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Quarta, 22 Mai 2024 11:30

BNA admite que Grupo Carrinho pode tornar-se accionista do banco Keve

Banco Nacional de Angola não teve sempre o mesmo entendimento sobre a ‘tomada de assalto’ do Banco Keve pelo grupo Carrinho e não fundamenta o que o fez mudar de opinião. Regulador chumbou a primeira tentativa de o grupo financiar o banco em nome do empresário Rui Campos.

O grupo Carrinho, o conglomerado de Benguela conhecido por ter registado um crescimento sem precedentes na ‘Era João Lourenço’, está próximo de confirmar a posição de accionista de mais uma instituição bancária, no caso, o Banco Keve.

A garantia é do próprio órgão regulador, o Banco Nacional de Angola (BNA), que justifica a previsível alteração de ‘estatuto’ do grupo no banco com os 10 mil milhões de kwanzas que a Carrinho aplicou no Keve em 2022, em nome de Rui Campos, o accionista maioritário e presidente da instituição bancária.

O BNA não teve sempre o mesmo entendimento sobre a ‘tomada de assalto’ do banco pelo grupo Carrinho e não fundamenta o que o fez mudar de opinião. O regulador chumbou a primeira tentativa de o grupo financiar o banco em nome do empresário Rui Campos, mas agora admite que a evolução da Carrinho para accionista do Keve está apenas dependente da avaliação da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) que tem em mãos o processo. “A carrinho é dona de um banco, o BCI, e, da forma como foi capitalizado o Banco Keve, existe a possibilidade de o grupo Carrinho tornar-se accionista directo desta instituição”, detalhou Pedro Castro e Silva, um dos vice-governadores do BNA, que entrou no órgão regulador pela mão de José de Lima Massano, transferido do BAI, banco que foi também liderado por longos anos pelo actual ministro de Estado para a Coordenação Económica.

O envio do processo para a Autoridade Nacional da Concorrência, segundo Castro e Silva, explica-se no facto de a Carrinho ter já o controlo completo de um outro banco, no caso o BCI. “É nesta etapa que o processo está”, garantiu, em resposta ao Valor Económico, à margem da 117ª reunião do Comité de Política Monetária (CPM). 

Em finais de 2021, o capital social do Banco Keve, que estava fixado em 10 mil milhões de kwanzas, dobrou para os 20 mil milhões, através de um 'arranjo' com a Carrinho que injectou outros 10 mil milhões como empréstimo ao empresário Rui Costa Campos que, na altura, detinha 36% do capital, mas o BNA acabou por travar a operação, em Abril de 2022. "Relativamente ao aumento de capital no Banco Keve, a operação tal como ela foi apresentada, o BNA entendeu rejeitá-la porque entendemos que a entidade que estava a financiar o processo de aumento de capital não é uma instituição financeira", referia o BNA.

Passado um ano , em Novembro de 2023, o regulador garantia a este Jornal que estava a analisar o processo, entretanto desde então que passou a assistir-se à presença da Carrinho na gestão do banco, tal como foi confirmado, em Setembro do ano passado, pelo CEO do grupo, Nelson Carrinho. "Estamos ligados ao Keve, financiamos o aumento de capital de forma indirecta. O Keve foi muito importante no desenvolvimento desta estrutura [Carrinho], das poucas instituições a financiar- -nos", justificou-se na celebração dos 30 anos do grupo.

Em Dezembro de 2021, o grupo se tornou dono do BCI, diante de um leilão em bolsa, processo enquadrado no Programa de Privatizações dos Activos do Estado (Propriv), e que ficou marcado com a polémica devido o perfil do vencedor e do valor da transacção que fico fixado em 16,5 mil milhões kwanzas.

Valor Económico

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