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Quarta, 09 Julho 2014 12:38

Consultor da Isabel dos Santos acusa Rafael Marques de receber US $500,000 de George Soros

Luís Paixão Martins, consultor de marketing institucional da Isabel dos Santos ataca novamente o jornalista e activista Rafael Marques ,num novo artigo que AO24 publica na Integral .

Rafael Marques e o meio milhão de dólares de George Soros

"Soros foi muito claro. Ofereceu-me US $500,000. Recusei prontamente"

O encontro deu-se no apartamento de luxo do financeiro George Soros em Nova York. Foi um pequeno-almoço. Estava presente o também financeiro Stewart Paperin (presidente do Soros Economic Development Fund). O activista político angolano Rafael Marques recebeu uma oferta de meio milhão de dólares e recusou.

Estes são os factos recentemente confessados por Rafael Marques. Resolvi recorrer a eles para esmiuçar os fundamentos da acção que intentou contra mim, junto da Justiça portuguesa, ofendido por ter sido identificado como um activista político que, pelo menos no passado, foi pago por organizações financiadas pelo megamilionário Soros.

Rafael Marques diz que é jornalista e arrolou como testemunhas duas estrelas que brilham no nosso sistema mediático – Daniel Oliveira (Expresso) e Fernanda Câncio (DN).

Portanto, Rafael Marques, jornalista, foi convidado por Soros. "Fui a Nova York falar directamente com Soros que me convidou para ir tomar o pequeno-almoço consigo no seu apartamento", confessou agora.

Sendo assim, ao jornalista Rafael Marques que notícias lhe deu Soros? Ou foi uma entrevista? Que informações ou declarações resultaram desse encontro e em que momento ou momentos foram publicadas por Rafael Marques? E em que Meio ou Meios?

Porque os jornalistas, quando aceitam convites para pequenos-almoços privados no Upper West Side com um dos mais importantes protagonistas do mundo da finança e do lóbingue global não o fazem por causa dos ovos nem das vistas soberbas sobre Central Park. É a informação, são as declarações, são os dossiês.

E, sendo jornalista como afirma, sendo-lhe proporcionada a raríssima oportunidade de um encontro pessoal com um notável tão esquivo, será que Rafael Marques foi acompanhado de repórter fotográfico para completar o seu trabalho? Levou gravador? Registou a conversa? Preparou as perguntas? Fez perguntas? Tomou notas? Publicou alguma coisa (nem que fosse no seu blogue)? Telefonou à sua amiga da Forbes a vender os conteúdos?

Infelizmente para a fé dos fãs de Rafael Marques este confessa que, ao pequeno-almoço no apartamento de luxo de Manhattan, o que Soros lhe ofereceu foi uma mala forrada com meio milhão de dólares.

A frase escrita pelo próprio é esta: "Soros foi muito claro (...) e ofereceu-me US $500,000 (...). Recusei prontamente".

Rafael Marques diz que recusou. Fez muito bem.

Mas, nem por um momento ficou chocado com o gesto filantropo de Soros? Não se sentiu tentado a pedir ao mordomo que o acompanhasse imediatamente à limousine que o tinha transportado? Ele, que é campeão das denúncias de corrupções e pseudo-corrupções, não sentiu nesta circunstância nenhum apelo cívico? Achou natural a tentativa de um financeiro entregar meio milhão de dólares a um jornalista?

Só agora, pela pressão do que escrevi (aqui e aqui) acerca das relações entre Rafael Marques e George Soros, é que aquele veio confessar publicamente este episódio que era apenas do conhecimento de alguns. Mas, poderá perguntar-se, quantos jornalistas teriam considerado normal uma situação como a descrita e a teriam, pura e simplesmente, omitido?

Será que Fernanda Câncio e Daniel Oliveira, chamados ao referido processo para testemunharem que Rafael Marques é um jornalista ofendido (e não um honrado activista político), considerariam normal a oferta de 500 mil dólares de George Soros ou de qualquer outro filantropo de mãos largas se ela lhes fosse feita a eles próprios num pequeno-almoço em Nova York ou noutra cidade qualquer? A pergunta é retórica: tenho a certeza que não.

Então, pergunto-me, porque razão Rafael Marques considerou o episódio normal? Porque não considerou que oferecer 500 mil dólares a um jornalista era (é) um comportamento indecente?

Atrevo-me a responder: porque Rafael Marques não é um jornalista. Porque Rafael Marques é um activista político habituado a receber dinheiro de filantropos para o exercício da sua actividade. Porque George Soros era (pelo menos no passado) um desses filantropos que o financiam ou financiaram através de organizações como aquela que Stewart Paperin representava no pequeno-almoço.

Rafael Marques qualificou-me, recentemente, como um "mercenário com imaginação". Imagine-se, à luz dos factos de que achou natural oferecerem-lhe 500 mil dólares ao pequeno-almoço, como eu poderia qualificar Rafael Marques. Certamente não de ter imaginação.

E, especule-se, se não aceitou naquele momento a mala de meio milhão de dólares, sem uma ponta de surpresa nem, muito menos, de indignação ou decência, será que a recusa foi apenas uma estratégia negocial?

Será que esta ou outras ofertas idênticas feitas posteriormente estarão na origem das actividades actuais de Rafael Marques e, por exemplo, na sua participação controversa no controverso artigo da Forbes? Se Soros se sentiu tão à-vontade para lhe oferecer meio milhão de dólares ao pequeno-almoço quantos outros filantropos lhe fizeram o mesmo? E será que Soros já lhe tinha feito ofertas semelhantes anteriormente e estas foram aceites ou recusadas?

Será que Rafael Marques vive uma vida em que é banal serem-lhe oferecidas malas de 500 mil dólares (ou transferências de "offshore" em "offshore") aos pequenos-almoços em apartamentos de luxo do Upper West Side com vistas soberbas sobre Central Park?

Enfim, ao tornar agora público este episódio sórdido, Rafael Marques sujeita-se a que a sua publicitação seja interpretada como um anúncio de quotação para a compra dos seus serviços, sejam eles quais forem.

Soros "ofereceu-me US $500,000" e "recusei" pode ser traduzido por "custo mais do que meio milhão de dólares"?

Luís Paixão Martins

Consultor de Comunicação

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