Domingo, 28 de Novembro de 2021
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Terça, 19 Outubro 2021 11:08

Custo de vida em Luanda atinge maior alta nos últimos quatro anos

Os dados do INE revelam que a inflação na capital do País está fora do controlo. Em termos anuais, a classe alimentação e bebidas não alcoólicas com 33% lidera a subida dos preços seguidos da saúde com 25,8%.

O custo de vida em Luanda aumentou 30,2% em Setembro de 2021, o maior registo nos últimos quatro anos, segundo dados do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) recentemente divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em termos mensais os preços em Luanda aumentaram 2,3%, elevando a taxa acumulada para 22,3% e a inflação anual para 30,2%, é necessário recuar até Junho de 2017 para encontrar um registo tão elevado, sendo a inflação mais alta da governação de João Lourenço.

Os dados do INE revelam que a inflação em Luanda está fora do controlo. O ritmo de aumento dos preços na capital do País descolou da nacional a partir de Dezembro de 2020.

A nível nacional os preços aceleraram 0,05 pontos percentuais (pp) ao registar um aumento de 2,2% em termos mensais, pois é preciso recuar até Setembro de 2018 para encontrar um registo tão elevado, a taxa acumulada foi de 19,4% e a anual registou um aumento de 26,6%.

A inflação média que serve de base as negociações sala- riais foi de 25,2%, um aumento de 0,2 pp em relação ao mês anterior.

Depois da Lunda-Norte com 2,4%, Luanda o principal centro de consumo no País registou maior aumento nos preços com 2,3%, segue-se o Zaire, o Huambo, ambas com 2,3% e Luanda-Sul com 2,2%.

Por sua vez, as províncias com menor variação nos preços foram: Cuanza-Sul, Cuanza- Norte, Bié, Moxico todas com 1,9% e Bengo com 2%. Das 12 classes que servem de base para o cálculo da inflação nacional, a classe alimentação e bebidas não alcoólicas com 2,6% foi a que registou o maior aumento de preços, destacam-se também o aumento dos preços na classe de

mobiliário, equipamento doméstico e manutenção, com 2,1%, bens e serviços diversos com 2%, saúde e bebidas alcoólicas e tabaco com 1,9%.

Em termos anuais a classe alimentação e bebidas não alcoólicas com 33% também liderou a subida dos preços seguido da saúde com 25,8%. Desde 2019 que o salário dos angolanos não é reajustado o que reduz ainda mais o poder de compra das famílias, pode-se concluir que praticamente as pessoas só ganham para comer.

Causa das coisas

Especialistas defendem que a inflação em Angola devese à redução na oferta de bens e serviços, causadas pela fraca produção nacional agudizada com o fraco sistema logístico nacional, infra-estruturas de transporte, conservação, empacotamento, défice na distribuição da cadeia alimentar, mau estado das vias, elevado número de falências das empresas e dificuldade no acesso às divisas, custos que depois se reflectem no preço do produto final.

O economista Francisco Paulo apontou ainda que maior parte dos produtos chega por via dos portos, as empresas que gerem os terminais portuários cobram preços muito elevados quando o contentor é desalfandegado.

“A questão da inflação em Angola não é monetária é um problema estrutural a política monetária em si não é suficiente para combater”, disse.

O também economista e director do Centro de Investigação Económica (Cinvestc) da Universidade Lusíada, Heitor Carvalho, refere que a falta de concorrência foi e continua a ser um importante factor inflacionista em Angola. Facto que considerou não estar ainda percebido pelo BNA, pelo Executivo, bem como pela generalidade dos analistas.

“Enquanto os negócios não se multiplicarem e concorrerem a pressão no sentido da alta de preços persistirá”, acrescentou.

Governo revê em alta meta da inflação

O Governo inicialmente estabeleceu para 2021 uma inflação de 18,7%, em Maio o Comité de Política Monetária (CPM) do BNA reviu em alta a taxa de inflação para 19,5%, meta que foi revista pela segunda vez em Setembro para 27%, revisão que Heitor Carvalho considerou inevitável tendo em conta os números do INE.

O governador do BNA, José de Lima Massano, considerou que as medidas tomadas têm sido adequadas: a taxa básica de Juro (Taxa BNA) em 20%; a taxa de juro da Facilidade

Permanente de Cedência de Liquidez em 25%; a taxa de Juro da facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 7 dias em 15%; inalterados os coeficientes das reservas obrigatórias em 22%.

Quanto as medidas adoptadas pelo BNA para controlar a inflação, Heitor Carvalho diz que o banco central está a fazer bem para termos uma importação competitiva; o Executivo está a fazer mal porque não está a fazer a parte que lhe cabe no equilíbrio, protegendo a produção nacional.

Heitor Carvalho afirmou que o BNA usou as reservas internacionais para reduzir a taxa de câmbio. “O BNA diz que não, que foi o mercado, mas as reservas brutas entre 31 de Agosto e 30 de Setembro baixaram de 16,8 mil milhões USD para 16,4 mil milhões USD mesmo com uma balança corrente superavitária devido ao preço do petróleo. “Acho que o BNA fez bem e não tem de se envergonhar com o que faz bem”, reforçou.

“O governo fez mal em eliminar as taxas aduaneiras porque, baixar a taxa de câmbio e, simultaneamente as taxas alfandegárias equivale a repor o subsídio às importações, voltar à política de 2017 “matar” a produção nacional”, disse.

Heitor Carvalho diz ainda que não se deve proibir as importações, como estava a ser feito, eliminando a concorrência e criando uma inflação artificial, nem desproteger completamente a produção interna, que é mais cara por ser menos eficiente. É necessário o equilíbrio, protegendo a produção nacional ao mesmo tempo que se pressionam os preços com uma importação com preços competitivos. MERCADO

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