Terça, 22 de Setembro de 2020
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Domingo, 13 Setembro 2020 14:58

Manifestação do dia 12 foi contra uma crise de “violência policial” que não existe em Angola

A manifestação do Dia 12 contra a “Violência Policial” aconteceu porque uma certa classe de jovens, desejosos de se afirmar no mundo e vivendo dentro de seus smartphones, assistiram com inveja as grandes marchas desencadeadas pela morte de George Floyd esperavam também sua oportunidade de “fazer historia” sendo que o caso do Medico Dala foi chocante o suficiente para os trazer as ruas.

Sejamos claros, a mera morte de pessoas por agentes a policia não pode constituir morte por “violência policial” em si, existem duas alternativas:

A. Assassinatos premeditados cometidos sob ordem e protecção expressa da hierarquia.

B. Assassinatos premeditados cometidos pelos subordinados sem ordens expressas da hierarquia, mas em que os subordinados são protegidos pela hierarquia

Ou seja o facto essencial de violência policial é a impunidade dos autores dos actos de violência, que supõe que os actos são sancionados e ate mesmo desejados por uma decisão. Um assassinato acidental cujo o autor seja protegido pela hierarquia não chega a constituir um acto acto de violência policial porque não existe acidente premeditado, e a protecção ai surge menos de uma vontade politica que deseja a morte de pessoas e mais de uma solidariedade corporativa e mafiosa própria a qualquer instituição com “esprit de corps”.

A retórica confusa dos activistas da manifestação do dia 12 de Setembro se resume exactamente a acusação que existe uma vontade politica da policia matar Angolanos. Por isto que o Ismael Mateus pede que que se sancione politicamente os dirigentes da PNA.

Vamos agora analisar os factos usando esta definição, mesmo que eu esteja aberto a qualquer definição concisa que os activistas podem propor.

Primeiro, os autores dos actos que levaram a morte das 20 pessoas, no quadro das medidas de controle do Covid em 2020, foram quase todos investigados para serem punidos e alguns já o foram. Sendo isto mostra de forma clara que não existe uma vontade politica de matar as pessoas.

Segundo, 20 mortos em oito meses em um pais com 25 milhões não constitui uma crise de “violência policial” e nem muito mesmo uma campanha sistemática de extermínio motivados politicamente, basta comparar com alguns números como 37[2] agentes da policia, num universo de 100.000 homens, mortos nos últimos 3 anos, ou as 74[3] pessoas mortas na Quadra Festiva 2017/2018. Deixo aos leitores o trabalho de descobrir quantas pessoas foram mortas por delinquentes em 2020.

Terceiro, a melhor “prova” de vontade politica para matar que os “neo-activistas” tem foi o discurso dos “sambapitos” do Ministro Laborinho, que na verdade apenas anunciava ao publico que os seus agentes deveriam agir com firmeza, que mesmo que fosse “licença de matar” velada para os agentes da Policia Nacional de Angola (PN/PNA) foi anulado na mente destes mesmos quando soubessem que seus colegas são presos e julgados por matarem civis de forma injusta. De que serve uma licença para matar se vais ir preso depois de matar ?

Como definir uma “crise de violência Policial”.

O primeiro sinal de desonestidade do empreendimento foi de misturar acidentes e casos de morte premeditada.

Os acidentes são frutos dos riscos inerentes a actividade, neste caso patrulhamento intensivo para impor as medidas de prevenção ao COVID, e do homem vai executar a actividade.

Tenho aqui uma pergunta simples: as mortes causadas pelos agentes da Policia Nacional esta acima do nível normal de competência do Angolano ? Se esta no mesmo nível então estamos diante de um problema geral de falta de mão de obra qualificada, que não pode ser totalmente corrigido por treinamento. Exigir mais competência aos agentes da PN que a competência normal do Angolano, só pode ser um acto de cinismo politico.

Alias o discurso dos “neo-activistas” denuncia esta falta de competência da PN, porem uma solução simples que este lumpenproletariado intelectual, muitas vezes licenciados e “jovens talentosos”, não fazem seria de ingressaram nas fileiras da Policia Nacional, porem não o fazem porque será mais lucrativo estar no sector privado ou governamental.

Recrutar Chineses na Policia Nacional seria a maneira, mais rápida, de resolver este problema de forma rápida.

Um pouco de persepectiva sobre a Policia Nacional.

Comparada com países similares como o Congo Democrático e Popular, tanto em historia e composição social, e tendo em conta o nível de incompetência normal em Angola, a Policia Nacional de Angola é uma instituição funcional e organizada, porem os “neo-activistas” a depreciam fazendo uma comparação dieta com os países mais desenvolvidos, esquecendo que quando estas policias ocidentais são confrontados a criminosos de países subdesenvolvidos, que sejam maioritários em alguns bairros e que são “insensíveis” aos métodos de policiamento mais brandos adaptados aos nativos, estas mesmas policias ocidentais usam de métodos policias mais “africanos”.
Cada povo tem a policia que merece, pois a policia surge de cada povo e sera sempre uma resposta ao nível de violência latente neste mesmo povo..

Se quiseres mudar a policia, muda o povo.

O resultado da onda de protestos contra a “violência Policial”

A campanha de protestos que denunciam a PN com uma instituição assassina não vai reduzir o numero de mortes por assassinatos deliberados e sancionados pela hierarquia, já vimos que não tivemos estes em 2020, nem vai reduzir o numero de acidentes por que estes depende de factos que antecedem a entrada dos agentes na Policia Nacional, e nem ira fazer justiça porque os assassinos nos diferentes casos são investigados e condenados. O que esta campanha ira fazer será reduzir a noção de justiça ao denunciar a impunidade antes mesmo que se materializa, normalizando a desconfiança do cidadão no processo judiciário e disciplinar interno da policia, como se exigissem justiça sumaria a base de pneu, o que destroi da autoridade moral da PN e justifica actos de violência contra os seus agentes, como aconteceu no incidente em que foi incendiado a esquadra do bairro dos Ossos, só faltando mesmo que lincha agentes da policia como se faz no Congo Democrático. Outra consequência desta campanha de protestos será importar para Angola um problema racial ao fomentar o ódio contra mestiços, pois são estes que podem servir o para o ocupar o lugar do “branco opressor” da narrativa original Americana que os neo-activistas copiaram na integra.

O que deveria se fazer ?

O pedido de desculpas do Comandante da PNA foi um gesto essencial e deve ser seguido punição legal contra os autores dos actos indecorosos, porem nao deve para apenas ai, a Policia Nacional deveria processar por difamação qualquer pessoa que a acuse sem provas de mover uma campanha de matança sistemática de civis em Angola, basta rever as fotos dos cartazes e as declarações de pessoas nas redes sociais ou comunicação. Se alguém conseguir provar em tribunal que existe tal campanha, terá feito um favor ao pais e restara ao poder politico punir qualquer membro da hierarquia Policial envolvido, porem se não conseguir provar e for condenado, a PN terá ajudado a ensinar um pouco de bom senso e lógica a parte mais idiota da nação, algo que o ministério da educação não conseguiu fazer.

Sem isto a PNA se deixara desestabilizar por uma campanha de medidas activas, recomendo que vejam os videos de Yuri Bezmenov, em que incidentes chocantes isolados servem para fomentar protestos e desmoralizar o Estado sem que se deixa a justiça a chance de ser feita, nao porque estes “neo-activistas” sejam agentes de um poder estrangeiro e sim apenas porque querem imitar o que acontece na América e Europa , e muito mais grave, torne uma geração de Angolanos em pessoas que negam a realidade de seus olhos por desejo de imitar o que viu em seus smartphones.

A construção de uma policia nacional idónea que mantenha a ordem indecentemente do poder politico sempre foi um processo demorado, sendo que nao podemos deitar a nossa PNA ao lixo meramente para satisfazer a sanha revolucionário e o desejo de poder de algumas cabeças utópicos.

Por Samuel PG Amaral

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