A medida, que já se encontra em implementação, enquadra-se na estratégia de modernização dos pagamentos transfronteiriços promovida pela SADC e segue as recomendações do G20 destinadas a tornar as operações financeiras internacionais mais rápidas, eficientes e acessíveis.
O novo mecanismo é visto pelo sector empresarial como um passo importante para o reforço da integração económica regional, embora persistam desafios relacionados com a competitividade da produção nacional e o acesso ao sistema bancário dos países vizinhos.
O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA) e conselheiro económico do Presidente da República, José Severino, considera que a possibilidade de realizar pagamentos em kwanzas representa uma facilidade significativa para as empresas nacionais, sobretudo na aquisição de matérias-primas, produtos acabados e serviços provenientes da região.
“Poder pagar com a nossa moeda matérias-primas, produtos acabados e serviços de países da SADC é uma grande facilidade”, afirmou.
Contudo, o responsável sublinha que a operacionalização do sistema exige condições adicionais, nomeadamente a abertura de contas bancárias nos países parceiros.
“Para isso, precisamos de ter contas abertas nos bancos desses países. E abrir contas nesses mercados nem sempre é um processo simples”, observou.
Apesar das limitações, José Severino acredita que o novo instrumento poderá contribuir para o aumento das trocas comerciais entre Angola e os restantes países da região, promovendo uma maior circulação de bens e serviços.
Segundo explicou, a medida não beneficia apenas Angola. Os restantes países da SADC também poderão adquirir produtos angolanos utilizando as respectivas moedas nacionais, criando um ambiente de maior flexibilidade nas relações comerciais.
No entanto, o líder da AIA alerta que a simplificação dos pagamentos, por si só, não resolverá os problemas estruturais da economia angolana.
“O desafio central continua a ser a competitividade da produção nacional. Os nossos produtos continuam a apresentar custos elevados e enfrentam forte concorrência dos mercados vizinhos”, afirmou.
José Severino considera que será difícil aumentar significativamente as exportações industriais e agrícolas para a região enquanto os produtos angolanos não conseguirem competir em preço e qualidade com os disponíveis noutros mercados africanos.
A nova plataforma de pagamentos regionais surge como uma ferramenta destinada a reduzir custos de transacção, minimizar a dependência de moedas internacionais e acelerar as operações comerciais dentro da SADC. Especialistas entendem, porém, que os benefícios da medida dependerão igualmente da capacidade das empresas nacionais em aumentar a produtividade, reduzir custos de produção e conquistar novos mercados na região.
A iniciativa representa mais um passo no processo de integração financeira regional e poderá contribuir para fortalecer o comércio intra-africano, numa altura em que os países da SADC procuram aprofundar a cooperação económica e promover o desenvolvimento sustentável da região.

