Quarta, 12 de Agosto de 2020
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Sexta, 12 Junho 2020 20:28

Ministério da Saúde do Brasil nega poderes de cura dos ‘feijões mágicos’ do pastor Valdemiro contra o coronavírus

O Ministério da Saúde do Brasil usou o site oficial para desmentir a eficácia de sementes de feijão com ‘poderes de curar a Covid-19’. A ‘boa nova’ foi anunciada pelo pastor Valdemiro Santiago de Oliveira, da Igreja Mundial do Poder de Deus, nas redes sociais.

A pasta informa que não há, até o momento, ‘produto, substância ou alimento que garanta a prevenção ou tratamento do coronavírus’. “O Ministério da Saúde esclarece que é falso que o plantio de sementes de feijão, comercializados pelo líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago, leva à cura ou serve para prevenção da covid-19”, diz a publicação veiculada após determinação do Ministério Público Federal.

Em vídeos publicados no YouTube, posteriormente excluídos pela plataforma também a pedido do MPF, o líder religioso incita seus fiéis a plantarem as sementes, vendidas pela própria igreja por R$ 100 (U$ 20), R$ 500 (U$ 100)  e R$ 1 mil (U$ 200).

No início do mês passado, a Procuradoria Federal acionou o Ministério Público de São Paulo pedindo a abertura de uma investigação por suposto crime de estelionato do pastor. De acordo com o documento, ‘o uso de influência religiosa e da mística da religião para obter vantagem pessoal’ fica claro nas gravações.

Aliado de Bolsonaro, o pastor já participou de uma transmissão ao vivo do presidente no dia 12 de julho do ano passado – no mesmo dia, o líder religioso havia entregue ofício ao Itamaraty pedindo um passaporte diplomático. Quase um mês depois, o governo autorizou a emissão do documento ao pastor e sua mulher, Franciléia de Castro Gomes de Oliveira.

COM A PALAVRA, A IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS

A reportagem entrou em contato com a Igreja Mundial do Poder de Deus e aguarda resposta. O espaço está aberto a manifestação.

Em maio, quando a Procuradoria Federal encaminhou notícia-crime ao Ministério Público de São Paulo pedindo investigação do caso, a agremiação argumentou que ‘foi amplamente esclarecido em todos os vídeos que toda cura vem de Deus e que a semente é uma figura de linguagem, amplamente mencionada nos textos bíblicos, para materializar o propósito com Deus’.

A igreja disse ainda que a oferta pelas sementes é ‘espontânea’, ‘dada de acordo com a condição e manifestação de vontade de cada fiel, não tendo nenhuma correlação com o comércio de qualquer produto e/ou serviço’. Leia a íntegra da nota: Em atenção à sociedade, em virtude de notícias veiculadas nesta quinta-feira (07) de maio de 2020, sobre a “venda” de semente com promessa de cura, a Igreja Mundial do Poder de Deus, vem esclarecer que:

1) Diferentemente do divulgado pela impressa, a campanha do mês de maio “sê tu uma benção” representado pela semente do feijão, não se refere a venda de uma “promessa de cura”, mas sim o início de um propósito com Deus, representado por um símbolo bíblico (a semente) que tem como princípio o início de uma colheita conforme a vontade de Deus (Lucas 8:11-15 e 2 Corintios 9);

2) Em relação a promessa de cura vinculada diretamente a semente, tem-se que foi amplamente esclarecido em todos os vídeos que toda cura vem de Deus e que a semente é uma figura de linguagem, amplamente mencionada nos textos bíblicos, para materializar o propósito com Deus (Genesis 26);

3) O valor da suposta venda divulgado, resta rechaçada veemente, haja vista ser a oferta espontânea, a qual é dada de acordo com a condição e manifestação de vontade de cada fiel, não tendo nenhuma correlação com o comércio de qualquer produto e/ou serviço.

4) Esclarecemos, ainda, que nossa instituição, ao longo de todos esses anos tem o único e exclusivo propósito de propagação da fé Cristã, onde todas as nossas atitudes se baseiam nos princípios bíblicos, na ética e na legalidade. Folha de S.Paulo

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