O governante, que intervinha numa mesa redonda, fez um balanço histórico do sector, lembrando que, após a independência, o país contava apenas com cerca de duas a três mil estudantes.
"A massificação foi necessária para permitir que uma grande franja de jovens pudesse estudar, mas hoje o cenário mudou e o nosso imperativo é a qualidade", declarou.
Apesar dos números expressivos, Eugénio da Silva reconheceu a existência de desafios estruturais, nomeadamente a preparação de base dos candidatos, o que tem levado muitos estudantes a evitarem cursos das ciências exactas como matemática, física, química, biologia e geologia por fragilidades na formação académica anterior.
“Precisamos fazer um trabalho de reforço a montante, durante o percurso anterior a universidade, para melhorar as competências dos estudantes", frisou.
Para garantir uma formação de excelência, referiu que o Executivo está a priorizar a qualificação do corpo docente que integra 11.900 docentes, dos quais 54% são licenciados, 35% mestres e 11,5% doutores.
Eugénio da Silva afirmou que o objetivo estratégico é inverter esta pirâmide nos próximos cinco anos, garantindo que a maioria dos docentes possua pós-graduação.
“Para o efeito, foram criadas bolsas de estudo específicas e facilitado o acesso a mestrados e doutoramentos no país, com a isenção de critérios de idade e nota para docentes em exercício, visando elevar o perfil técnico-pedagógico dos quadros”, explicou.
Na ocasião, fez saber que o Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAREES) avaliou, até ao final do ano passado, cerca de mil 200 cursos de graduação em diversos domínios científicos.
“O foco do sector está agora centrado na melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem e na acreditação dos cursos”, concluiu
Durante o encontro, especialistas, gestores de instituições de ensino superior e representantes estudantis discutiram os obstáculos que ainda persistem no acesso ao ensino superior, tais como a infra-estrutura educacional e os mecanismos de apoio social ao estudante, bem como o papel da juventude universitária, no desenvolvimento do Ensino Superior angolano, rumo a excelência.

