Domingo, 16 de Mai de 2021
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Quarta, 14 Abril 2021 13:25

MPLA é o grande cancro que tem impedido o avanço de Angola

A 9 de Fevereiro de 1986, o Cometa Halley passou pela Terra, isto é, no seu percurso no sistema solar, esteve próximo e visível a partir do nosso planeta. As visitas do referido cometa à Terra ocorrem de 75 em 75 anos.

A última visita do cometa foi há 35 anos. A Terra somente será visitada de novo pelo Cometa Halley em 2061. Isto quer dizer que se trata de um fenómeno raro, que só acontece uma  vez ou duas vezes num século.

Igualmente, no domínio político, as condições extraordinárias que levam à mudança estrutural das relações de poder nas sociedades acontecem apenas de tempos em tempos. São raras. Ou seja, a História, de tempos em tempos, dá às sociedades oportunidades para essa tipologia de mudança.

2022: Uma (nova) porta aberta pela história

No caso de Angola, o período 2021-2022 é extraordinário. É o momento em que a História dá às Angolanas e aos Angolanos a oportunidade de promoverem a alternância.

Angola vive presentemente uma situação singular de cinco crises que acontecem simultaneamente: a crise económica (a economia não cresce), a crise financeira (o poder de compra das cidadãs e dos cidadãos está violentamente reduzido), a crise social (aumento brutal da fome, pobreza e miséria), a crise sanitária (a qualidade dos serviços de saneamento e saúde, que já era apocalíptica antes da emergência da Covid-19, somente piorou) e a crise política (o País está atolado no pântano da falta de uma liderança política visionária, competente e patriótica).

As condições extraordinárias estão criadas para que as Angolanas e os Angolanos, mais do que compreender claramente a questão da oportunidade singular, tomem a posição adequada ao sentido da História: promover a alternância em 2022. Caso contrário, será cometido o mesmo erro de (1991-)1992. Naquele ponto do tempo histórico, estavam reunidas as condições para que a alternância fosse uma realidade. Todavia, infelizmente, a oportunidade foi desperdiçada. O século XX terminou e a mesma oportunidade rara não voltou a ocorrer.

Entretanto, transcorridos longos 30 anos, a História volta a reunir em Angola um conjunto de condições extraordinárias, as quais, sublinho, são raras e decisivas. Ora, o Cometa Halley apenas visita a Terra de 75 em 75 anos. Por outro lado, os planetas Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno ficam alinhados apenas de tempos em tempos.

As presentes condições extraordinárias que configuram uma especial oportunidade para que as Angolanas e os Angolanos promovam a alternância em 2022 não voltarão a ser reunidas pela História dentro de uma ou de duas gerações. Quando será que Angola terá novamente cinco crises simultâneas e uma conjuntura internacional desfavorável ao partido no poder (MPLA)?

A responsabilidade de contribuir para a alternância em 2022 não deve ser vista como da exclusiva titularidade dos partidos políticos. As cidadãs e os cidadãos são anteriores aos partidos. Cada cidadã e cada cidadão da República de Angola é titular individual da soberania. O individual é anterior ao colectivo. Cada Angolana e cada Angolano enquanto ente político faz parte de uma agregação política colectiva – uma entidade que se chama Povo.

Neste sentido, sendo os partidos políticos associações de indivíduos com interesse político comum e que visam alcançar o poder e mantê-lo, cabe a cada cidadã e a cada cidadão decidir que partido reúne as melhores condições para governar e, assim, realizar os seus anseios legítimos.

Em Angola, um país que já teve mais de cem partidos políticos, é da responsabilidade de cada Angolana e de cada Angolano determinar qual é a força política que melhor está em condições de servir como instrumento de alternância. Mais do que isto, é imperativo que cada Angolana e cada Angolano compreenda claramente que o quadro de correlações de forças em Angola deixa claro que nenhum partido na oposição séria conseguirá o objectivo de realizar a alternância concorrendo sozinho, porquanto, um dos grandes motivos que têm contribuído para a manutenção no poder do MPLA tem sido a desunião. A ausência de uma frente patriótica unida (plataforma que integre as grandes valências políticas do país) tem facilitado o projecto de poder do MPLA.

Não deve haver ilusões quanto a esta certeza: com o MPLA no poder Angola não irá a lado nenhum. O MPLA é o grande cancro que tem impedido o avanço de Angola. Tirá-lo do poder é um imperativo categórico. Até mesmo os militantes do MPLA devem, em nome de Angola, votar pela alternância.

Igualmente, não devem haver ilusões sobre este facto: quando o MPLA está extraordinariamente fragilizado também se torna extremamente ardiloso e perigoso. Até às eleições, o MPLA vai fazer recurso a todos as tácticas possíveis para (continuar nos esforços de) neutralizar as duas grandes figuras políticas presidenciáveis (Abel Epalanga Chivukuvuku e Adalberto Costa Júnior), atacar o maior partido na oposição como tal (criando ou intensificando divisões internas), instrumentalizar os pequenos partidos na oposição, incluindo os cadavéricos e tóxicos. Mais do que isso, o regime do MPLA vai comprar militantes-chave, figuras da sociedade civil (incluindo activistas), distrair as eleitoras e os eleitores com falsos problemas e assuntos de pouca importância com recurso a uma mídia embecilizante. Igualmente, vai (tender a) forjar razões para adiar as eleições.

Se a alternância não acontecer em 2022, o partido que tem mantido Angola na estagnação civilizacional vai continuar no poder por mais outros longos 30 ou 50 anos.

O presente período 2021-2022 representa uma porta aberta pela História, a qual somente é por ela aberta de tempos em tempos.

A História costuma ser generosa com os perspicazes e audazes, mas costuma ser punidora implacável com os néscios, preconceituosos, medrosos e amantes da miséria e da mediocridade.

Por Nuno Álvaro Dala.

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