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Sexta, 24 Fevereiro 2023 17:32

Impacto e expectativas políticas e estratégicas da visita de Joe Biden à Ucránia

O conflito armado entre a Rússia e a Ucránia fará um ano no próximo dia 24 de Fevereiro de 2023, e Joe Biden escolhe este momento, a véspera do primeiro aniversário do conflito, para, à semelhança de outros líderes mundiais, realizar a sua primeira visita à Ucránia. Seria, política e estrategicamente, ingénuo se dissesse que se trata apenas da visita de mais um estadista à Ucránia. Não é verdade.

Queiramos ou não, Joe Biden é o presidente de uma nação tida como a mais poderosa do mundo, "o líder do mundo livre". Também seria ingénuo se dissesse que o fez apenas em gesto de solidariedade com o povo ucraniano. Não é verdade.

Depois de várias cogitações e secretismos em torno da sua visita à Ucránia, esta acabou por se realizar hoje, 22 de Fevereiro de 2023, seguida por uma passagem pela Polónia, país com o qual a Ucránia faz fronteira.

Analistas políticos em todo mundo desdobram-se em projecções sobre os possíveis impactos desta visita. Na verdade, ela tem um simbolismo e um impacto muito grande, quer internamente nos EUA, quer a nível externo, do ponto de vista político e da geopolítica.

A nível da política interna norte americana, esta visita revela claramente a intenção de Joe Biden em reforçar a posição política dos democrátas e o seu legado tendo em vista as eleções que avizinham (2024), desviando as atenções dos desafios e riscos que os democrátas enfrentam devido às sérias dificuldades do governo de Joe Biden em controlar a crescente inflação que abala a economia americana enfrentando neste momento o mais elevado índice de custo de vida dos últimos 40 anos, deixando o governo de Joe Biden incapaz de recuperar tão rapidamente por antever uma possível recessão este ano.

Por conta disto, os democrátas correm o risco de perder o controle da Câmara, fazendo com que os republicanos estejam cada vez mais expectantes em obter uma maioria no Senado.

Mesmo com as dificuldades que enfrenta na estabilização da economia internamente, Joe Biden promete a Ucránia um apoio avaliado em cerca de 500 bilhões, espero sejam apenas armas e blindados.

A nível externo, trata-se de uma acção que visa reforçar a imagem e o legado dos Estados Unidos como lider da democrácia mundial e demonstrar à Rússia que a OTAN mantém-se enérgica e coesa em torno da defesa da soberania ucraniana, procurando ao mesmo tempo inibir um possível apoio da China à Rússia. Relativamente a OTAN, a mensagem é contraditória, pois a Ucránia não é um estado membro da OTAN, o que deixa bem claro os inconfessos interesses geopolíticos e estratégicos dos EUA neste conflito.

Esta visita de Biden à Ucránia, revela também a clara a preocupação dos EUA face ao visível cansaço dos aliados europeus e o desfalecimento dos esforços em apoio à Ucrania demonstrando o compromisso da nação mais poderosa do mundo na conservação dos seus interesses e apoio ao povo ucraniano. Tenho dito.

Simão Pedro
Jurista&Politólogo

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