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Domingo, 01 Novembro 2015 17:00

Bento Kangamba diz que o tempo é da Justiça no caso dos ativistas

O general angolano e alto dirigente do MPLA Bento dos Santos 'Kangamba' saudou hoje o fim da greve de fome do 'rapper' Luaty Beirão, afirmando que o tempo é da Justiça, recusando pressões externas no processo dos 15 ativistas.

Naquela que foi uma das primeiras reações de figuras de topo do regime angolano ao fim do protesto de Luaty Beirão, um dos 15 ativistas angolanos detidos desde junho sob acusação de rebelião e que cumpriu 36 dias em greve de fome, o general 'Kangamba' assumiu a importância do fim desse protesto, para que a Justiça "siga o seu caminho normal".

"Isso é que é importante, isso é que nós queríamos. Queiramos que Luaty comesse e depois a Justiça fizesse a sua parte", disse o dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), questionado pela Lusa à margem de uma visita de campo hoje, em Benfica, Luanda.

"O que estava a acontecer era a greve de fome e depois as pessoas a pressionarem a Justiça angolana para libertar [os ativistas, incluindo Luaty Beirão]. Ninguém estava a defender para julgar, mas para libertar, para tirar fora, de imediato", observou o também sobrinho do presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Luaty Beirão, de 33 anos, que protestava contra o que dizia ser o excesso de prisão preventiva e exigia aguardar julgamento em liberdade, anunciou o fim da greve de fome na passada terça-feira, perante os alertas médicos sobre a sua situação clínica e os sucessivos apelos nacionais e internacionais.

É um dos 17 jovens angolanos acusados pela Justiça angolana de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, tendo o início do julgamento sido entretanto marcado para 16 de novembro, no tribunal de Cacuaco, nos arredores de Luanda.

"Vamos deixar que a Justiça faça a sua justiça e que os juízes façam o seu juízo. E espero que haja imparcialidade da Justiça no julgamento dos jovens, que quem cometeu apanhe pena, quem não cometeu que seja absolvido. Não pode é haver mais o espetáculo que estávamos a ver sobre esse Luaty", disse Bento dos Santos 'Kangamba'.

O dirigente angolano voltou, em particular, a criticar figuras do Bloco de Esquerda, em Portugal, pelas acusações de violação dos direitos humanos lançadas a Angola, dizendo mesmo que "alguns não são bem-vindos" ao país.

"O Luaty nunca foi preso político. O Luaty é do grupo de jovens que tentaram fazer aqui manifestações, a falarem mal de quem governa, de quem está próximo do Governo, mas isso não quer dizer que é político", disse, garantindo que Angola é uma democracia onde "não há presos políticos".

Retomando a crítica aos protestos e acusações desde Portugal, sobre violação de direitos humanos e falta de liberdade de expressão em Angola - que recusa aceitar - 'Kangamba' insiste que "alguns portugueses" ainda tratam os angolanos "como criados" e que acham que "têm de ser chamados pretos".

Também por isso insiste que enquanto "país soberano", Angola deve "resolver os seus problemas internamente" e que "não é Portugal a ensinar o que temos de fazer".

Retomando as "preocupações" com a indefinição governativa em Portugal, afirma que "nem todos os portugueses são maus", mas lamenta as "constantes insinuações" sobre o regime angolano.

"Mas esta fase vai passar, confio nas autoridades portuguesas e nos políticos portugueses", rematou.

Lusa

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