No relatório "A Situação dos Direitos Humanos no Mundo" analisa-se a situação em 144 nações e apontam-se violações graves em vários países africanos.
Em Angola, "sindicalistas, membros da oposição, jornalistas, defensores dos direitos humanos e ativistas foram alvo de detenções e prisões arbitrárias", sendo em alguns casos negado o acesso a representação legal, de acordo com a Organização Não-Governamental (ONG).
As forças de segurança angolanas recorreram ao uso ilegal da força, comprometendo o direito à liberdade de reunião pacífica, enquanto a liberdade de expressão e de imprensa também foi violada, considera a ONG.
A Amnistia Internacional refere ainda que, aparentemente, não houve qualquer investigação sobre o homicídio de um homem por agentes da Polícia de Intervenção Rápida.
O contexto socioeconómico agravou a instabilidade, explicou a organização.
"Muitos angolanos, sobretudo jovens, enfrentam pobreza e fome devido a baixos salários e elevado desemprego", descreveu.
No entanto, a "situação deteriorou-se a 04 de julho, quando o Governo aumentou os preços dos combustíveis e as tarifas dos transportes públicos duplicaram", o que conduziu a protestos convocados por ativistas e a uma greve de taxistas no final do mês, acrescentou.
Os protestos originaram confrontos violentos, com relatos de vandalismo e saques em Luanda, resultando em mais de 30 mortos, mais de 200 feridos e cerca de 1.214 detenções, referiu a ONG.
Para a Amnistia, as forças de segurança responderam com força excessiva e detenções.
Outro episódio de violência policial ocorreu a 11 de novembro, no dia da Independência de Angola, quando pelo menos tendo dez ativistas e um advogado foram detidos antes de manifestações previstas para esse dia, recordou.
Nesse dia, "as autoridades cercaram o cemitério de Santa Ana, em Luanda, onde o protesto deveria começar, e detiveram 18 ativistas, dos quais 16 foram libertados horas depois sem acusação", indicou.

