Sábado, 17 de Janeiro de 2026
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Sábado, 17 Janeiro 2026 12:04

O Prejuízo do Estado e a Responsabilidade dos Gestores Públicos

Com alguns gestores públicos que temos, não é novidade que o Estado, a cada dia que passa, fica sem liquidez. Este problema não é apenas financeiro, mas institucional e estrutural, refletindo a forma como os gestores públicos tratam os assuntos do Estado.

2 ─ O Dever Legal dos Gestores Públicos

Segundo a Constituição e as leis ordinárias, o interesse público está acima dos interesses privados.

─ O artigo 198.º da Constituição define o dever do gestor público nos atos administrativos, impondo os princípios da legalidade, justiça, imparcialidade, proporcionalidade e transparência.

─ O artigo 16.º do Código do Procedimento Administrativo reforça o princípio da proporcionalidade nas decisões tomadas pelos gestores públicos, garantindo que o Estado não saia prejudicado.

Infelizmente, muitos gestores confundem decisões pessoais com os interesses do Estado, agindo de forma arbitrária e prejudicial.

3 ­─ O Programa de Reconversão da Economia Informal (PREI)

O PREI é um programa vital para a sustentabilidade financeira do Estado, mas tem recebido verbas insuficientes e mal executadas:

─ 2024: Segundo Orçamento Geral do Estado deste ano, foi Cabimentado 11.812.432.588 KZ; e segundo o relatório de execução, foi executados apenas 51,1 milhões KZ (5%).

─ 2025: foi cabimentado 3.221.797.660 KZ; relatório de execução ainda não foi publicado.

─ 2026: foi cabimentado apenas 1.624.374.898 KZ.

Apesar da elevada taxa de informalidade e do impacto na economia nacional, os recursos destinados ao PREI são cada vez menores.

4 ─A Informalidade Digital

Há mais de dois anos que venho alertando para a informalidade digital, que é ainda mais prejudicial que a física:

─ Plataformas internacionais sem sede ou filial em Angola operam no nosso ciberespaço, cobrando em divisas e gerando exclusão digital comercial.

─ Do ponto de vista estratégico, o país fica vulnerável, pois milhares de empresas e pessoas dependem destas plataformas para alcançar clientes.

─ Pequenos comerciantes digitais, em sua maioria de subsistência, não têm literacia fiscal nem condições de pagar softwares certificados pela AGT, que custam mensalmente (12.083 KZ a 15.833 KZ).

─ Grandes empresas investem em publicidade digital em plataformas internacionais, sem que o Estado tribute essas receitas.

O prejuízo anual estimado em divisas, apenas em serviços de publicidade digital, é de USD 556.160.000, numa altura em que Angola tem apenas cerca de 12 milhões de utilizadores de internet, e os serviços de internet ainda não são utilizados a 100% por este número de utilizadores.

5 ─ A Falha dos Gestores Públicos

Os gestores públicos deveriam ser responsabilizados civil e criminalmente quando não cumprem o seu papel de defender o interesse do Estado.

─ O Estado paga para que cumpram este dever.

─ A indiferença diante de situações que lesam gravemente o interesse do Estado, é inadmissível.

─ Muitos gestores demonstram desconhecimento dos seus papéis, o que se nota pelas respostas que dão aos cidadãos.

Quando um gestor público viola o Código do Procedimento Administrativo e põe em causa os interesses do Estado, deveria ser punido imediatamente, para evitar maiores estragos.

6 ─ Conclusão e Apelo

Não é por acaso que o Estado fica sem liquidez: isso resulta da falta de cumprimento dos princípios básicos da administração pública.
A PGR e os Tribunais devem atuar com mais celeridade, respeitando o princípio da proporcionalidade, para garantir que os gestores públicos sejam responsabilizados e que o interesse do Estado seja salvaguardado.

Por: Tomás Alberto

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