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Sábado, 31 Outubro 2015 21:49

"Somos livres de fazer tudo aquilo que decidimos fazer"

O artista angolano Binelde Hyrcan, presente na bienal de arte contemporânea de Coimbra, afirmou hoje que é livre de fazer tudo aquilo que decide fazer, considerando que Angola é "um país que tem democracia".

O artista, que levou a Coimbra o vídeo "Cambeck" também presente na Bienal de Veneza, afirma que o seu trabalho "é todo à base de críticas", nomeadamente ao poder, considerando que Angola é "um país que tem democracia".

"Somos livres de fazer tudo aquilo que decidimos fazer", referiu, apontando para o caso do vídeo que apresenta na bienal de Coimbra, através da fundação Sindika Dokolo (marido de Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola), em que tenta mostrar "o caos de Luanda" e ir contra a ideia de que Angola é "um país extremamente moderno. Isso é mentira".

Questionado pela agência Lusa sobre os casos dos jovens ativistas detidos, entre os quais Luaty Beirão, Binelde Hyrcan considerou a situação "normal. Em todos os países tem de existir isso. Em Paris, há manifestações e não vi a ONU [Nações Unidas] a pedir para tirar Hollande do poder. Em Luanda, quando acontece algo, há uma camada de países e superpotências que vêm dizer "não, agora o presidente tem de sair do poder"".

Escusando-se a tecer muitos comentários sobre o caso, Binelde referiu, no entanto, que "talvez [o caso] não esteja a ser transparente".

Porém, não acha a situação "correta ou incorreta. Não faço política", frisou, considerando que o melhor é esperar pela "resposta que o tribunal vai tirar" - o julgamento está agendado para entre 16 e 20 de novembro.

Apesar de não tecer comentários sobre se há ou não uma crise de democracia em Angola, o artista apela a "mais união".

Binelde é um dos mais de 40 artistas que expõem na bienal de arte contemporânea de Coimbra Anozero, que começou hoje e que decorre até 29 de novembro.

A greve de fome de Luaty Beirão, cujo fim foi anunciado na terça-feira, visou protestar contra o alegado excesso de prisão preventiva e exigindo aguardar julgamento em liberdade, conforme prevê a lei angolana para este tipo de crime.

Os restantes 14 ativistas aguardam julgamento - agendado para entre 16 e 20 de novembro - no hospital-prisão de São Paulo, em Luanda, tendo Luaty Beirão pedido anteriormente para sair da clínica privada onde se encontra para se juntar aos colegas, em solidariedade.

Os jovens ativistas são acusados de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente da República.

Lusa

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