Em suas declarações, numa entrevista recente, Ekuikui diz ser desnecessário ir às eleições, quando se sabe que já tem um vencedor antecipado.
"Então vamos lá, o MPLA está reunido no Futungo, vai escolher o candidato e já é presidente. Até já podem felicitá-lo. Mas que brincadeira é essa? Andamos assim, estamos a caminho de 50 anos, MPLA vai fazer 50 anos de poder. Por quê?", questionou.
Quando questionado sobre, por que é que partidos como a UNITA aceitam concorrer às eleições?
Preferiu falar como um cidadão que esteja a expressar uma dor que um cidadão sente, um cidadão angolano que olha para um processo completamente viciado.
"Se o processo está viciado, é preciso que as pessoas parem. Encontrem seriedade no processo, para do processo resultarem autoridades legítimas, capazes de ter autoridade e governar para todos", defendeu, acrescentando que, quando se tem um processo que a partir daí já tem vencedor, este processo não tem validade nenhuma.
"Eu estou a concorrer e sei que o meu destino é só o parlamento. Não, o meu destino não pode ser só o parlamento.
Se o povo acha que eu devo ser administrador do Kilamba-Kiaxi e o povo dá-me este mandato, eu tenho que governar e ponto".
Nelito Ekuikui observou que não é possível alguém que sai do comitê central do MPLA, vai para o tribunal constitucional, fica juiz conselheira e, declarar a derrota ao MPLA. "Mas alguém acredita nisso; Esta senhora serve para gerir, para dirigir conflitos eleitorais?", questionou ainda.
À consistente pergunta, por que é que os partidos políticos se conformam a isso e aceitam ir às eleições? Ekuikui disse que isso ultrapassa os partidos políticos, pois, o poder emana do povo.
Assim, defendeu que o povo não pode aceitar. "Isto é sobre o povo. Isto não é mais sobre os partidos. Mas o povo tem que dizer, nós não vamos às eleições, porque destas eleições não vão resolver o problema".
"Não é discurso da fraude.
A fraude existe, é um facto. As instituições não são sérias, é um facto. Porque são dirigidas por pessoas sem credibilidade, sem autoridade.
É um facto também, não estou a dizer aqui coisa de outro mundo. Agora, vamos continuar a andar assim. Tens um presidente da Comissão Nacional Eleitoral, indiciado a várias questões, todas são públicas.
Mas que autoridade esse senhor tem, de continuar a dirigir a Comissão Nacional Eleitoral? Eu estou a perguntar. Que autoridade?", expressou.
"Você tem hoje um ministro do interior, que é activista político, que vai para uma atividade de propaganda. Depois amanhã não vai mandar bater ou matar os militantes da UNITA? Mas é sobre isso", rematou.