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Segunda, 06 Dezembro 2021 11:29

As dívidas do coronel Isaías Samakuva - Graça Campos

Com o “MPLA no poder”, Isaías Samakuva está a saber, da maneira mais desonrosa possível, que dívidas são para pagar.

As espúrias alianças que fez com o partido governante estão agora a custar ao ex-líder da UNITA constrangedoras, muito constrangedoras revelações.

Num só tempo ficamos a saber, por Emanuel Kadiango, cuja escrita admiro pela sua beleza, que Isaías Samakuva é o “cérebro de uma saga que pode culminar com o caos nas ruas e inviabilizar a governação”, porque não fez o suficiente para “impedir a realização do XIII Congresso da UNITA, nos dias 2, 3 e 4, enquanto o Tribunal Constitucional analisa o pedido de providência cautelar contra a realização do evento”.

Através de Emanuel Kadiango, a opinião pública, nacional e internacional, ficou a saber que Isaías Samakuva “joga (ao mesmo tempo) com a ansiedade de Adalberto Costa Júnior que quer, a todo o custo, ser presidente da UNITA ainda que atropelando todas as regras, tenta descredibilizar as instituições e desgastar a imagem do Presidente João Lourenço e do MPLA, buscando a solidariedade dos seus aliados externos e das bases de apoio do jovem petulante”.

Lembrando a velha máxima da inexistência de almoços grátis - como pensou que foi a calorosa recepção no Conselho da República – Kadiango lembra a Samakuva, a quem se refere como coronel, o seu antigo papel de “elo de ligação” com o regime racista da África do Sul.

De acordo com Emanuel Kadiango, para afastar Adalberto Costa Júnior da liderança da UNITA, para a qual foi eleito em 2019, Isaías Samakuva “elegeu um caminho e um actor, o Tribunal Constitucional, matando assim três coelhos com um só cajado: o TC que seria diabolizado e descredibilizado, o MPLA que seria acusado de instrumentalizar a justiça e de se ingerir nos assuntos do concorrente, e o usurpador ACJ que seria humilhado”.

Como outras pessoas, também Emanuel Kadiango mostra-se convencido que o Tribunal Constitucional não homologará o congresso da UNITA terminado. Por isso, traça o cenário que se seguirá na UNITA.  “(...) Adalberto deixa de ser Presidente do partido” e este voltará a depender novamente do velho “pacificador”, que, “certamente, estará já a procurar um líder que leve o partido às eleições de 2022.  Kachiungo e Rafael Savimbi não estarão fora dos trunfos do antigo elo na relação da UNITA com os sul-africanos”.

Por fim, Emanuel Kadiango revela que Isaías Samakuva “está a divertir-se com o ingénuo e triunfalista aprendiz de político” (Adalberto Costa Júnior), que, segundo ele, estaria a “desafiar o fogo com gasolina e o Betão com ovos”

Kadiango avisa que só “um acéfalo pode duvidar que a realização do XIII Congresso da UNITA não tenha sido uma afronta às instituições e à Lei”. E por isso mesmo reitera a certeza de que “ACJ não será nem Presidente da UNITA nem muito menos de Angola”.

As denúncias de Emanuel Kadiango só permitem uma conclusão:  Isaías Samakuva não deu tudo o que prometeu ou se esperava dele.

Por Graça Campos

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