Quarta, 05 de Agosto de 2020
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Terça, 07 Julho 2020 15:32

João Lourenço não é inocente

Em 1992 o fim da guerra civil abriu as portas à uma nova República Democrática, passando – se à sepultar a República monopartidária. Angola correu de uma economia centralizada à uma economia de mercado livre. A paz açulada através dos “Acordos de Bicesse” abriu caminhos para as primeiras eleições livres e justas.

O MPLA corria sérios riscos de perder as eleições, tal quanto correrá os mesmos riscos em 2022 face à perseguição sem tréguas à pessoa de Isabel dos Santos. Nesta sorte, JES contratou uma empresa de markiting político para desenvolver actividades de estudo e análise no âmbito das eleições de 1992.

JLo pediu a JES para transferir 20 milhões de Dólares para os Estados Unidos

As sondagens eleitorais da empresa brasileira contratada por Dos Santos davam conta que, o MPLA e o seu líder estavam mais próximos da derrota do que da vitória em 1992. Nesta década, os dirigentes do MPLA, quer membros do B.P como do C.C apresentavam – se desprovidos de bens materiais, completamente pobres, no seu sentido lacto.

Estando perto da porta de uma derrota que ninguém poderia evitar, José Eduardo dos Santos foi aconselhado a distribuir riqueza para os membros da cúpula forte do MPLA, que encontravam – se todos pobres na altura, fruto de uma política marxista-leninista que o movimento de libertação adoptou como fruto das suas boas relações políticas – ideológicas com a ex – URSS.

No entanto, o homem que hoje transformou – se no principal adversário do clã dos Santos, tendo – se especializado na perseguição implacável à primogénita Isabel dos Santos, ocupava o cargo de Secretário para a Informação do Partido. João Lourenço era na verdade um dos homens de confiança do círculo de JES.

Eduardo dos Santos ressacado pela questão das sondagens, colocou – se à dispor de variadas opiniões do mundo, sobre o que deveria ser a vida do Partido, caso viesse perder as eleições, já que as sondagens indicavam uma vitória clara da UNITA e do líder do Galo Negro Jonas Savimbi.

Foi assim que, assessores de François Mitterrand, na altura presidente de França, e de Boris Yeltsin, primeiro Presidente da Rússia, após dissolução da União Soviética, vo – lo - teriam aconselhado que o mais acertivo seria distribuir o dinheiro à cúpula forte do MPLA, para que, numa possível retirada da vida política activa fizessem do dinheiro recebido como fonte de sustento de suas famílias. Neste âmbito, José Eduardo reuniu a cúpula do partido e transmitiu o seu pirronismo. No encontro, o ex – Presidente afirmou à todos que era do seu agrado galardoar a todos que serviram o MPLA durante aquele tempo, e que, tudo estava consumado, e a UNITA tinha tudo para vencer as eleições em 1992.

Dos Santos afirmou que, caso o MPLA perdesse as eleições em 1992, com o dinheiro dado por ele, cada membro do Partido podia seguir a sua vida privada e definir o seu futuro. O medo chegou à todos e poucos se arriscaram em guardar o dinheiro entregue pelo então ex – Presidente, em Angola.

JES sabia que em Savimbi morava um ódio terrível de levar a cúpula do MPLA às barras do tribunal, e perpetrar uma vingança inevitável aos do MPLA, embora seus dirigentes eram totalmente pobres; tal quanto JLO, realiza hoje contra Isabel dos Santos e o clã dos Santos uma perseguição imparável.

Por isso, era arriscado os seus coetâneos guardarem o dinheiro recebido em Angola, seria mais prudente, colocá – lo no exterior do País, afirmava o ancião mais importante do MPLA e mais respeitado naquela época no plano internacional.

Julião Paulo Dino Matross, Roberto de Almeida, Maria Mambo Café, e tantos outros “tubarões do MPLA” que não sentiam o medo a tocar – lhe a cabeça, chegaram de erguer – se de coragem e arriscar a colocação do seu dinheiro nos bancos angolanos. Marcolino Moco, Pedro de Castro Van Dúnem Loy e tantos outros estremeceram de tanto medo de guardar o seu dinheiro em Angola, foi na Diáspora onde passaram a enterrar o maço de dinheiro que receberam de JES.

João Lourenço, o homem que tornou – se no principal perseguidor do clã dos Santos, na altura, na esfera de um dos homens mais fortes do círculo do MPLA, pediu ao então Presidente do Partido e da República José Eduardo dos Santos, para que os seus 20 milhões de dólares oferecidos fossem transferidos para os Estados Unidos.

Foi na terra de George Washington onde João Lourenço (actual Presidente da República e do MPLA) pude investir os 20 milhões de dólares recebidos. Tendo construído uma das casas mais luxuosas dos EUA e constituído empresas em seu nome. Para além dos EUA, partiu para a terra da do “Funk” e do “Samba”, a terra de “Lula da Silva”, onde dedicou – se em investir o seu dinheiro, tendo erguido lá uma mansão de luxo.

João Lourenço não ficou por ali, foi na terra de “Luis de Camões” onde também ergueu uma casa vestida de tanto luxo que nem mesmo ao nível do império Romano existia no tempo do imperador Júlio César. N”Dalo, na altura, era o “copelipa” do “Reino de Angola”, era em “N”dalo” em que tudo circulava, solicitou ao ex – Presidente Eduardo dos Santos que o seu dinheiro fosse – lhe entregue nos Estados Unidos de América. N”dalo, o general dos generais, investiu na empresa imobiliária, com a aquisição de duas propriedades em Carolina do Sul.

Lourenço, embora tenha de perseguir de forma demasiada Isabel dos Santos, deve saber que ele foi um dos mais beneficiados pela corrupção que tenha ocorrido no País, e, não se justifica a perseguição que faz contra a figura de Isabel dos Santos. Se a memória não lhe escapa, lembrar – se - ia que, foi mediante uma tremenda fraude eleitoral que se fez Presidente dos Angolanos em 2017 (…), com a recepção de mais de 150 milhões de dólares da Sonangol cuja mão manipuladora tinha como origem Manuel Vicente. Desde logo, sem a dita corrupção nas eleições de 2017 João Lourenço não seria o Presidente da República de Angola. Não se justifica que faça de Isabel dos Santos no único alvo de todas as intenções da justiça angolana, enquanto ele próprio, se tornou Presidente de Angola à custa da corrupção da “entourage”. Lourenço elegeu o combate à corrupção, mas parece que a única pessoa visada no dito combate à corrupção é apenas Isabel dos Santos e mais nada, da “entourage”, ninguém diz nada.

No âmbito da política de repatriamento de capitais, foi – lhe solicitado uma declaração de património, para que JLO e sua esposa fossem o exemplo no processo de repatriamento de capitais, mas sabendo ele que era multimilionário, Lourenço recuou desde o primeiro minuto, nunca apresentou nenhuma disponibilidade para expressar – se numa declaração de património.

João Lourenço foi citado recentemente como possuidor de variados negócios secretos. Nesta matéria, consta – se presente como accionista do Banco Sol e do Banco Angolano de Investimentos (BAI). Apresenta – se ainda como uma das personalidades do regime com acções na Orion – Agência de Publicidade e Produção, empresa essa forjada na corrupção através da famosa “Lava Jato Brasileira” que colocou preso Lula da Silva. Neste âmbito, João Lourenço recebeu da “Lava Jacto Brasileira” cerca de 15 milhões de dólares de suborno da multinacional brasileira Odebrecth. Lourenço não ficou por aqui, aliás, é um multimilionário conhecido nas lides do regime do MPLA como detentor de variadas riquezas em paraísos fiscais. 

Com o dinheiro retirado dos cofres do Estado Angolano JLO construiu no bairro do talatona um condomínio de enorme luxo, tendo pago com uma verba que recebeu à partir do banco BIC. A construção desse condomínio teve a mão direita do Estado angolano. João Lourenço com a mão direita retirou o dinheiro do BESA tendo deixado o BESA na falência sob alçada do seu amigo e protegido Álvaro Madaleno Sobrinho, tendo com esse dinheiro investido em fazendas por Angola fora.

Os milhões e milhões de USD levantados de forma ilícita no BESA, sem nenhuma garantia por João Lourenço, nunca mais voltaram à ser devolvidos por ele. Antes das eleições aliou – se à Manuel Vicente, com o qual terá realizado variados acordos secretos, tendo – se também constituído “testas de ferro” para dar sequência dos seus variados negócios em paraísos fiscais. Tem sido essa a sua via para manter viva a sua riqueza adquirida de forma ilícita em Angola. A constituição de “testas de ferro” por incompatibilidade de funções, assim, cozinheiras, escriturários, estafetas ou motoristas se transformam em empresários e detentores de riquezas variadas presentes em paraísos fiscais.

JES e sua parentela ficaram com alguma parte do bolo, mas os outros, não ficaram propriamente com migalhas. Por diferentes razões, os coetâneos de JES enriqueceram da mesma forma que ele, não se duvida da riqueza de Manuel Vicente que já se fez na maior riqueza de África, tendo - se transformado não apenas no homem mais rico do País, mas no indivíduo cuja riqueza supera a da própria nação. Manuel Vicente enriqueceu de forma ilícita, a custa de branqueamento de capitais, tráfico de influência, nepotismo, peculato, associações criminosas, desvio de fundos do Estado, e negócios ilícitos. Álvaro Sobrinho que desviou alegadamente mais de 800 milhões de USD não pesa sobre as suas mãos nenhum processo judiciário. Aliás, quer Vicente, quanto Álvaro Madaleno Sobrinho tratam – se de serem os homens mais protegidos de JLO, enquanto isso, Isabel dos Santos tornou – se vítima de um processo implacável de perseguição no País e pelo mundo fora.

José Eduardo dos Santos (JES) deixou a presidência de Angola e do MPLA em 2017 e 2018, respectivamente. O acto marcou o epílogo da trajectória política de um homem que há 38 anos vinha marcando a vida dos angolanos. Representou, também, a partida de um cidadão que deu o seu melhor quando se entregou a sério. Nacionalista e Patriota, JES respondeu ainda jovem ao apelo da terra, aderindo de corpo e alma à luta de libertação. A sua partida representou, também, o fim de um período cinzento na história de Angola. Se com uma mão fez o melhor que podia, foi até ao limite, manteve este país unido, deu o peito às balas quando a ameaça de desintegração provocada pela UNITA e pelo Apartheid era inegável, com a outra mão foi agarrou os seus próximos para adorná – lo de riquezas. Independentemente das razões político-constitucionais que o levaram a sair da Presidência, JES e a sua geração estão ligados por outra razão: cumpriram o seu papel! A nação agradece o quanto deram, e teve de aceitar que chegou a hora de entregar o testemunho.

Se esses mais velhos querem portar-se à altura do MPLA deveriam parar de perseguir Isabel dos Santos sua primogénita. Seria a melhor homenagem que lhe poderiam prestar. Gente que gaba a sua magnanimidade deveria exercer um pouco de grandeza. Seja por ele, seja pelo MPLA, mas que seja sobretudo pela nação.

Por outro lado, se por acaso alguém já não se lembra, recordemos. JES esqueceu-se de alguns companheiros de jornada, mas ninguém deve ignorar o seguinte: não há inocentes.

Até mesmo Neto que tanta honra e glória têm lhe sido prestados não é nenhum inocente. Foi pela mão direita de Neto onde partiu a ordem escrita para o assassinato de variadas famílias no dia 27 de Maio de 1977.

Viriato da Cruz “O Arquitecto do MPLA”, Matias Miguéis e tantos outros, mereceram de Neto um fim triste. Mário Pinto de Andrade conheceu o exílio político forçado, por fim, foi lhe entregue a morte gratuita, sem oportunidade alguma de poder voltar a Pátria na qual chorou e lutou ao longo da sua mocidade. No entanto, ninguém se deve esquecer pelo seguinte, não há inocentes. Como se diz na obra de Pepetela “Jaime Bunda Agente Secreto”, quem parte e reparte se não é burro, fica sempre com a melhor parte. Já sabemos que Manuel Vicente e tantos outros ficaram com a melhor parte. Mas também é verdade que as outras partes como a de João Lourenço, não são exactamente migalhas.

Por conseguinte,Excelentíssimo Sr.º “Presidente da República Gen. João Lourenço” faça o que a nação espera. Não tome a saída de JES como uma oportunidade de mandar no MPLA e perseguir Isabel dos Santos, e os demais membros do clã dos Santos. Que ninguém menospreze os feitos de JES pela paz, pela reconciliação nacional, pela reconstrução nacional e pela unidade nacional.

Não se justifica até então a perseguição sem tréguas feita contra a pessoa de Isabel dos Santos, porque João Lourenço não é nenhum inocente é parte do sistema que dilapidou o dinheiro que era de todos os angolanos.

Dê um basta Sr.º Presidente à perseguição à Isabel dos Santos!

BEM – HAJA!

Por João Henrique Hungulo

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