presidente José Eduardo dos Santos teve que morrer, para ela falar com ele , já que não conseguiu falar com ele em vida ?

Estudei três anos de Psicologia Aplicada e, pela breve conversa que mantive com a autora do livro , com o devido respeito que como colega e mulher merece , fiquei com a sensação de estar perante uma pessoa possivelmente manipuladora, sedenta de atenção e de reconhecimento e aprendiz de psicógrafa .

Não teria sido melhor ter substituído o título por ” Ilações ” em vez de ” Confissões ” , ou até em vez de referir ” psicografia” ter preferido “ficção “? Seria mais ético .

Maria Luísa Abrantes

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