Segunda, 16 de Setembro de 2019
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Sexta, 13 Setembro 2019 13:00

João Lourenço faz de Jonas Savimbi de vilão à herói e de Zé Maria de herói à vilão

Enquanto Jonas Savimbi, que vaticinava queimar pessoas vivas, num fogo ardente como se o inferno fosse, mereceu um elogio fúnebre de um acto heróico. Um acto fúnebre de um verdadeiro herói, Ben – Ben “O General que se imortalizou pelos seus actos”, mereceu um acto fúnebre inédito, com honras de Chefe de Estado, título dado à patriotas que morreram a lutar pela terra pela qual nasceram.

Mas afinal, o universo é mesmo irónico, Dr.º Jonas Savimbi, foi um dos políticos mais cintilantes de Angola, mas também, um dos assassinos mais temidos de África, apesar de todas as atrocidades que tenha cometido, fez – se hoje com Vossa Excelência Senhor Presidente João Lourenço um verdadeiro herói, entre os angolanos, e, mereceu do actual regime um acto fúnebre peculiar, enterrado no subsolo de homens patriotas e únicos, como se sepultam lendas heróicas, em que o seu grito jamais se cala entre milhares de admiradores, mas não se pode escusar que esse homem ontem foi quem queimava vivo milhares de pessoas, sem piedade de ninguém, e hoje, graças ao Excelentíssimo Senhor Presidente General João Lourenço transformou – se numa verdadeira lenda, ou num conto de fada, de um herói santo, que veio para santificar Angola, de uma mão imaculada, pura, que nada de mal tenha cometido contra os angolanos e Angola, doutro lado, está o General José Maria que sacrificava a vida para o regime do MPLA deu tudo ao MPLA, só lhe faltava a própria vida, que variadas vezes escapou perdê – la em frente dos combates, Zé Maria dava o peito as balas para defender o povo angolano, como é possível fazer do Dr.º Savimbi num herói e de José Maria num criminoso?

Não obstante, José Maria está a ser vítima de um regime do MPLA que sempre defendeu, desde a sua fase infantil até a forma adulta, nem mesmo nos EUA, na Alemanha e por ali fora, um General da dimensão de José Maria seria condenado por ter extorquido alguns papéis que ele mesmo terá redigido e organizado quando era Chefe da Contra Inteligência Militar. Não se duvida que condenar José Maria por simples papéis não passam de um acto de vingança contra José Eduardo dos Santos, pois que, não é José Maria quem está a ser condenado, mas José Eduardo dos Santos. A utilização de um homem de tamanha dimensão no âmbito patriótico, como veículo de condenação por ter extorquido alguns papéis secretos de sua autoria, é uma forma de fazer chegar o recado ao seu inimigo de primeira escala, senhor Eng. José Eduardo dos Santos, de que, aos poucos chega lá, e bate onde dói mais. Todavia, um grande herói, mestre de guerra nos termos da Inteligência Militar e estratégia de guerra, é ameaçado por míseros crimes, expressados por ter levado alguns papéis não menos importantes sobre a “Batalha do Cuito Cuanavale”, — estes papéis, contêm informações secretas da autoria do réu, — um homem que deu tudo a Pátria, inclusive a própria vida; fez tudo, para que Angola saísse vitoriosa face a guerra intensa que acendia como fogo no Triângulo do Tump e em Mavinga.

Amnistia global é a saída dos crimes cometidos no passado, porque ninguém é inocente

Vossa Excelência, no MPLA não há ninguém inocente, entre aqueles que algum dia ocuparam cargos administrativos ou de elite no Partido e no País, se Vossa Excelência condenar José Maria por ter extorquido papéis, deverá condenar todos gestores públicos do passado, ou qualquer um que algum dia exercera um acto administrativo em Angola, pois que, ninguém é inocente, inclusive a Vossa Excelência, porque todos, mas todos, que algum dia exerceram um acto administrativo falharam, pecaram contra a nação angolana. Desde logo, um acto de amnistia global seria a melhor forma de enterrar processos viciosos em actos criminosos, e começar uma Nova Angola iluminada pela unidade entre os angolanos, pela reconciliação no seio do MPLA, pela integração de todos os membros do MPLA que estão em pé de guerra, entre pró – eduardistas e pró – lourencistas, uma Angolano onde o leão e o veado pastam juntos, transformando o MPLA num Partido de todos os angolanos, pois que, se entre os membros do MPLA não existir unidade e reconciliação, como o novo regime pretende materializar um plano de unidade e reconciliação nacional para o País? Será possível fazer de nossa casa uma casa em guerra e querer impôs paz nas ruas? A paz não deve partir da rua, deve partir de casa, se quisermos mudar o mundo, temos que começar por mudar a nossa própria casa. Se não existe piedade, não existe perdão para com os seus próprios irmão do MPLA como pode haver perdão ou piedade com qualquer um que tenha cometido mal algum e não for do MPLA? Para com os angolanos, em geral, por exemplo? Claro que jamais se pensará numa palavra chamada unidade e reconciliação nacional para estes, quem não perdoa o seu irmão, não tem moral algum de falar sobre perdão e reconciliação nacional, com pessoas que nem sequer seus irmãos sejam.

Não seria Angola um País estrela entre milhares de nações, face ao 23 de Março, dia da paz no panorama de África Austral, se José Maria “Zé Maria”, na condição de General da Contra – Inteligência Militar, o verdadeiro “Mestre espião de Guerras e Pensador da estratégia de guerras”, não pensasse a forma crítica que visasse colocar o inimigo entre a espada e a parede, e, sair – se vitoriosos, fazendo Angola o topo da atenção universal, dando assim lugar as conversas tripartidas que deram lugar a vitória do governo angolano.

Se perdoaram – se os erros do Dr Savimbi, que até queimava pessoas vivas, as fogueiras da Jamba, são um exemplo excelente de tal natureza, como não se podem perdoar os erros de um herói do tamanho do General José Maria, que defendeu a Pátria com dentes e unhas e colocou – se em frente das balas como se fosse o único colete anti – bala para que a nação não fosse queimada pelo fogo dos canhões do Apartheid? O termo ingratidão, serve para tipificar tal comportamento plasmado na condenação de patriotas e no enaltecimento de anti – patriotas. Como Sua Excelência Sr.º Presidente da República deu um enterro condigno ao Dr.º Savimbi e hoje alardeia condenar José Maria somente por ter levado consigo alguns papéis, digo, alguns, por serem insignificantes, todavia, os feitos de José Maria, não se apagam, nem sequer com a água, nem sequer com apagador, nem sequer com lixívia, nem ainda com o fogo. Os feitos deste General se manterão acesos sobre sucessões de gerações, entre os milhares de indivíduos que sofreram a mão pesada da guerra, e viram qual era o valor de José Maria nesta altura, e, temos a certeza de que, sobre este grande general, será título de uma obra literária, de minha autoria, cujo título é um dilema que enfrenta, hoje: "General José Maria — de Guerreiro Lendário à vítima do mesmo regime que sempre defendeu” — e sua voz será ouvida sobre sucessões de gerações, como um homem humilhado por injustiças, não por ter cometido erro algum de lesa pátria, mas por ter sido vítima de um processo de vingança, pois que, é inconcebível que se condena José Maria por ter levado alguns papéis não menos importantes, enquanto isso bilionários como Massano Júnior, Álvaro Sobrinho, e tantos outras centenas de multimilionários têm inéditos papéis no Governo de Vossa Excelência, multimilionários como Manuel Vicente são protegidos como se protege um ovo, pelo Governo de Vossa Excelência… A fila é grande demasiada para apontar os variados protegidos, enquanto isso, quer – se julgar um inocente, que nunca cometeu erro algum à Pátria; aliás, serviu a pátria, serenamente, humildemente, seguindo tudo que lhe era legado e dirigido como soldado da pátria angolana. Hoje, é chegada a hora para ele ir descansar, e, aqui aparecem crimes fabricados para o condenar sem consistência do que chama – se justiça perante a Pátria e o valor de um patriota. Tudo é realizado com a intenção de vingar – se do passado.

Que república se constrói excelentíssimo senhor presidente?

Que República queirais fazer Excelência Senhor Presidente General João Lourenço? Como pode haver uma República que se consagra em estigmatizar heróis e salvar anti – heróis? Os exemplos estão as sobras, e, não se sabe os porquês que levam a condenação do General José Maria… Dizem que ele matava, pergunto – lhes, qual é a arte de um militar? Claro, é matar, e não existe outra arte que saiba fazer com melhor perfeição, para além desta. Condenar José Maria, é condenar a Pátria angolana, não existe maior patriota que tenha dado mais para a batalha do Cuito Cuanavale para além do General José Maria, desde logo, é daqueles homens que acudiu a Pátria quando esta encontrava – se imersa no abismo infindável, desde logo, quem condena José Maria, condena também a Pátria angolana, porque escreveu com o seu sacrifício os caminhos porque a nação tinha de trilhar para chegar à Paz, não se justifica nada, mas nada, que o tenha de jogar atrás das grades por ter levado consigo alguns papéis da “Batalha do Cuito Cuanavale.”

Quais são as razões de Vossa Excelência tencionar condenar o General José Maria? Será pois haver fins que visam um ajuste de contas com o passado que Vossa Excelência terá passado? E, que hoje tudo se desenterra para julgar a simples vontade de Vossa Excelência? Por que razão alguém que tudo deu a nação angolana tem hoje que ser condenado feito um criminoso? Onde está a culpa, desde logo, Vossa Excelência? Não há nada que existe para além da Pátria, e, não existe pátria sem patriotas: tende piedade a pátria Senhor Presidente, pois que, condenar o General José Maria é condenar a própria Pátria. Pois que, não existe erro algum, de tamanha latitude que o tenha de levar a prisão, um simples acto de boa – fé, torná – lo – ia livre de ter levado os papéis que faziam menção a “Batalha do Cuito Cuanavale”, não é necessário chegar aos extremos, nem os excessos que sabem transformar um guerreiro num mártir de perseguição.

Bem – haja!

Por João Henrique Hungulo

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