Quarta, 05 de Agosto de 2020
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Segunda, 06 Julho 2020 13:11

Diplomatas sem Diplomacia

Há décadas que as instituições diplomáticas angolanas são constituídas por um pessoal que não faz ideia de como se faz diplomacia, é evidente a grande debilidade e falta de conhecimentos adequados e concretos por parte da maioria dos funcionários (internos e externos) do MIREX.

A inexistência/ausência de reestruturação do nosso sistema diplomático tem retardado o crescimento e o bom desempenho das nossas embaixadas e consulados. Muita coisa não funciona correctamente, e não é normal ler uma série de documentos e comunicados oficiais públicos cheio de erros gramaticais e erros de concordância, escritos por diplomatas e por secretários de gabinetes dos embaixadores e dos cônsules.

Esta e outras situações dá-nos a entender claramente que grande parte dos funcionários do MIREX não possuem formação universitária, muitos até possuem mas são apenas “diplomas”, na prática falta-lhes habilidades, técnicas e competências para responsabilidades político-diplomáticas, sendo assim o número elevado de “diplomatas sem diplomacia” no Ministério das Relações Exteriores de Angola é cada vez mais frequente e preocupante, por isso as nossas embaixadas e consulados são alvos de críticas constantes por causa do seu mau funcionamento.

A ciência é clara: um electricista deve ocupar-se de electricidade, um médico deve ocupar-se de medicina, um constitucionalista deve ocupar-se de questões constitucionais, um químico deve ocupa-se de química, nunca o contrário. Mas em Angola faz-se tudo por nepotismo e de modo adaptado: o pedagogo dirige uma instituição Econômico-financeira em vez de dirigir uma instituição Escolar, é médico mas dirige um sector Público-comercial, em vez de dirigir um centro de Saúde, é general mas dirige uma Embaixada em vez de dirigir um sector Estratégico-militar.

Os próprios angolanos competentes e qualificados (mestres e doutores) em diplomacia são postos de lado, são ignorados e deixados completamente distantes e fora das nossas instituições diplomáticas, em vez de serem bem aproveitados dando-lhes cargos de direcção e posições chaves de decisões coerentes e racionalizadas.  

Enquanto não houver ordens no MIREX teremos sempre “diplomatas sem diplomacia”, a carência formativa desses tais será frequente, a desordem permanecerá, seremos esquecidos no plano internacional, as nossas embaixadas e consulados continuarão sendo lugares para acomodar e aposentar dirigentes e políticos velhos do nosso governo. Assim é a nossa diplomacia: sem cabeça, tronco e membros.

O.B.S: Sua Excelência Senhor Presidente da República e Senhor Ministro das Relações Exteriores resolvam a situação dos nossos irmãos retidos na África do Sul, eles estão passando por momentos caóticos e difíceis, estão sem condições básicas, e a nossa Embaixada na África do Sul como era de se esperar não estão fazendo nada por eles, foram abandonados cada um a sua sorte pelos nossos diplomatas naquele País.

Tá mais que claro: sem um novo quadro diplomático Angola não vai ao lado nenhum, mudanças profundas precisam ser feitas. A prática não mente, é o critério da verdade.

Por Leonardo Quarenta

Doutorando em Direito Constitucional e Internacional

Mestrado em Relações Internacionais e Diplomacia

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