O jornalista e activista angolano Rafael Marques de Morais defende que a democracia nunca se consolidou no seio do MPLA, sustentando que a ausência de competição interna pela liderança do partido constitui uma característica estrutural da organização desde a sua fundação.
Luanda – Os militantes da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Fernando Pedro Gomes e Daniel António Afonso, formalizaram esta terça-feira as suas intenções de concorrer à presidência do partido, ao entregarem as respetivas pré-candidaturas à Comissão Nacional Preparatória do VI Congresso Ordinário.
O jurista angolano Serrote Simão considera que as acusações de fraude que levaram à anulação da candidatura de Higino Carneiro à presidência do MPLA configuram uma tentativa de o afastar da corrida à liderança do partido, defendendo que a subcomissão de candidaturas deve ser responsabilizada pelas declarações tornadas públicas.
O presidente do PRAJA-Servir Angola, Abel Chivukuvuku, disse que a falta de múltiplas candidaturas em algumas organizações afecta "severamente" a democracia interna nos partidos em Angola.
O antigo general Higino Carneiro apelou à calma dos seus apoiantes e garantiu que irá contestar a decisão que anulou a sua candidatura à presidência do MPLA, defendendo que as alegadas irregularidades apontadas pela subcomissão de candidaturas são passíveis de correção e não justificam a nulidade do processo.
Luanda – O Bureau Político do MPLA reuniu-se, na quarta-feira, em Luanda, para analisar o estado de preparação do 9.º Congresso Ordinário do partido, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro, numa altura em que João Lourenço surge como o único candidato validado para disputar a liderança da formação política.
A decisão do MPLA de anular a candidatura do general Higino Carneiro à presidência do partido continua a gerar reações, com o ativista João Malavidele a considerar que a medida representa um revés para a democratização interna da formação política e poderá ter reflexos na conjuntura política do país.