Segunda, 26 de Outubro de 2020
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Sábado, 04 Janeiro 2020 15:36

João Lourenço dá cartão vermelho aos hospitais do estado e constrói uma clínica só para ele

Não tenhamos ilusões de que vivemos num verdadeiro inferno. O sofrimento que o povo angolano vive em Angola, assemelha – se a um inferno à céu aberto. Enquanto isso, JLO aprovou o projecto de construção do “Bairro dos Ministérios”, aprovou o projecto de construção de um “Hospital” só para cuidar da sua saúde, comprou material de guerra de variada dimensão, como gastos avultados de dinheiro, etc..etc...

Porém, a saúde e a educação, que são, por sinal, a chave de qualquer nação que se apraz progredir, continuam a viver os piores momentos de sua existência, parecendo ainda pior que a época de guerra, e não dá para comparar esses sectores, com os sectores que existiam na época colonial. Hoje, a saúde e a educação, vivem um abandono similar a bolor sobre cascos perdidos num ermo.

O povo é assistido nos hospitais públicos com enormes burocracias. Maculas e maltratos são marcas de um povo abandonado num País sem saúde, e com a educação tomada por uma profunda desgraça. Enquanto as Nações Unidas evocaram a necessidade internacional de acudir o povo a morrer no sul de Angola (em virtude da seca e da fome), mais uma vaidade enorme tomou a consciência dos políticos angolanos. Um Hospital luxuoso vai ser edificado para servir o Presidente da República, a sua família, e, os demais elementos que fazem parte do corpo diplomático e do Governo angolano. Fica a pergunta sem resposta: “Como ficam as Clínicas Multi-perfil e Girassol construídas com o dinheiro do Estado para servir o corpo presidencial e o corpo diplomático do Governo angolano? Aliás, essas clínicas não servem ao povo, e, se um povo lá for, morrerá sem assistência, somente individualidades dotadas de dinheiro são servidas nesses lugares. Todavia, ambas as clínicas extraem do Orçamento Geral do Estado dinheiro para pagar os seus trabalhadores, enquanto isso, milhares de angolanos, morrem nos hospitais púbicos, sem assistência hospitalar, eficiente.

Sabe – se hoje que, negócios, negócios, e negociatas têm lugar nos hospitais públicos, a imagem de um doente que morre no corredor de um hospital, por conseguinte, sem merecer o olhar de nenhum profissional, tornou – se um acto normal. Inúmeros angolanos padecem de um tratamento ineficaz. O Presidente da República desafia o povo com a construção de um hospital só para acudir da sua própria saúde, é prova de que está a dar um cartão vermelho aos Hospitais Públicos, e a passar a mensagem segundo a qual, somente o povo deve sofrer os maltratos evidenciados nestes lugares, e morrer ali, abandonado, mas ele e sua família devem merecer bom cuidado. Mandela permaneceu assistido num Hospital Público da África do Sul até a sua morte. O Presidente do Brasil Bolsonoro, quando sofreu um acidente de agressão física com arma branca, não acorreu à nenhuma clínica privada para ser assistido, ficou internado num Hospital Público. Lula, o seu próprio irmão mais velho e sua esposa, morreram assistidos em Hospitais públicos no Brasil. Fidel de Castro morreu no leito de um hospital Público. São vários os exemplos, mas em Angola, o Presidente constrói o hospital só para cuidar de sua saúde, enquanto o povo é maltratado e pisado por uma assistência hospitalar desprezível e miserável nos hospitais públicos. 

Nos hospitais, estão os profissionais tomados de desumanidade e de acção medíocre (a começar pelos poços de vaidade, pavões arrogantes e cheios de si). Os hospitais públicos são um belo exemplo de demonstração de vaidade, arrogância, petulância e desumanidade ao atendimento público. Um serviço excepcionalmente descuidado e desumano, que não serve ao homem, mas serve de meio para adiar a vida e antecipar a morte, lá morre – se pior que em casa. Os enfermeiros foram tomados pela arrogância, médicos foram tomados pela astúcia e pela preguiça de fazer medicina baseada em evidência.

Ambos profissionais parecem deuses caídos dos céus. Enquanto isso, doentes morrem nos corredores, e, as suas mãos, muitos dos quais completamente abandonados, como se fossem cães mortos por bolor numa floresta armadilhada. Não se fundamenta, edificar um hospital luxuoso para servir a um Presidente, enquanto o povo morre com uma assistência medíocre ou desgraçada no Maria Pia, no Hospital Sanatório, no Hospital Américo Boavida, no Hospital Capalanca, no Hospital Geral de Luanda, etc… etc... Na minha visão particular, deveria o Sr. Presidente, escolher um hospital Público, e, equipa – lo à ponto de haver suites presidenciais para o servir, se fosse, seria o Maria Pia ou o Amarico Boavida, um dos quais seria o Hospital Presidente, assim, seria o melhor exemplo a passar à sociedade angolana que morre nos hospitais, vítimas de uma assistência dramática, de um abandono descomunal, uma desumanidade colossal. 

Angola não tem nenhum hospital público de qualidade para cuidar da saúde do povo angolano. Enquanto isso, o Presidente da República constrói um hospital só para cuidar de sua saúde e de sua família política. Desde logo que missão tem João Lourenço? Servir aos interesses do povo ou aos seus? O presidente da República teria como missão “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, porém, essa missão há muito que foi colocada sobre o armário para jamais ser vista por ninguém.

Num desorganizado como o nosso, com um sistema de saúde excessivamente bárbaro, o Presidente não deveria se dar ao luxo de erguer uma clínica que somente servirá aos seus interesses, enquanto isso, o povo morre feito seres abandonados nos hospitais públicos, com uma saúde desumanizada, e sem profissionais com capacidade técnica para os atender. O exemplo de barbárie que se assiste nos hospitais públicos é desdenhoso, e, não se sabe de onde parte a intenção de construir um hospital no seio de um povo que vive uma catástrofe social do tamanho de um oceano. Sabe – se que, a Clínica Multi-perfil foi edificada com os recursos do Estados com o intuito de servir ao Corpo da Presidência e da Casa Militar. Dez anos depois, tal sonho se converteu numa verdadeira catástrofe. Todavia, mais tarde o ex – Presidente deu ordem para construir uma Clínica chamada Girassol que se destacava à atender o Corpo diplomático angolano, bem como todos aqueles casos da junta médica que seriam transferidos para o exterior, mas o sonho terá caído em maus lençóis. Nunca esse sonho foi resolvido. 

Desde logo, embora se evidenciem ilusões por parte de inúmeros cépticos de que o País está a mudar, e João Lourenço está a organizar o País, a catástrofe hospitalar assume o pior rumo de sempre, basta observar o nível precário de assistência hospitalar nos Hospitais nacionais e provinciais do País. Como se quer melhorar a saúde? Se um Presidente trata do povo como sendo coitados com faculdades para morrer abandonados e martirizados nos hospitais públicos? Enquanto isso, construiu um hospital só para servir a si e sua família política? E onde fica o pobre povo sofredor? Chegamos à conclusão de que, somos vítimas de dirigentes que escolhemos para dirigir os destinos do País. Se, houvesse intenção em melhorar a saúde do povo angolano, hoje o Maria Pia, o Hospital Sanatório, a Maternidade Lucrécia Paim, o Américo Boa Vida, o Hospital do Prenda, e, tantos outros hospitais abandonados pelo Governo angolano, não continuariam sendo a pior barbárie desumana como são. O Estado esforçar – se – ia em melhorar os serviços hospitalares nestes lugares, ao invés de gastar mais de 124 milhões de dólares só para servir a saúde do Presidente, enquanto isso, o povo assiste uma saúde miserável e definhada nos hospitais públicos do País. É sinal claro de que, João Lourenço, dá cartão vermelho aos hospitais públicos, e constrói um hospital para cuidar apenas da sua saúde porque é o único que deve ser bem assistido, e o povo não tem direito de merecer uma boa assistência hospitalar.

Por João Henrique Hungulo

Bem – haja!

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